Abril de 2017: a primeira autorizada no Brasil
Em abril de 2017, já com a subsidiária brasileira operando, os irmãos Raul e Maurício Fernandes apostaram na força da marca e abriram, em São Paulo, a primeira concessionária autorizada Royal Enfield no País.Ainda era uma espécie de movimento "cult-following", com negócios voltados para um público que até já conhecia a marca e desejava suas motos, mas que era relativamente pequeno - bem de nicho.
Os primeiros modelos a chegar nesse "segundo tempo" foram a Classic 500 e a Bullet 500. Depois, veio a Continental GT 535. Eram modelos simples, com pouca tecnologia e desempenho apenas razoável, mas que começaram a satisfazer a cobiça dos "royaleiros" - até então órfãos.
Fato é que os irmãos, visionários e com grande know-how, pois já trabalhavam com outras marcas, acertaram. O resultado, desde então, impressiona: a marca se tornou muito mais conhecida, viu suas vendas no mercado brasileiro crescerem progressiva e expressivamente, ampliou significativamente a rede de concessionários e tornou-se, em 2025, a sexta maior vendedora de motos do país - este ano, está em sétimo, atrás da conterrânea Bajaj, mas por uma diferença bem pequena.
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A principal estratégia: atuar onde não havia opções
Pois é, a principal estratégia da Royal Enfield foi essa: jogar onde ninguém jogava. Um sinal, também, de sabedoria: no Brasil, não adianta investir onde as gigantes Honda e Yamaha estão, pois a concorrência será muito difícil.E assim, lá no começo, Bullet 500, Classic 500 e Continental GT atraíram os compradores de motos bem retrô, no caso das duas primeiras, e cafe racer, no caso da GT.
Depois, vieram outros modelos, mas sempre de olho em segmentos com poucas opções - ou nenhuma opção. E, além disso, atraindo também com preços relativamente acessíveis.
Caso da Himalayan 411, por exemplo, que foi lançada em 2018. Era uma trail rústica e com relação peso/potência inadequada, mas barata e satisfatória dentro de suas limitações. O modelo ainda ganhou uma variante scrambler, a Scram 411, em 2022. Tinha mudanças no visual e na frente (basicamente na roda dianteira), mas não durou muito - foi até 2024.
Variações sobre o mesmo tema
Nesse meio tempo, em 2019, a marca lançou as "irmãs quase gêmeas" Interceptor 650 e Continental GT 650. Dois modelos com visual distinto - uma naked com estilo tradicional e uma cafe racer -, que compartilhavam chassi, motor, rodas, freios e vários outros componentes.Foram apelidadas de "twins" por conta justamente do novo motor com dois cilindros em linha refrigerado a ar. As duas fizeram sucesso, tiveram boas vendas e estão em linha até hoje.
Porém, mais do que isso, deram início a uma nova família de modelos Royal Enfield no Brasil - todas com o mesmo motor bicilíndrico refrigerado a ar.
Chegava a era das "variações sobre o mesmo tema": motos com a mesma plataforma, mas com design e propostas de uso diferentes para atrair diferentes compradores.
O pulo do gato: o resgate do segmento custom
Mas o passo decisivo foi dado, mesmo, com lançamento da pequena custom Meteor 350, em 2021. O modelo não só ressuscitou um segmento que estava praticamente morto no mercado brasileiro de motocicletas - o das custom -, como também ocupou uma lacuna do mercado onde não havia nada.Resultado: bonita, eficiente e relativamente barata, bombou de vender. E, a reboque, vieram a Classic 350 e, depois a Hunter 350. Três motos com o mesmo conjunto de chassi e motor, numa mesma faixa de mercado e com preços próximos - mas uma para cada tipo de comprador.
Nestas "variações sobre o mesmo tema", a Meteor surgiu como autêntica custom, a Classic veio com um visual mais retrô - que remetia ao da Classic 500 - e a Hunter ficou como opção de naked moderninha com um pezinho no mundo vintage. As três fizeram sucesso, e curiosamente a Hunter se tornou a mais vendida delas - e a mais vendida da marca no país.
Em 2024 a Royal Enfield voltou a usar essa mesma estratégia. Lançou a Super Meteor 650, uma custom corpulenta feita sobre a mesma base de Interceptor 650 e Continental GT 650. Na sequência, vieram a Shotgun 650, uma custom com pegada bobber, e mais recentemente, neste ano de 2026, a Bear 650, uma interessante scrambler.
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Nesse meio tempo, em 2025, vale lembrar que a Royal Enfield usou a mesma estratégia para lançar no mercado brasileiro a Himalayan 450 e a Guerrilla 450. Dois modelos bem distintos - uma trail moderna, eficiente e bem equipada, e uma naked tradicional. Ambas com o mesmo conjunto de motor e chassi.
