Passat TS, ídolo de uma geração

Leia aqui como uma restauração bem feita pode realizar um sonho de adolescência
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Renato Bellote
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- Toda geração de garotos tem seus ídolos. Não estou falando de bandas de rock ou atrizes de cinema. Os sonhos de consumo aos quais me refiro têm quatro rodas, potência e algo intangível que deixa milhares de corações acelerados ao cruzar a esquina.

Em meados da década de 80, Gol GT e Escort XR3 ocupavam um lugar de destaque na mente da molecada. Depois, vieram o GTI – primeiro nacional equipado com injeção eletrônica – e o Kadett GS. Na minha época, um outro GTI – desta vez com 16 válvulas – chamava a atenção no trânsito, pelas rodas de quinze polegadas e bolha no capô.

O administrador de empresas Márcio Valente foi um desses garotos. No final da década de 70, era apaixonado por um modelo da Volkswagen de aspecto agressivo e desempenho excepcional: o Passat TS leia a história deste esportivo
aqui. “Tinha uns 14 ou 15 anos e ainda não podia ter um desses”, conta.

O tempo passou e os carros mudaram, mas o sonho permaneceu. Há quase cinco anos, uma oportunidade única apareceu para torná-lo realidade. Um casal de japoneses estava vendendo um exemplar. Eles haviam comprado o veículo zero-quilômetro na capital paulista, em 1978.

Márcio desceu a serra – já que eles moravam no litoral – para conferir o modelo. “Estava com as marcas do tempo. A pintura toda desbotada e as rodas pretas”, diz o administrador. Mesmo assim, ele comprou e voltou dirigindo para São Paulo.

A partir daí, começou o árduo trabalho de restauração durante os finais de semana. “Desmontei o carro todo, parafuso por parafuso, com exceção do motor”, diz. Ele ainda me contou que todas as peças foram lavadas, polidas e preparadas para a montagem. “Só saía da oficina para comer na padaria”, relembra.

Todo o esforço – incluindo a pintura – levou cerca de um ano. Até mesmo os vidros dos instrumentos do console central foram polidos e voltaram a ter a aparência original. Um detalhe interessante é o selo com a correta pressão dos pneus, intacto na tampa do reservatório de combustível.

Neste ponto da matéria, vou fazer uma pausa. O leitor deve estar se perguntando como foi que descobri esse carro. Pois bem: a resposta. Estava andando tranqüilamente pela rua quando passei em frente a uma loja de acessórios automotivos. O TS estava estacionado ao lado. Entrei e perguntei sobre o dono, que estava almoçando. Deixei o cartão e aguardei seu retorno, que ocorreu no começo da tarde.

Marcamos no meio da semana para uma conversa mais demorada e a sessão de fotos, essencial para eternizar um carro clássico. Desse modo, em uma manhã de quinta-feira ensolarada, nos encontramos na loja.

O Passat nos aguardava. A primeira coisa que me chamou atenção foi a pintura brilhante. As rodas de 13 polegadas não têm nenhum raspão e os quatro faróis na dianteira – marca registrada da versão – ainda impõem respeito.

Depois de me acomodar no banco, percebi que a posição de dirigir é muito boa. Pode-se ver até a frente do capô. Os cintos de segurança também mostram a originalidade do veículo. Basta soltar a lingüeta da coluna e prendê-la em um suporte localizado no meio dos bancos. O volante de três raios também tem um belo desenho.

Ao girar a chave, um pouco de nostalgia. O motor de 1.600 cm³ e 96 cv de potência bruta desperta. O ronco é um pouco grave, graças ao carburador duplo e ao coletor de escapamento – igualmente – duplo. Sem estardalhaço. Aliás, como todo esportivo que se preze deve ser.

Saímos e subimos a avenida Moema. Enquanto seguíamos em direção ao Planalto Paulista, o Márcio foi me contando que o TS só é abastecido com gasolina Podium da Petrobrás. “Foi uma recomendação do Vinícius Losacco”, diz. “Ele também foi o responsável pela revisão do motor”, finaliza. Para fechar o pacote, a suspensão foi obra da Suspentécnica.

No curto trecho percorrido pude prestar especial atenção no painel, onde o pequeno conta-giros se destaca no centro. O hodômetro marcava exatamente 67.755 km originais. Do lado direito, o rádio de época, com cinco botões, leva a marca Volkswagen.

O maior charme do interior, porém, é o console central, equipado com voltímetro, relógio e manômetro da pressão do óleo. O esportivo deixa muitos carros atuais comendo poeira nesse quesito.

Externamente, destaque para as placas amarelas, confeccionadas especialmente para exposições. As faixas laterais da carroceria despertaram curiosidade e muita gente que passava pela rua torceu o pescoço para dar uma segunda olhadinha no clássico.

O porta-malas ainda guarda o estepe sem uso. Além disso, Márcio tem a nota fiscal, o manual do proprietário e o jogo de chaves reserva do modelo, colocadas no chaveiro da concessionária, que já não existe mais.

Para encerrar a reportagem, percebi que esse TS guarda muito mais do que uma simples história de vida. Ele carrega um sonho realizado, que mantém o “garoto” eternamente jovem cada vez que sai pra dar uma voltinha pelo quarteirão.

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* Renato Bellote, 27 anos, é bacharel em Direito e assina seis colunas sobre antigomobilismo na internet. O autor tem textos publicados em doze países de língua espanhola e é correspondente do site português Lusomotores________________________________

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