A Stellantis — dona de marcas como Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën — acaba de dar um passo inédito na América do Sul: vai vender peças de carro usadas e certificadas diretamente para o consumidor brasileiro.
A novidade chega com a inauguração do Centro de Desmontagem Veicular Circular AutoPeças, localizado em Osasco (SP), que tem capacidade para desmontar até oito mil veículos por ano.
A proposta é simples: reaproveitar componentes de veículos sinistrados ou em fim de vida útil, prometendo qualidade, rastreabilidade e preço mais acessível. A operação também busca reduzir o impacto ambiental, destinando corretamente 100% dos materiais retirados dos automóveis.

As peças que passarem nos testes de qualidade serão vendidas em dois canais principais:
Loja física: dentro do próprio centro, em um contêiner de vendas em Osasco (SP).
Online: na loja oficial Circular AutoPeças no Mercado Livre e, futuramente, em um e-commerce próprio.
Todas as vendas seguem os critérios do Detran, com etiqueta de rastreamento e garantia de procedência. Isso significa que o comprador terá informações completas sobre o veículo de origem e sobre quem realizou o desmonte, algo que praticamente não existe no comércio informal de peças usadas.
O centro recebe veículos adquiridos em leilões, classificados como perda total ou em fim de vida útil. Assim que chegam, passam por um setor de descontaminação, onde todos os fluídos — como óleo e combustível — são retirados.
Em seguida, o carro vai para a linha de desmontagem, onde técnicos inspecionam e testam cada componente. As peças aprovadas para reaproveitamento passam por limpeza com produtos biodegradáveis, recebem codificação própria e são registradas em um sistema que permite rastreabilidade total.
Além das peças, matérias-primas como aço, ferro, alumínio e cobre também são separadas e encaminhadas para parceiros da Stellantis, evitando o descarte inadequado.
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Hoje, o Brasil tem cerca de 48 milhões de veículos em circulação. Estima-se que, a cada ano, cerca de dois milhões cheguem ao fim da vida útil. No entanto, apenas 1,5% recebe destinação ambientalmente correta.
O potencial do mercado é grande: especialistas estimam que a reciclagem de automóveis no país poderia movimentar até R$ 2 bilhões por ano. Com a entrada de uma grande fabricante nesse setor, a expectativa é que a oferta de peças usadas confiáveis aumente e incentive práticas mais sustentáveis.
Segundo a Stellantis, o novo centro poderá evitar a emissão de cerca de 30 mil toneladas de CO² por ano apenas com o reaproveitamento de peças de carro usadas e materiais.
Além disso, o projeto recebeu investimento de R$ 13 milhões e deve gerar cerca de 150 empregos diretos nos próximos anos.
O comércio informal de peças usadas no Brasil é amplo, mas cheio de riscos — desde a compra de componentes sem procedência até a possibilidade de adquirir peças de veículos roubados.
Ao vender diretamente, a Stellantis oferece peças de segunda mão com preços mais baixos que os das novas. Mas as peças têm garantia de origem, qualidade testada e conformidade legal. Para donos de carros fora de garantia, essa pode ser uma alternativa segura e mais barata para manutenção.
O centro de desmontagem integra a estratégia global de Economia Circular da Stellantis, baseada nos 4R: Remanufatura, Reparo, Reuso e Reciclagem. No Brasil, a empresa já opera um Centro de Recondicionamento de Veículos em Betim (MG), onde restaura carros seminovos para revenda.
Com essa nova unidade, a montadora fortalece um ecossistema de sustentabilidade que pretende reduzir desperdícios, reutilizar matérias-primas e gerar novas oportunidades de negócios no mercado automotivo.