Navegar preciso

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Fernando Calmon
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- Você já imaginou estar no meio de um engarrafamento sem conhecer nenhum caminho alternativo? Pois, agora, isso deixará de ser motivo de estresse. Vamos, definitivamente, entrar na era dos navegadores de bordo - aparelhos que orientam o motorista, "guiando-o" pelo trânsito - começando por São Paulo, Rio e Belo Horizonte e as rodovias que interligam as três regiões metropolitanas. A Magneti Marelli Eletrônica MME anunciou que já negocia o seu equipamento Smart Router com quatro fábricas no Brasil. Fiat e Peugeot-Citroën serão, provavelmente, as primeiras porque um Stilo e um 307 foram os modelos escolhidos pela empresa italiana para demonstração à Imprensa. O equipamento pode estar disponível até o final do próximo ano.

O Japão foi o pioneiro com a tecnologia no final dos anos 1980, chegando pouco depois na Europa e EUA. O gerente mundial de telemática da Magneti Marelli, Gian Maria Timossi, estima que haja mais de 15 milhões de navegadores de bordo no Japão e metade desse volume tanto na Europa, como nos EUA. Dependendo da sofisticação e dos recursos disponíveis, o preço varia, no exterior, entre R$ 3.000,00 e R$ 15.000,00. No Brasil o preço do equipamento poderá ficar em torno desses valores, mas a empresa não quis especificar pois ainda depende de definições legais. "A taxa de aplicação em veículos de luxo é próxima de 100%, enquanto em veículos pequenos fica em torno de 5%. Estimo que o cliente esteja disposto a pagar um valor de até 10% do preço do carro pela conveniência de chegar mais rápido ao seu destino e sem consultar mapas de papel ou parar no caminho para perguntar", afirma Timossi.

O sistema funciona com a tecnologia de navegação por GPS, bússola e sensores nas rodas para recálculo da rota. Assim, o funcionamento independe da conexão permanente com os satélites. Um mapa da região e a orientação por voz garantem que ninguém vai se perder. Se, mesmo assim, o motorista deixar passar uma referência, o computador refaz o roteiro em segundos e apresenta uma nova orientação.

O navegador é programável para a rota mais curta ou, teoricamente, mais rápida. Basta digitar o endereço de destino ou escolher locais importantes que já estão inseridos na memória. Os sistemas de navegação até agora oferecidos usam conexão por telefone celular e GPS, associados a um palm top com óbvias limitações.

Mais fluidez no trânsito
A empresa americana NavTeq responde pelo levantamento técnico, digitalização dos mapas e futuras atualizações semestrais ou anuais. Ela trabalhou um ano pesquisando rotas e caminhos alternativos e se prepara para abrir um escritório em São Paulo. Um CD será suficiente para armazenar todas as ruas, avenidas estradas das três regiões - em 3 anos, a NavTeq concluirá o mapeamento de todo o Brasil, também disponível em CD. Segundo Angel Gerardi, presidente da MME, é difícil avaliar a demanda. "Sentimos que há um ótimo potencial, em especial na região de São Paulo, mas não dá para estimar, por enquanto, quantos aparelhos poderemos vender. Com o trânsito tão difícil o motorista terá uma preocupação a menos. Locadoras de veículos e frotas de entregas certamente são clientes em potencial".

Gerardi sabe das dificuldades impostas por uma resolução do Contran sobre proibição de telas eletrônicas no painel dos carros. Mas acredita que isso possa ser reavaliado pelas autoridades de trânsito, pois não se trata de uma programação de entretenimento ou de televisão. Ainda assim, está disposto a procurar uma adaptação à legislação brasileira, se for o caso, porque o sistema foi desenvolvido para funcionar em 50 países. Apenas o Brasil criou empecilhos.

Estuda também desenvolver um modelo mais simples com tela monocromática, setas indicadoras e a orientação por voz para tornar o preço mais acessível. No primeiro momento há a intenção de oferecer o equipamento somente como opcional de fábrica, ficando para depois o mercado de acessórios em razão da dificuldade de instalação fora das linhas de montagem.

Para uma cidade congestionada como São Paulo o equipamento pode ser ainda mais útil porque mostra um potencial de aumentar a fluidez do trânsito e diminuir o consumo de combustível e a poluição. Um motorista perdido ou procurando uma referência de nome de rua ou mesmo só a numeração, acaba por perturbar o fluxo de veículos e, eventualmente, irritando quem o segue de perto.
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