Falta uma grande marca brasileira

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Fernando Calmon
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- A ênfase exportadora da indústria automobilística já não se limita às grandes marcas internacionais. Este ano, o faturamento no exterior chegará a US$ 11 bilhões, deixando ao País um saldo favorável de US$ 8 bilhões - 20% do superávit da balança comercial. Pelo menos duas empresas de capital nacional, uma pequena e outra de médio porte, Lobini e Obvio!, têm planos ambiciosos de exportação, em especial para os EUA, maior mercado do mundo, com 17 milhões de unidades/ano. A Puma, entre 1970 e 1980, foi a pioneira, enviando carros completos e também em forma de kit.

A Lobini investiu R$ 5 milhões em seu carro esporte. A empresa de Cotia SP quer exportar até 60% da produção, a partir de fevereiro de 2006. Optou-se por vender os kits para montagem nos EUA. Isso evitará testes de colisão e outras exigências que prejudicariam a competitividade do pequeno roadster no mercado. Considerado um produto seguro, a legislação americana dispensa as provas para pequenos fabricantes do mundo todo, informa José Orlando Lobo, principal executivo. A empresa importadora, 1g Racing, venderá o Lobini H1 por US$ 45 mil e o primeiro lote será de 49 unidades. Os ingleses também importarão o biposto nacional projetado por Fabio Birolini.

Planos mais ousados são os da Obvio!, que construirá sua fábrica em Xerém RJ. Segundo o Wall Street Journal, o mercado americano para minicarros pode chegar a um milhão por ano em razão da escalada do preço dos combustíveis. Portanto, a estratégia de Ricardo Machado, presidente da empresa, concentra-se, de início, nos EUA. Os modelos 828/2, de dois lugares apenas 2,65 m de comprimento e o 012, de três lugares em banco único só 40 cm mais comprido, foram projetados por Anísio Campos. O primeiro deve custar US$ 14 mil R$ 31 mil e o segundo, exatamente o dobro, preços razoáveis para compradores de alto poder aquisitivo.

Como Machado pretende exportar 50.000 unidades/ano, iniciando com 17.000 em 2007, associou-se com a ZAP Poluição Zero do Ar, em inglês. Esta empresa produz scooters, quadriciclos e bicicletas elétricos e comprou 20% das ações da Obvio! Pela ênfase ao meio ambiente, os minicarros utilizarão motores paranaenses Tritec flex, desenvolvidos mais para uso de álcool do que de gasolina. A idéia é induzir a abertura de postos de abastecimento em estradas e grandes cidades da Califórnia, onde existem as leis mais severas do planeta para proteção ao ar. O álcool tem a vantagem de não gerar efeito-estufa na atmosfera, responsável por mudanças climáticas e aquecimento global.

Steve Schneider, presidente da ZAP, chegou esta semana ao Brasil. Ele acompanha a montagem do primeiro protótipo do 828/2 e da maquete em tamanho real do 012. Ambos serão apresentados em três salões de automóveis: São Francisco, agora em novembro, Los Angeles, em janeiro e Orlando, em fevereiro. O projeto inclui 21 fornecedores principais e testes de colisão no campo de provas da GM.

Iniciativas assim deveriam atrair grandes grupos nacionais, o que a Obvio! tentou e não conseguiu. Falta mesmo a marca brasileira de peso.

RODA VIVA

VÃO e voltam os rumores de que a Fiat está tão incomodada como a GM com o sucesso do EcoSport. Apenas pendurar alguns pedaços de cano na carroceria é insuficiente. Parece que a marca italiana ressurge agora com a idéia do Panda brasileiro, ou algo parecido, para 2007. A GM desacelerou, mas continua tocando o projeto do utilitário compacto derivado do Corsa, tudo indica também em 2007.

DESTA vez entraremos para valer na era dos navegadores via satélites GPS. Peugeot, Citroën, Fiat e outra marca não-revelada negociam com a Magneti Marelli. O sistema Smart Router possibilita opções mais baratas — orientação por voz e pequena tela monocromática — já disponíveis em 2006, na faixa de R$ 4.000,00. Estão digitalizados mapas de São Paulo, Rio e Belo Horizonte e das estradas que as interligam.

PARA alcançar máxima funcionalidade de navegação, a legislação que proíbe telas ativas no painel frontal dos carros precisa ser revista. A nova regulamentação está pronta, mas emperrada no Denatran. Até agora, no Brasil, só existiam navegadores por celular e GPS, em micros de mão, de eficiência limitada.

RANGE Rover Sport é o produto que faltava à linha Land Rover. A versão mais potente de 385 cv sai por R$ 395.000,00, algo destoante para quem não tem tradição esportiva. Claro, com um motor tão forte e uma carroceria menor, mais leve e baixa do que a do tradicional Range Rover, o desempenho empolga. Vários recursos eletrônicos limitam bastante a velocidade em curvas, cortando junto o prazer de controlar o veículo.

PORSCHE, a mais rentável fábrica de automóveis do mundo, está adquirindo 20% das ações da Volkswagen. Existe ligação histórica entre as duas empresas, unidas pelo Fusca, algumas colaborações pontuais, mas sem participação societária relevante. Porsche é a única marca de carros esporte de prestígio que permanece independente. Ao invés de ser comprada, comprou...
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection

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