Diário do Paschoalin: o título escapa por um triz

Para nós, uma grande vitória, para o piloto, o amargo gosto de um segundo lugar

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Rafael Paschoalin
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Existe um truque muito velho nas competições conhecido como “esconder o leite”, pois bem, acho que me tornei alérgico a lactose!

Não foi fácil escrever esse texto. Terminei na segunda colocação uma corrida que tinha tudo para ser minha, ao menos era o que eu pensava. Meu principal concorrente aplicou um truque conhecido que consiste em não demonstrar todo o potencial durante os treinos, explico: geralmente com uso de câmera ou lap-timer, você acelera em um setor da pista e desacelera em outro. Na volta seguinte faz o mesmo invertendo os trechos e no final das contas só você saberá realmente qual foi o seu tempo de volta ou de trecho, no caso de Pikes Peak.

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Legenda: Rafael Paschoalin
Crédito: Rafael Paschoalin

Some a isso os meus tempos muito mais rápidos que os melhores do ano passado e o incentivo da equipe de que estávamos tranquilos com vantagem, estávamos todos nas nuvens, e sabíamos que íamos ganhar ou ficar muito perto da vitória.

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Crédito: Rafael Paschoalin

O domingo amanheceu agradável apesar da previsão de chuva para o período da tarde. A pista poderia estar mais quente mas um furacão que atravessava os EUA trouxe uma frente fria e a temperatura caiu mais de 10 Cº em Colorado Springs. Na montanha nevou durante a noite de sábado para domingo.

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Crédito: Rafael Paschoalin

Como no TT Isle of Man, a largada é dada com intervalos entre os competidores. O simpático bandeirinha deu sinal que eu poderia ir e eu apenas segui tudo aquilo que treinei no simulador e memorizei nos vídeos durante o dia anterior. Acho que durante as 156 curvas e 20 km de extensão eu cometi não mais que seis erros, alguns que me tomaram um pouco mais de tempo outros que somaram apenas décimos de segundo. Me diverti durante 10 minutos e 42 segundos. Sorrindo debaixo do capacete, apesar da boca seca (é difícil se manter hidratado aqui), recebi a bandeirada a 4300m de altitude e logo alguns pilotos vieram com o app dizendo que eu era o novo recordista da categoria e o primeiro colocado até o momento.

Confira a subida do Rafa:

Eu sabia que precisava esperar o local Codie Vahsholtz terminar sua subida para comemorar, e algo me dizia que ele estava subindo como um foguete. Dez minutos e trinta e quatro segundos foi o novo recorde absoluto da classe Middleweight, ficamos próximos e agora nos resta trabalhar mais duro para subir mais um degrau no pódio e quebrar mais uma vez esse recorde (sim, ganhar não é suficiente para mim agora, preciso do recorde para satisfazer minha ânsia). A contagem regressiva já começou, faltam 357 dias para Pikes Peak 2018 e penso o tempo todo em como me tornar ainda mais veloz com a minha Yamaha MT-07. Fiquem tranquilos que vocês acompanharão tudo por aqui.

Muito obrigado pela torcida e até a próxima!!

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Crédito: Rafael Paschoalin

Mensagem WM1

Esta foi a segunda participação do Rafa em Pikes Peak. No primeiro ano, em 2016, ele não completou a prova por conta de problemas no pneu.

Este ano, o tempo de subida dele foi de 10:42.793, incríveis 4 segundos a menos que o tempo do vencedor da categoria Middleweight no ano passado. Mesmo assim, Rafa não contava com os 10:34.967 cravados pelo americano Codie Vahsholtz e ficou com o segundo lugar na categoria.

Codie não é um rival qualquer, ele tem muita intimidade com aquela montanha e já foi campeão em Pikes por duas edições. Além de morar “no pé” de Pikes Peak, o piloto vem de uma família que acumla vitórias na competição. Seu avô já foi piloto e seu pai é o participante que mais venceu a subida de montanha – disputando na categoria de automóveis, este ano venceu pela 23ª vez!

Dos 80 participantes deste ano entre carros e motocicletas, Rafa fez o 22º melhor tempo com sua MT-07.  Nosso brasileiro é motivo de orgulho pela coragem e pelo ótimo resultado que conquistou naquela temida montanha. Parabéns, Rafa!

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