Tecnologia automobilística e seus conceitos mutantes

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Fernando Calmon
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- Um dos desafios do dia-a-dia dos jornalistas ao escrever sobre assuntos técnicos é ser suficientemente claro para os leigos, sem se tornar enfadonho para os leitores que dispõem de bom nível de conhecimento. Para aqueles que escrevem pedindo o aprofundamento de alguns temas, a coluna discute hoje a mudança de conceitos ao longo do tempo e mesmo entre diferentes regiões do mundo.

Para começar, os espelhos retrovisores convexos do lado do motorista. Eles são quase a regra geral na Europa — e em boa parte dos carros aqui fabricados — por ampliar o campo de visão. Mas são simplesmente proibidos nos EUA e lá, mesmo no lado direito, é obrigatória a inscrição lembrando que objetos refletidos estão mais perto do que parecem. Claro que o efeito se acentua dependendo do raio de curvatura da superfície, mas esse tipo de espelho dificulta a avaliação de distância, especialmente durante a noite. Necessita de adaptação do motorista.

Existe outra posição invertida. O mercado americano não a lei exige comandos de vidros e travas agrupados na porta do motorista. Os europeus são mais racionais porque essa escolha implica duplicação dos comandos na outra porta dianteira e aumento de custos. Botões nas portas estão sujeitos a vibrações e infiltração de água. Alega-se que é mais fácil encontrá-los nas laterais, contudo isso só se aplica para quem não dirige o carro regularmente. Comandos no painel ou no console, desde que bem localizados, são perfeitos e algumas marcas insistem nessa solução.

A filosofia técnica de cada fabricante também se impõe em pormenores, aparentemente sem importância, mas ligada ao DNA da marca. Alavanca de câmbio automático, com opção de trocas seqüenciais, pode exigir movimentos laterais direita/esquerda ou longitudinais à frente/atrás. Embora pareça bem menos espontâneo fazer movimentos transversais para trocar de marcha, alguns alegam que é confortável para o motorista. Discussão longe de consenso.

Tração dianteira ou traseira também já deu margem para muita discussão. Sem dúvida, o ideal é ter direção no eixo dianteiro e tração atrás. Mas em condições de piso escorregadio a combinação motor e tração dianteiros acabou se impondo por ser natural a reação do motorista em correções ao volante, além de ampliar o espaço interno, diminuir o número de peças móveis e a evolução técnica permitir motores com mais de 200 cv. A tração traseira ficou para carros grandes e, ainda assim, isolada em marcas de prestígio.

A eletrônica de bordo, porém, trouxe controles de tração e depois de trajetória, resgatando a superioridade da tração traseira, embora ainda timidamente. Em automóveis pequenos e médios a tração dianteira continua absoluta, salvo o BMW Série 1 ou roadsters compactos Mazda MX5, Pontiac Solstice. Motor traseiro clássico restringiu-se ao Porsche 911, mas o traseiro central está em alguns excelentes carros esporte. E a surpresa, também em microcarros. O motor colocado embaixo do banco traseiro foi a solução do Smart e agora do Mitsubishi i, lançado no Japão, além do modelo brasileiro em desenvolvimento para exportação, o Obvio!

Tração traseira em carros pequenos, portanto, poderá voltar. Nada como um dia depois do outro.

RODA VIVA

Pelos primeiros resultados de vendas do ano, já existe quem revise os números finais de crescimento para cima, perto dos 10%. A esperada queda dos juros básicos melhora o humor e haverá ofertas de prestações menores e prazos elásticos. Renault já reposicionou todos os seus preços e a GM acaba de fazer igual com o sedã Classic. Esperam-se outros movimentos nesse sentido.

Governo parece ter, tardiamente, aprendido que repique do preço do álcool gera inflação. Depois de negar crédito para estocagem em 2005, só agora abrirá o cofre. Investimento relativamente baixo pode diminuir muito a volatilidade de até 80% entre início e fim da safra. Álcool é combustível sazonal, ao contrário de derivados do petróleo, e deve ser analisado pelo preço médio anual.

EcoSport, na série Freestyle, demonstra que valeu a pena melhorar a imagem quanto ao acabamento e escolha de materiais. Evolução nos detalhes, modesta, mas atmosfera interna evoluiu bem. Havia certa acomodação em um modelo sem concorrente direto. Motor flex 1.600 cm³/111 cv álcool também lhe caiu bem. Há algum esforço para subir rotações pela relação peso/torque menos favorável.

Utilização de airbags para joelhos de motorista e passageiro deve crescer de agora em diante. Testes recentes comprovam que, em acidentes graves, pernas e braços não são bem protegidos, mesmo usando airbags em conjunto com cintos de segurança. Índice de mortalidade cresce só com airbags e sem uso dos cintos.

Brasil precisa evoluir muito na área de eletrônica de bordo. Vem em boa hora a iniciativa da Siemens VDO e da Freescale de um concurso nacional para desenvolvimento de projetos aplicáveis em automóveis, motos e veículos comerciais. A base são microcontroladores de 8 bits pela flexibilidade de uso.
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection

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