BMW S 1000R é mais que uma superesportiva nua

Baseada na S 1000RR, motocicleta naked alemã chega ao Brasil por R$ 67.900
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Agência Infomoto
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Os engenheiros da BMW fizeram questão de reforçar que a nova S 1000R não é apenas uma versão nua da renomada esportiva S 1000RR. Embora compartilhe motor, quadro e as linhas de design, a nova naked de 1.000 cc tem personalidade própria e outras qualidades. A começar pelo pacote eletrônico completo. Além dos modos de pilotagem, controle de tração e os freios ABS, a S 1000R à venda no Brasil já vem com a suspensão eletrônica semi-ativa (DDC, Dynamic Damping Control), disponível apenas na versão HP4, top de linha da esportiva. Claro, que isso tem um preço: exatos R$ 67.900.

A BMW não tirou simplesmente a carenagem de sua esportiva. Manteve o quadro de dupla trava superior, mas redesenhou a geometria da coluna de direção e instalou um novo guidão de uma única peça. Com isso o piloto vai ereto como em uma naked, mas com os joelhos mais flexionados do que em outros modelos menos radicais, já que as pedaleiras são bem recuadas.

O motor é o mesmo quatro cilindros em linha, 999 cm³, DOHC com 16 válvulas, porém amansado. Com um cabeçote redesenhado, novos comando de válvulas, injeção eletrônica redefinida e um diferente sistema de escapamento, o propulsor gera 160 cv a 11.000 rpm – cerca de 30 cv a menos que a esportiva. Mas produz muito mais torque em baixos e médios regimes, atingindo o mesmo pico de 11,4 kgf.m mais cedo, já a 9.250 giros.

Mas não lamente a potência menor. Quem já pilotou uma superesportiva sabe como é difícil (e perigoso) manter-se na faixa de potência máxima em ruas e estradas. Portanto, na prática a potência disponível é praticamente a mesma, exceto se você estiver em um autódromo. Da RR para a R, o grito do motor é substituído por um grunhido mais grave em função do novo escapamento.  

E o torque mais elevado em baixos giros faz da S 1000R excelente para o uso “normal” e quase uma moto de arrancada. Não se trata de quão rápido você pode ir, mas quão rapidamente você pode atingir altas velocidades. As acelerações são impressionantes e a rapidez para ir de zero a 100 km/h é ainda maior por conta do quickshift, sistema que permite subir as marchas do câmbio de seis velocidades sem usar a embreagem.

Sem falar que, enquanto a KTM 1290 Super Duke R não chegar por aqui, a BMW S 1000R com seus 160 cv ainda pode ser considerada a naked mais potente à venda no Brasil.

As maravilhas e os problemas da eletrônica

Com tanta “força” em baixos giros, o difícil é manter a roda dianteira no chão. Se você não empinar com a S 1000R, não irá empinar com nenhuma outra moto, lamento dizer. Mesmo sem querer, a roda dianteira saía do chão em primeira, segunda ou terceira marcha. Só não levantava de vez por conta do sistema anti-wheeling, que está ativo nos modos de pilotagem Rain, Road e Dynamic. Já no Dynamic Pro, indicado para o uso mais radical ou em pista, o sistema é desligado e a frente levanta mesmo. Assim como o ABS Race traseiro, que é desativado nesse modo Pro para agradar aqueles que gostam de derrapadas.

Com pista molhada na descida de uma serra, optei pelo Rain para que o controle de tração e ABS fossem adequados ao piso. Já mais acostumado com a S 1000R, passei do Road para o Dynamic e o que mais se nota é mesmo a resposta mais brusca e imediata do acelerador. Aconselho a usar o Road na cidade e o Dynamic, na estrada.

A suspensão DDC semi-ativa utiliza diversos sensores espalhados pela moto – alguns em comum com o controle de tração (Automatic Stability Control, vulgo ASC) – para ajustar a compressão e o retorno do garfo dianteiro invertido e do monoamortecedor traseiro em movimento. O piloto escolhe a pré-carga da mola (sozinho, com bagagem ou dois ocupantes) e os modos de pilotagem trazem o ajuste de compressão e retorno (macio, normal ou mais rígido). Ainda é possível redefinir esses ajustes. Mas quando a moto estiver andando o DDC faz uma “leitura” do terreno para ajustar o conjunto de suspensão constantemente. 

É difícil notar o sistema atuando, tamanha sua rapidez. Mas em um trecho com diversas ondulações consecutivas na estrada, as tais costela-de-vaca, foi facilmente perceptível o conjunto ficar mais macio para isolar o piloto das trepidações. Uma novidade eletrônica e tanto.

No entanto, a unidade da S 1000R vermelha testada e utilizada na sessão de fotos desse teste foi a segunda que pilotei. A primeira da cor azul, retirada na BMW, logo apresentou um sinal de advertência amarelo juntamente com as letras DDC no painel. Indicando algum problema no sistema eletrônico. Desliguei a moto, religuei, esperei, rezei e nada. Daí, não há o que ser feito: apenas levar a moto para a concessionária realizar a verificação eletrônica do sistema. Por meio de sua assessoria de imprensa, a BMW declarou que “foi feito uma verificação do sistema, que não acusou problemas, e houve a necessidade de uma atualização de software do sistema DDC”. Ainda segundo a BMW, neste caso específico, não haveria custos para o cliente.

Indiscutivelmente divertida

Entretanto, com o modelo na cor vermelha o DDC não apresentou problemas e a diversão foi garantida. Sua ciclística herdada da RR é digna de elogios e nem mesmo a distância entre-eixos maior intimida essa naked alemã nas curvas fechadas. Pesando somente 207 kg em ordem de marcha, ela pode ir de uma confortável naked no modo “Road” para uma ágil e firme esportiva no Dynamic Pro.

Com uma aceleração estonteante, maneabilidade suave e freios muito eficazes, a S 1000R é tão rápida quanto qualquer esportiva e indiscutivelmente mais divertida. Embora, como outras nakeds, ela não oferece conforto para longas viagens ou mesmo altas velocidades, já que o discreto para-brisa oferece pouca proteção aerodinâmica e sua posição ereta seja boa para velocidades dentro do limite legal.

O preço ainda é elevado, mas pelo que a S 1000R oferece em termos de desempenho e eletrônica faz com que ela se equivalha a suas concorrentes. A MV Agusta Brutale 1090RR ABS de 158 cv, que tem controle de tração, mas não o DDC, sai por R$ 64.000; já a Kawasaki Z 1000 só traz o ABS por R$ 52.990. A BMW ainda é a mais cara entre as bignakeds disponíveis no Brasil, mas também uma das mais modernas e potentes na categoria.

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