Classic 650 é a próxima da lista
A próxima da lista, que será lançada em breve, é a Classic 650. Sim, mais "variações sobre o mesmo tema", novamente na família de bicilíndricas. Aí teremos a Interceptor, uma naked com visual tradicional; a Continental GT 650, uma cafe racer; a Super Meteor, uma custom moderna; a Bear, uma scrambler; e a novata Classic, que será uma custom com visual bem clássico - como entrega o próprio nome.No fundo, todas estas são a mesma moto. Assim como Himalayan 450 e Guerrilla 450, e assim como Meteor, Classic e Hunter 350. Mas com as diferenças que cada estilo exige.
Desta forma, acabam atraindo compradores diferentes, mas que têm em comum o orçamento, o desejo de comprar uma moto de média cilindrada e a busca por uma moto com a qual realmente se identifiquem.
Pós-venda ainda é ponto de atenção
Os números jogam a favor da Royal Enfield, no Brasil: fechou o ano passado com mais de 31 mil motos vendidas no País, volume que representou um crescimento superior a 80% em relação ao ano anterior. Além disso, a marca expandiu significativamente sua rede de concessionários: hoje tem mais de 40 autorizadas, e deve chegar ao final deste com mais de 50.Apesar disso, a marca ainda sofre um bocado com críticas, predominantemente nas redes sociais (onde é preciso dar um certo "desconto"), sobre peças de reposição, nem sempre disponíveis e demasiadamente caras na maioria das vezes, e problemas em motos novas, que seriam decorrentes de falhas na montagem das motos nas linhas das duas unidades em Manaus (AM).
Peças em falta e/ou caras são problemas de todas as marcas, principalmente das que estão há menos tempo no País e/ou das que ainda dependem de importação - caso da Royal Enfield. Problemas nos processos de montagem, porém, precisam ser avaliados com rapidez. Do contrário, o principal marketing para uma marca - o famoso "boca a boca" - jogará contra.
De roda forma, a Royal Enfield já conquistou uma legião de fãs, resgatou aquele movimento de "comunidade de marca" que só vimos antes com os proprietários de Harley-Davidson - e, um pouco, de Triumph - e há muitos proprietários de motos Royal Enfield satisfeitíssimos. Como acontece com toda grande marca.
Confira abaixo os preços dos modelo Royal Enfield no Brasil:
- Hunter 350 Dapper White - R$ 19.990
- Hunter 350 Dapper Grey - R$ 19.990
- Hunter 350 Dapper Ash - R$ 19.990
- Classic 350 Medaillon Bronze - R$ 23.490
- Classic 350 Commando Sands - R$ 23.990
- Classic 350 Stealth Black - R$ 24.490
- Meteor 350 Fireball Black - R$ 24.990
- Meteor 350 Fireball Red -R$ 24.990
- Meteor 350 Fireball Matt Green - R$ 24.990
- Meteor 350 Stellar Black - R$ 25.490
- Meteor 350 Aurora Blue - R$ 25.990
- Interceptor 650 Cali Green - R$ 30.990
- Interceptor 650 Black Ray - R$ 31.990
- Interceptor 650 Barcelona Blue - R$ 31.990
- Continental GT 650 Slipstream - R$ 32.990
- Continental GT 650 Apex Grey - R$ 32.990
- Bear 650 Wild Honey - R$ 33.990
- Bear 650 Golden Shadow - R$ 34.490
- Bear 650 Two Four Nine - R$ 34.990
- Shotgun 650 Sheet Metal Grey - R$ 33.990
- Shotgun 650 Plasma Blue - R$ 34.490
- Shotgun 650 Green Drill - R$ 34.490
- Shotgun 650 Stencil White - R$ 34.990
- Super Meteor 650 Astral Black - R$ 34.990
- Super Meteor 650 Interstellar Grey - R$ 35.490
- Super Meteor 650 Interstellar Green - R$ 35.490
- Super Meteor 650 Celestial Red - R$ 36.990
- Super Meteor 650 Celestial Blue - R$ 36.990
- Guerrilla 450 Smoke SIlver - R$ 28.990
- Guerrilla 450 Peix Bronze - R$ 28.990
- Guerrilla 450 Yellow Ribbon - R$ 29.490
- Guerrilla 450 Brava Blue - R$ 29.490
- Himalayan 450 Slate Salt (pneus com câmara) - R$ 29.990
- Himalayan Slate Poppy Blue (pneus com câmara) - R$ 29.990
- Himalayan 450 Hanle Black (pneus com câmara) - R$ 30.990
- Himalayan 450 Hanle Black (pneus sem câmara) - R$ 31.990
- Himalayan 450 Kamet White (pneus sem câmara) - R$ 31.990
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