Coluna do Tite: chove, chuva

Antes, durante e depois da tempestade – segunda parte
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Geraldo Simões
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– Na Pilotando na chuva Parte 1 falamos sobre as melhores roupas para se usar na hora de andar sob chuva, e também os cuidados na hora de pilotar a moto. Agora vamos nos aprofundar em situações que podem ser ainda piores quando há água tanto no céu quanto no chão. Veja a segunda parte da coluna do Tite!

Chuva noturna
Quando a chuva parece já estar aborrecendo o suficiente, a noite cai e o motociclista descobre que nada é tão ruim que não possa piorar. Para começar, a visibilidade diminui mais ainda e a velocidade de cruzeiro deve ser menor. Para quem estiver com moto equipada com pisca-alerta, uma advertência/ameaça: por mais escuro que esteja, JAMAIS, NUNCA trafegue com o pisca-alerta ligado. Além de ser ilegal, os motoristas que vêm atrás podem achar que a moto está parada e provocar uma mudança de direção desnecessária e perigosa, já que normalmente os veículos parados em estradas devem estar no acostamento.

Agora, se a chuva e a escuridão estiverem aborrecendo demais, pode ser que o motociclista passe por uma região serrana e encontre neblina, para trazer um pouco mais de aborrecimento viu como tudo pode piorar?. Neste caso, o motociclista deve resistir à tentação e utilizar somente o farol baixo, porque o farol alto espalha o facho luminoso e provoca um véu branco, diminuindo e atrapalhando a visão da estrada.

O melhor caminho a seguir é reduzir ainda mais a velocidade e procurar seguir as faixas limitadoras da estrada, se houver, sempre pelo lado direito da pista.

Existem motociclistas que depois de passarem por estas situações não podem nem ouvir falar em viajar com chuva, mas a cada nova experiência, que nem sempre é tão agradável, o motociclista passa a conhecer cada vez mais as suas possibilidades e limitações como piloto, além de conhecer ainda mais o seu veículo de duas rodas. São estas experiências que levam o motociclista a encarar uma viagem ou passeio de moto com mais segurança. A segurança de quem dificilmente será pego de surpresa por uma situação desconhecida.

A importância dos pneus
Uma das vantagens da moto como veículo sobre os automóveis são os pneus. Além de termos apenas dois pontos de contato, o formato do pneu é semelhante à uma lâmina, que corta a fina camada de água, dificultando muito a ocorrência de aquaplanagem. Além disso, quem se lembra das aulas de Física? Quanto menor a área, maior a pressão. Como a área de contato dos pneus com o solo é muito pequena, a pressão sobre o piso é maior, cortando a água. Mas isso depende basicamente da profundidade dos sulcos dos pneus! Os pneus dos carros sofrem mais facilmente a aquaplanagem porque são largos e retos e quanto maior a área, menor a pressão sobre o solo.

IMPORTANTE: existe um preconceito muito difundido sobre pneus na chuva. Muita gente esvazia um pouco os pneus para “melhorar a aderência”. Isso é uma tremenda bobagem, porque se os pneus estiverem murchos os sulcos se fecham e a drenagem de água é menor! Também não vá encher o pneu mais que o necessário. A calibragem original já prevê o uso no seco o no molhado. O pneu dianteiro é desenhado para CORTAR a camada de água e o traseiro para TRACIONAR. Por isso eles devem ser sempre do mesmo modelo e nunca usar pneus de modelos diferentes.

Da mesma forma que os pneus têm importância vital na estabilidade da moto com piso molhado, a moto também pode ser preparada para rodar na chuva com mais segurança. Normalmente, a motocicleta tende a afundar de frente nas frenagens e de traseira nas acelerações. Para evitar este afundamento, a suspensão reage às forças que empurram a moto para baixo, empurrando de volta a moto para cima. É isto que garante a estabilidade quando o piso está seco. Mas na chuva, a reação deve ser mais suave para a moto não derrapar. A solução é regular tanto a suspensão traseira quanto a dianteira e também o sistema antimergulhante, quando houver na posição mais mole, assim a moto fica mais estável.

Nas motos de corrida existem centenas de regulagens, que a deixam tão estável para dirigir na chuva, que o piloto praticamente pilota da mesma forma que no seco, mas com mais suavidade. Nas motos de passeio, essas regulagens são limitadas e, em alguns casos, difíceis de acessar, por isso nem sempre é possível interferir na moto.

Uma das grandes lições que a pista pode oferecer ao piloto de rua é a sensibilidade ao pilotar. Quando digo que a pilotagem não muda muito na chuva, não é para entrar numa curva de 180º, inclinando da mesma forma que faria se o piso estivesse seco. O que quero dizer é que a postura do piloto em cima da moto será a mesma e a distribuição de força na frenagem continuará igual. Porém, a sensibilidade é muito maior e os limites são muito menores.

Outra coisa que diminui o coeficiente de atrito drasticamente são as faixas pintadas no asfalto, que são feitas de material plástico e muito lisas. Quando o motociclista trafega no trânsito, num corredor de automóveis, está correndo um sério risco, porque na hora de frear pode fazê-lo justamente quando o pneu estiver em cima da faixa e a derrapagem é quase certa. Os motociclistas geralmente nem entendem porque derraparam. E procurar ficar longe das faixas brancas de pedestres. Na hora de frear usa a parte escura, só de asfalto.

Também dever ser evitado o trecho do asfalto muito perto das sarjetas. Quando chove, a água levanta o óleo da pista e como não se misturam, a água carrega o óleo para a sarjeta, porque as ruas são levemente inclinadas justamente para a água escorrer pelos cantos.

Finalizando, a conduta do motociclista na chuva deve ser a mais suave possível. Quando o motociclista é pego pela chuva, geralmente fica tenso, nervoso, e é justamente nestas condições que se assusta mais facilmente, e tem reações bruscas, rápidas. Aí é que acontecem os erros.

Para evitar esta tensão, o motociclista deve se conformar que vai chegar ao seu destino completamente molhado e pilotar com mais calma, mesmo porque não faz a menor diferença tomar cinco minutos de chuva a 100 km/h ou 10 minutos a 50 km/h.

As opiniões expressas nesta matéria são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.
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Geraldo Tite Simões é jornalista, instrutor de pilotagem e ministra o Curso SpeedMaster de Pilotagem com apoio de Honda, Pirelli, Tutto e Shoei. www.speedmaster.com.br

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