Não-cuidante

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Fernando Calmon
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- Os automóveis e outros veículos automotores podem estar mudando o clima do planeta.

Não há certeza absoluta sobre o tema, mas um estudo que acaba de ser publicado na Suécia afirma que um quarto do gelo acima do Círculo Polar Ártico deixou de existir nos últimos 40 anos.

E até o final do século todo o gelo desapareceria nos meses de verão. Conseqüência do aquecimento global da Terra, conhecido por efeito estufa, terminaria elevando o nível dos oceanos e submergiria as cidades litorâneas. A causa seriam alguns gases, entre eles os originados de motores a combustão, como o dióxido de carbono CO2.

Outros — monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio — são poluidores letais ou causam danos à saúde. Estes estão, praticamente, sob controle em função dos avanços da eletrônica e dos catalisadores. Já existe sistema capaz até de limpar o ar por onde o veículo passa. É o eliminador de ozônio colocado na frente de radiadores, opcional para alguns modelos Volvo. O CO2 não é venenoso. Sem ele, a fotossíntese responsável pelo crescimento das plantas deixaria de ocorrer. Sua emissão exagerada é que geraria o efeito estufa, embora na Antártida o fenômeno do degelo ainda careça de estudos mais profundos.

No II Fórum do Meio Ambiente, organizado esta semana em São Paulo, SP pelo Sindipeças, ficou patente que o Brasil tem uma situação privilegiada quanto ao CO2. Além de gerar baixos volumes do gás — concentrado nos países ricos pelo enorme consumo de petróleo e carvão — conta com a energia renovável do álcool, neutro para o efeito estufa. E ainda pode gerar créditos financeiros ao País, quando chegar a regulamentação internacional.

Em compensação continuam os problemas com os demais poluentes. Os carros saem de fábrica com baixíssimos índices de emissões, mas sem manutenção voltam a poluir com o passar dos anos. O palestrante Jerônimo Cruz, conselheiro do Sindipeças, lembrou que “o brasileiro é criativo, crítico, mas em geral não-cuidante. Deixa de lado o hábito da conservação preventiva”. O programa nacional de controle de emissões veiculares atingiu grande êxito, mas faltaram campanhas educativas, conforme José Roberto Moreira, do governo paulista.

A falta de conscientização preocupa bastante. No Estado do Rio de Janeiro, uma liminar dispensa um fabricante de cumprir as normas antipoluição para o GNV. Márcio Veloso, do Ibama, destacou as dificuldades de fiscalizar a instalação de kits adaptadores para gás. Há dúvidas se, mesmo os kits homologados, são todos instalados de forma completa por razões de custo. E aí o gás pode poluir até mais que a gasolina.

Nada impediu que, além do Rio, o Paraná começasse agora a farra do gás. Meia-dúzia de interessados conseguiu que se baixasse o IPVA para apenas 1%. Enquanto isso, quem utiliza álcool nos motores flex continua pagando imposto quatro vezes maior, como a gasolina. O combustível vegetal é muito superior ao GNV do ângulo sócio-econômico e ambientalmente mais correto. Nem a indústria automobilística se empenha, no caso, em benefício de quem compra seus veículos. O IPVA é um imposto que acompanha o carro ao longo de 20 anos.

O Fórum ainda criticou a adaptação de motores a gasolina para uso de álcool, considerada crime ambiental. Esses produtos, alguns com nomes pomposos, conseguem que o álcool polua mais que a gasolina em troca de economia pífia no custo por quilômetro rodado.

RODA VIVA

INFORMAÇÕES dão conta de que a Volkswagen lançará mesmo uma pickup a partir da plataforma do Polo, da qual também surgiu o Fox. Já o futuro sedã compacto deriva da base mecânica toda nova do sucessor do Gol, em 2007. Gol conviverá uns tempos com o novo modelo, mas antes receberá uma revitalização de linhas na parte traseira já em 2006. A frente, pouco muda.

HONDA mexicana cogita de desenvolver um motor de 2.000 cm³ de cilindrada para o Accord exportado ao Brasil. Aproveitaria a alíquota de imposto mais favorável em relação aos motores de maior cilindrada que representam menos de 1% do mercado nacional.

PRESIDENTE da GMB, Ray Young, alcançou tão boa fluência em português que até serviu de intérprete na recente visita ao presidente Lula, em Brasília. Ele foi acompanhado por H. Maergner, da VW; C. Belini, da Fiat, e R. Golfarb, da Anfavea. Young, de descendência chinesa, nasceu no Canadá onde também se fala francês. Base latina sempre ajuda na comunicação.

FINALMENTE, algum benefício ao consumidor no reajuste do seguro obrigatório de responsabilidade civil. Enquanto pagará mais 10% — agora, R$ 56,77 —, a indenização de despesas médicas subiu 31% R$ 2.000,00. Em caso de morte ou invalidez, o beneficiário receberá R$ 10.300,00 52% a mais. Valores envolvidos ainda são baixos para padrões internacionais.

CERTOS conselhos de frentista de posto de gasolina precisam ser recebidos com reservas. Muitos sugerem completar nível do óleo lubrificante do motor sem necessidade. Variação na vareta indicadora pode registrar menos de um litro a completar. Portanto, não vale a pena, em especial próximo ao momento da troca de óleo. Mulheres são as mais prejudicadas.
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon, engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Sua coluna semanal Alta Roda é publicada, desde 1999, em onze jornais brasileiros e no site WebMotors. Assina as colunas Direto da Fábrica na revista Carro e Roda Viva na revista Jornauto. Correspondente para América do Sul do site americano The Car Connection. Diretor editorial das oito revistas automobilísticas da On Line Editora. Consultor técnico, de mercado e de comunicação.

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