Coluna do Tite: armadilhas urbanas

Elas estão por aí e surgem do nada: são as armadilhas urbanas escondidas em cada esquina, não caia nelas!
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Geraldo Simões
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– Se você pensa que já viu de tudo em termos de situações imprevisíveis nem imagina o que é ver um motociclista desaparecer em um buraco! Sim, pode acontecer porque uma cidade do tamanho de São Paulo está constantemente em obras. Mesmo que sinalizadas, as ruas podem pegar o motociclista de surpresa porque no dia anterior estava tudo perfeito.

Sem falar naquelas armadilhas que aparecem como uma entidade! Um passageiro do taxi que abre a porta inesperadamente no meio a rua. O pedestre que atravessa a rua sem olhar para pegar um ônibus. A tampa do bueiro que sumiu, mas estava lá ainda uma hora atrás! As faixas escorregadias pintadas no asfalto, as lombadas, olhos de gato e tachões refletivos que desequilibram a moto são alguns dos exemplos das armadilhas mais comuns.

Mais um motivo para ficar 100% ligado com um olho na frente e outro no chão. A pior desculpa que um motociclista pode dar é: “não vi!”. Motociclista não pode “não ver” o que se passa sob seu nariz. Se foi pego de surpresa é porque relaxou na concentração.

Saiba que existe a mundialmente difundida regra dos quatro minutos: o momento de menor concentração de motoristas e motociclistas é quando está nos primeiros ou últimos quatro minutos da sua jornada. Geralmente é perto de casa ou do local de trabalho. Fique ligado nas armadilhas mais comuns:

Buracos
Eles surgem da noite para o dia. Ainda que faça o mesmo caminho todos os dias, nunca relaxe porque a maioria das concessionárias de serviços públicos trabalham à noite. A chuva também transforma aquela pequena irregularidade em uma cratera em questão de horas. Se perceber que vai passar no buraco alivie o freio e levante o traseiro do banco para suavizar a pancada na suspensão.

Faixas
A sinalização vertical nas ruas é feita por meio de faixas pintadas no asfalto. Essas faixas são feitas de material plástico com coeficiente de aderência menor do que o piso normal. Procure não frear em cima dessas faixas – inclusive de pedestres – nem mesmo quando estiver seco. Se estiver molhado nem passe por cima!

Lombadas & Cia
Uma das formas de reduzir a velocidade é colocar lombadas. Para os carros nem representa um transtorno tão grande, mas para motos, passar na lombada em velocidade pode tirar as rodas do chão. Se for pego de surpresa e perceber que a lombada está mais perto do que seus freios são capazes de parar, solte o freio e levante do banco para aliviar o trabalho da suspensão.

Já os olhos-de-gato colocados no asfalto foram projetados para carros e veículos pesados, mas para motos eles desequilibram e chegam mesmo a entortar a roda. Passe longe deles e não tente passar entre eles porque nem sempre a distância permite.

Veículos pesados
Se para os motoristas de carros já é difícil perceber a presença de uma moto, imagine para o motorista de um caminhão ou ônibus, que está lá em cima, vendo o mundo do alto. Tenha em mente que a moto é muito fácil de “desaparecer” perto deles e fique sempre posicionado de forma a ser visto. Para se certificar de que foi visto dê um toque de leve na buzina, sem infernizar, só um toque!

Ciclistas
Também aparecem do nada! Com o agravante de serem muito rápidos em algumas situações. Atualmente a bicicleta está em todas as ruas, inclusive avenidas movimentadas e rodam entre os carros, junto com as motos. Elas são mais frágeis, portanto é o motociclista que deve manter o ciclista em vista. Sempre dê a preferência ao colega de duas rodas!

Pontos cegos
Os carros têm as colunas que podem ser muito grossas em alguns casos. Por isso esteja sempre à vista. Para saber se o motorista percebeu sua presença fique de olho no espelho retrovisor externo do carro. Se for capaz de ver os olhos do motorista é sinal que ele te viu. Se vir uma orelha, fique esperto. Se na orelha tiver um celular fique longe!

Linha de pipa
Essa é a mais nova e mais perigosa armadilha urbana. É proibido por lei usar vidro moído cerol nas linhas de pipa, mesmo assim adultos e crianças desprezam essa lei. O perigo aumenta nos períodos de férias escolares. Além da antena anti-pipa existe um equipamento especial para usar em volta do pescoço. Na medida do possível fique atento aos céus, especialmente nos canteiros centrais de grandes avenidas e estradas próximas à capital.

Cruzamentos
É o ponto de grande vulnerabilidade para o motociclista. Sobretudo nos cruzamentos de mão dupla, quando os carros vêm das quatro direções. Evite fazer uma conversão à esquerda em um cruzamento deste. Se necessário complete a volta no quarteirão e passe de frente pelo cruzamento. À noite é pior ainda porque ao virar o guidão da moto o farol “desaparece” para quem vem no sentido contrário.

Ao se aproximar de um cruzamento, mesmo que não haja placa indicativa de PARE, reduza a velocidade e avalie a situação. Nunca passe pelo cruzamento sem verificar se alguém desprezou a via preferencial. Aliás, a regra para motociclista é bem simples: preferencial é sempre a rua dos outros!

Também evite parar no cruzamento entre o carro e a calçada. O motorista pode descobrir que precisa virar à direita naquele momento e adivinha quem está bem do lado?

A mais importante dica para motociclista é ficar ligado 100%. Nossos espaços de frenagem são pequenos, mas o tempo de reação pode ser grande se o motociclista estiver distraído. Um olho no chão e outro pra frente!

As opiniões expressas nesta matéria são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.
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Geraldo Tite Simões é jornalista, instrutor de pilotagem e ministra o Curso SpeedMaster de Pilotagem com apoio de Honda, Pirelli, Tutto e Shoei. www.speedmaster.com.br

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