Apenas quatro meses depois de lançar no mercado brasileiro o scooter ADXTG 150, que tivemos a oportunidade de conhecer e pilotar, as parceiras Dafra e SYM apresentaram o irmão maior ADXTG 300 na semana passada.
A SYM diz que é um scooter particularmente versátil, feito para o mundo urbano, mas que permite pegar a estrada sem maiores problemas e até encarar um off-road leve. Fomos a Jundiaí (SP) para conhecer a novidade e contamos aqui como foi essa experiência.
O ADXTG 300 é fabricado pela taiwanesa SYM Sanyang e montado em Manaus (AM) e comercializado pela Dafra. Tem motor monocilíndrico com 278,3 cm³, quatro válvulas, injeção eletrônica e refrigeração líquida. Entrega 26 cv de potência a 8.000 rpm com 2,6 kgfm de torque a 6.000 rpm.
Outras especificações importantes são o câmbio CVT, as suspensões com 11 cm de curso nos tubos convencionais dianteiros e de 13,5 cm de curso no bichoque traseiro, os pneus de uso misto nas medidas 120/70 R15 na frente e 140/70 R14 atrás, os dois freios a disco com ABS e o controle de tração desligável.
Com 2,18 metros de comprimento, 1,51 metro de entre-eixos, 81 cm de largura e 1,32 metro de altura, o ADXTG 300 pesa 188 quilos, tem 15 cm de altura mínima do solo e banco a 79 cm do solo. Para completar, embaixo do banco o modelo leva 35 litros de bagagens e o tanque pega 16 litros de combustível, o que proporciona uma ótima autonomia - é o segundo maior entre os scooters vendidos no mercado brasileiro.
O design do scooter é muito bacana. Tem agressividade e imponência nas medidas certas, sem excessos ou invencionices desnecessárias. O farol duplo, os piscas embutidos e lanterna com seções bem destacadas são full-LED. O para-brisa recortado e fumê confere alguma sofisticação. Chave presencial e tomadinhas USB-A e USB-C são de série.
O painel é uma tela de TFT colorida de sete polegadas com fundo "night and day". Tem três modos de exibição, toas bem bonitas. Informa o necessário, mas não tem conectividade e nem funções afins. O nome cheio de letrinhas do scooter tem dois significados: "ADX" vem de "adventure cross country", que indicaria proposta de uso misto.
Já o "TG" vem de Tiger, "tigre" em inglês, para justificar as linhas agressivas. O ADXTG 300 chegará às concessionárias no dia 10 de agosto. O preço público sugerido é R$ 32.990, já com frete incluso. A garantia é de três anos.
Com todas essas características, chegou a hora de pilotar o modelo. Nosso test-drive teve cerca de 90 quilômetros, com predominância de estradinhas de terra, um trecho menor de asfalto, em estradão, e mais alguma pouca coisa em ambiente realmente urbano. E eu ainda tive direito a um "extra" - explicarei mais adiante.
Ou seja, a SYM quis mostrar que o modelo aguentar mesmo o rojão do off-road. Mas não foi bem assim. É fato que o ADXTG 300 encarou o trajeto de terra com eficiência superior à da maioria absoluta dos scooters vendidos no Brasil. Os pneu de uso misto e as suspensões com cursos relativamente longos foram determinantes para isso.
Mas não adianta tentar fugir do óbvio: salvo modelos customizados e/ou preparados especialmente para isso, scooters são veículos para rodar no asfalto. Isso ficou evidente, mais uma vez, no limitado conforto que senti durante o trajeto de terra.
Além disso, a posição de pilotagem típica de um scooter, com as pernas e pés para "dentro" do veículo, também não ajudam no off-road, onde a condução em pé - aqui, muito difícil - e a pressão em pedaleiras são fundamentais para se controlar bem a moto (ou o scooter).
Ou seja, o ADXTG 300 até vai - e melhor que seus rivais -, mas não é algo recomendável.
Quando saímos da terra e fomos pro asfalto, ali num trecho da Rodovia Anhanguera, tudo mudou. O ADXTG 300 entregou um desempenho realmente interessante, instigante até. Respondeu ao acelerador com rapidez, retomou velocidade com vigor, permaneceu grudado na pista mesmo a 120 km/h, fez curvas com segurança e ainda exibiu um poder de frenagem absolutamente surpreedente.
Nos pequenos trechos urbanos, o ADXTG 300 não sofreu. É fato que modelos menores, como o irmão caçula ADXTG 150, são mais ágeis e mais fáceis de conduzir nos corredores, por exemplo. Mas se ressentem de potência e torque, algo que aqui não falta.
Aliás, meu test-drive "extra" comprovou isso: na volta, rodei com o modelo de Jundiaí (SP) até São Paulo. O ADXTG 300 literalmente "voou baixo" na estrada larga e bem pavimentada, e depois encarou o trânsito paulista das 17h sem maiores problemas. Uma experimentação no mundo real!
Quanto ao nível de conforto, é claro que no asfalto o ADXTG 300 é muito mais cômodo do que na terra. O banco tem boas dimensões e anatomia, mas até poderia ser mais macio - bateu saudades do excelente e inigualável banco do Dafra Citycom 300.
Outro ponto de atenção é o guidão, um tanto baixo. Mas como não é reto, um simples "giro" para cima provavelmente já vai melhorar bastante a pegada, deixando-o mais alto. Por fim, o espaço para as pernas e pés - recolhidas ou avançadas na plataforma poderia ser um pouco maior: pessoas de estatura elevada ficarão com as pernas bem dobradas.
Em resumo, o ADXTG 300 é um scooter que permite pegar a estrada com segurança, e que pode até ser usado em viagens de curtas e médias distâncias. E que tem uma desenvoltura muito parecida com a de scooters menores na cidade - desta forma, é um modelo bem versátil e surge como uma das melhores novidades do ano no segmento.
Importante lembrar que a Dafra tem aumentado, ainda que lentamente, sua rede de concessionários - algo que era um problema, pois a rede era um tanto limitada se comparada às de outras marcas presentes no País.
Tanto que viu suas vendas aumentarem de 4.402 unidades em 2024 para 5.500 em 2025, e espera fechar este ano com quase o dobro - 9.500 unidades. Tendo em vista um crescimento gradativo, almeja chegar a 20 mil unidades em 2030, que está logo ali.
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