O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou nesta terça-feira (14/07) o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, criando a chamada gasolina E32.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a decisão foi tomada após estudos indicarem que a nova composição mantém desempenho semelhante ao das misturas anteriores, sem impactos significativos para o funcionamento dos veículos.
De acordo com o governo, a ampliação da mistura também deve reduzir a necessidade de importação de cerca de 900 milhões de litros de gasolina por ano, em um cenário de volatilidade dos preços internacionais do petróleo e dos combustíveis.
A expectativa do setor é que o aumento da participação do etanol impulsione a produção de biocombustíveis, tanto a partir da cana-de-açúcar quanto do milho.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) estima que a nova mistura represente uma demanda adicional de aproximadamente 1 bilhão de litros de etanol por ano e informou que estudos para uma futura mistura de 35% já estão em andamento.
Saiba mais:
O novo aumento do percentual de etanol anidro na composição da gasolina faz parte da Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2025. Essa lei estabeleceu um novo marco para ampliar o uso de biocombustíveis na matriz energética brasileira.
A legislação permite elevar a mistura obrigatória de etanol na gasolina para até 35%, desde que estudos técnicos comprovem a viabilidade da medida em critérios como desempenho dos veículos, consumo de combustível, emissões e durabilidade da frota.
Vale lembrar que o atual percentual de etanol na gasolina foi aplicado há menos de um ano, mais especificamente em agosto de 2025, quando a mistura passou de 27% para 30%.
Na época, conversamos com especialistas do setor para entender como a mudança afetaria a frota brasileira. Especialistas ouvidos pelo WM1 explicam que o etanol anidro utilizado na gasolina possui baixo teor de água e atua como um componente de alta octanagem, favorecendo a combustão sem comprometer o sistema de alimentação.
Em veículos flex, a mistura pode até trazer pequenos ganhos de eficiência em determinados motores, enquanto, para a maioria dos motoristas, a mudança tende a passar praticamente despercebida no uso diário.
Além disso, vale destacar que o etanol anidro utilizado na gasolina é diferente do etanol hidratado vendido nas bombas dos postos.
O etanol anidro passa por um processo de desidratação que reduz seu teor de água para menos de 1%, por isso é usado como componente da gasolina.
Já o etanol hidratado, que contém uma quantidade maior de água, é um combustível próprio para veículos flex ou movidos exclusivamente a etanol. Embora ambos sejam produzidos, em geral, a partir da cana-de-açúcar, eles têm características e aplicações distintas nos motores.
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