Brutalidade à flor da pele

Controle de tração, modos de pilotagem a agora freios ABS no modelo 2014: nem toda essa eletrônica foi suficiente para domar os 158 cavalos da MV Agus
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Conhecida por sua esportividade e desenho inconfundível, a emblemática naked MV Agusta Brutale ganhou motor mais potente e novidades eletrônicas para 2014. O modelo 1090RR, topo de linha, traz agora um propulsor tetracilíndrico de 158 cavalos de potência máxima e freios ABS. Além de suspensões e freios de primeira linha, o modelo RR traz ainda novidades estéticas: ganhou um pequeno filete de LEDs na carenagem que envolve o painel, belas rodas de alumínio com 10 pontas mais leves e novo esquema de cores tricolor. Montada em Manaus (AM), a Brutale 1090 RR ABS tem preço sugerido de R$ 62.000.

 

De porte imponente, outro detalhe que salta aos olhos nesta atualizada Brutale RR é o motor – e antes mesmo de ser acionado. Os quatro cilindros de 1078 cm³ receberam uma nova pintura prata que os destacam ainda mais no conjunto. Ao ser despertado, o mesmo ronco “invocado” das versões anteriores. Mudanças no sistema de alimentação e nas válvulas garantiram a cavalaria extra: dos 144 cv a 10.300 rpm da versão anterior para 158 cv de potência máxima a 11.900 giros. O torque, por outro lado, diminui um pouco. Foi de 11,2 kgf.m (a 8.100 rpm) para 10,2 kgf.m (a 10.100 rpm).

 

Não é preciso ser nenhum especialista em motores para notar que as mudanças tiveram um objetivo claro: aprimorar o rendimento do motor em altos giros. Assim é a Brutale, uma naked sem concessões, feita para quem quer um tetracilíndrico que gire “alto” envolto por um design marcante.

 

Superesportiva nua

Da mesma forma que as alterações no motor privilegiam a esportividade, todo o projeto ciclístico da Brutale é focado no desempenho, ainda mais nesta versão RR. Dotada de garfos telescópicos invertidos Marzocchi com tubos de 50 mm e monobraço traseiro com amortecedor Sachs – ambos totalmente ajustáveis – não seria exagero dizer que essa naked italiana é uma superesportiva sem carenagem. Afinal, as especificações e o comportamento do conjunto ciclístico são dignos das motos de pista.

 

Embora a ergonomia seja característica das nakeds com o guidão alto e largo, os joelhos vão bem flexionados como em uma esportiva. E não é por acaso, pois é preciso movimentar-se sobre o banco, amplo, porém estreito. Como uma bela amante latina, a Brutale é exigente: demanda que o piloto pressione as pedaleiras e faça o contra-esterço no guidão para aproveitar a precisa e estável ciclística da Brutale nas curvas.

 

Se a ideia é passear na avenida beira-mar e paquerar, lamento dizer, mas essa MV não foi feita para você. Em baixas velocidades, a Brutale reclama. O motor emana bastante calor, a embreagem não é das mais macias e “patinava” em baixos giros, e o ângulo de esterço é bastante limitado. Características que parecem desaparecer quando as rotações sobem e você assume o controle, pilotando-a como uma esportiva nua.

 

Mas há críticas. O posicionamento correto em motos esportivas é utilizar a ponta dos pés nas pedaleiras. Dessa forma, sentem-se melhor as reações do chassi e também se pode forçar a pedaleira do lado de dentro das curvas. Mas fazer isso na Brutale é um incômodo. Utilizando uma bota apropriada para motos, meu calcanhar pegava na cobertura das duas ponteiras de escape de um lado e no monobraço, do outro. Nem mesmo as pedaleiras ajustáveis resolveram o problema.

 

Como não poderia deixar de ser, uma naked de 158 cavalos merece freios à altura. Na dianteira, dois discos de 320 mm de diâmetro com pinças Brembo Monobloco de quatro pistões de fixação radial. Na traseira, mal se vê o disco de 210 mm. Ele é fixado no cubo da roda. O auxílio dos freios ABS vem a calhar. Com uma mordida arisca na frente e bastante sensibilidade no pedal de trás uma frenagem brusca demais poderia resultar em uma queda. Nesta versão RR há ainda o acerto “Race” para o ABS, indicado para o uso em pistas; e ainda a opção de se desligar o sistema.

 

Porém, aqui vai outra crítica. Apesar de equipada com bastante eletrônica – dois modos de pilotagem (Normal e Sport); controle de tração em oito níveis; e os freios ABS – a operação desses dispositivos é um tanto quanto complicada. A seleção dos modos de pilotagem, que alteram a resposta do acelerador, é feita no mesmo botão onde se dá a partida. Já o restante é acessado nos botões do painel. É preciso segurar um dos botões por tantos segundos até entrar em um menu, enfim...

 

Precisei solicitar o Manual do Proprietário e ler com atenção para, depois de muitas tentativas, conseguir ajustar a eletrônica. Até mesmo para zerar o hodômetro é preciso acessar o menu. Ponto negativo para a naked da MV Agusta, principalmente se compararmos ao sistema de outras marcas do mesmo segmento, como BMW e Ducati. Podem até dizer que sou exigente demais, mas é bom lembrar que se trata de uma moto premium que custa R$ 62.000.

 

Pilotar rápido

Depois de rodar algumas centenas de quilômetros na estrada e utilizar a Brutale 1090RR ABS até mesmo no dia-a-dia, cheguei a conclusão de que uma das características dessa naked é seu apetite por altas rotações.

 

O acelerador no modo Sport tem respostas bastante bruscas e parece funcionar como um interruptor de iluminação: liga-se ou desliga-se a cavalaria do motor. Já no modo Normal, as coisas melhoram um pouco, mas nem tanto. A Brutale gosta de sair com a roda da frente no chão e isso é ajudado pela relação de marchas bastante curta. De um semáforo a outro já era necessário engatar a quarta marcha ou os giros, e a velocidade, subiam a limites não muito adequados à pilotagem urbana.

 

Não faço aqui uma crítica. Trata-se mais de uma advertência. O motorzão potente e brusco pode ser bom para quem procura uma naked para se divertir e acelerar para valer. Mas um defeito, se o motociclista for mais comportado e quer apenas desfilar as belas linhas da sua MV Agusta Brutale. 

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