Antigos em Lindóia

Vendedor promete encontrar até o que não existe
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Roberto Nasser
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O melhor encontro nacional de peças, automobilia, serviços e os muitos periféricos deste rico universo, voltou a ter edição na estância termal de Águas de Lindóia, SP. Incontável número de fornecedores em pequenas tendas, grandes comerciantes em espaços cada vez maiores, apresentação de veículos, como o Lobini Special White, pequena série branca, e do Americar Jaguar XK 120 Coupé, premiado como Destaque.

De automóveis, muitos, num leque de qualidades e pretensões. Da ilha de Rolls-Royces, hots, streets, boas restaurações, outras nem tanto, caminhões enfeitados, a três exemplos especialmente atrativos: dois ingleses Allard, esportivos pós-guerra utilizando motores norte-americanos; um Fiat-NSU, série fugaz do carro italiano montado na Alemanha; e um Kaiser Carabella, montagem argentina IKA pela IKA, a Willys-Overland de lá. Raros, valeram a festa.

A vocação de Lindóia e seu encontro estadual é o congraçamento pela feira de peças, a maior do país, onde o olho treinado pode achar uma grade de Nash 1952, ou o vendedor prometer encontrar o que não existe, como um prometido Manual de Proprietário de Puma 1975.

Temperatura agradável, fria nas extremidades do dia, quente na metade; incapacidade da estância em absorver os visitantes em estacionamento; alimentação; policiamento; hospedagem; preços inflados em homenagem à grande festa que espraia os visitantes de outros estados pelas cidades vizinhas, o Encontro de Lindóia é uma referência, e o espírito do evento supera os percalços.

Critérios flexíveis, julgamentos próprios, quantidade industrial de prêmios, teve pelo menos uma escolha incontroversa, a de Melhor Nacional, distinguindo o Furia GT, belo exemplar de carro entre meia dúzia de unidades para corridas, construção pelo mago Toni Bianco. Pertence ao advogado brasiliense Ton Vilas Boas que reúne invejável coleção de nacionais em inquestionada exação.

O Encontro Paulista mudou a data para envolver o feriado de Corpus Christi e se há ponto a melhorar é a falta de envolvimento da administração da cidade, que não retribui bons serviços aos visitantes que lhe provém o fim de semana com faturamento recorde.

Para Registrar

Qualificado grupo tarefa de grande empresa europeia está no Brasil olhando instalações e números de concorrente igualmente poderosos. Objetivo: aquisição ou fusão para ser a maior. E mais não digo para não ser irresponsável.

O jeito argentino de ser

O desencontro das trocas comerciais entre Argentina e Brasil, e a casuística paralela, com dúvidas de conteúdo, cobranças de emolumentos internos, com o troco nacional de suspender a renovação automática das licenças de importação, tiveram efeito positivo na Argentina: o país exigiu equilíbrio entre os dólares das importações e das exportações.

O jogo duro deu certo, montadoras e importadores assinaram termos de equilíbrio cambial, implementando nacionalização, fomentando exportações de itens inteiramente diversos do segmento de transporte, como frutas, óleo de soja, vinhos... Na prática, os argentinos implementam a atividade industrial interna – ao contrário do Brasil.

Um quadro mostra o negócio assim:

Alfa Romeo assume um projeto de presença no mercado argentino Exportando US$ 11 milhões.

Chery quer zerar o déficit de US$ 38 milhões em 2010, fazer superávit de US$ 22 milhões em 2012, fazendo exportações e aumentando compras internas de autopeças argentinas e uruguaias.

Fiat investirá R$ 600 milhões para fazer um novo modelo – o Siena –, maquinário agrícola, duplicará exportações em 2012, gerará 3.400 empregos diretos e indiretos.

Ford aumentará exportações em 70%, fará novos modelos, montará os motores diesel para picapes Ranger, fará maiores compras domésticas.

GM reverterá déficit de US$ 500 milhões; investirá US$ 200 milhões e criará 600 novos empregos.

Honda substituirá importações de US$ 50 milhões por investimento de US$ 3 milhões, transferindo a produção de três modelos hoje brasileiros, elevará nacionalização a 75%, exportará moto peças para o Brasil e AL.

Kia: situação idêntica à brasileira, com marca representada e, no caso, zerar o déficit de US$ 35 milhões, fazendo superávit de US$ 2,3 milhões em 2012.

Hyundai: zerar o déficit de US$ 91M, fazer superávit de US$ 55M, Exportar farinha de soja, biodiesel, vinho e milho; aplicação de US$ 8M no Centro Nacional de Peças

Mercedes-Benz voltará a produzir caminhões, fomentará exportações, buscará superávit comercial de US$ 57 milhões em 2012.

Porsche importará em 2011 valor de US$ 8 milhões – 100 veículos – e compensará exportando vinhos e azeites.

PSA Peugeot e Citroën ampliarão em US$ 600 milhões em exportações de veículos para AL e peças para Brasil e França.

Volkswagen compensará o déficit de US$ 816 milhões com superávit de US$ 538 milhões com aumento e exportações do Amarok.

Roda-a-Roda

De volta – japonesa, a Mazda quer vender mais nos mercados em expansão e implanta fábrica no México para 140 mil unidades/ano, fornecendo à América Latina. Já esteve no Brasil e saiu sem agradecer ou dar adeus.

Produtos – Mandará o hatch Mazda2 – motor 1.5, 16v. 100 cv - e 3, sedã e hatch pequeno-médio, motor 2.0 L4 ou V6 2.5, 148 e 167 cv. Todos com transmissão automática de 5 velocidades.

Na prática – O Brasil deixa de ser produtor para ser juntador de peças importadas, e grande consumidor de veículos montados em outros países com o qual temos acordos de isenção alfandegária. Exportamos empregos. A falta de política setorial permite que hoje tenhamos marcas com intervenções industriais menores que do tempo anterior à implantação da indústria automobilística. Esta marcha a ré é suicida.

Exemplo – A Argentina, temendo o perigo, jogou duro e atraiu atividades industriais. No setor de motos, o de maior crescimento, exigiu 75% de nacionalização e estabeleceu regra que, a cada moto importada deve corresponder a produção de outra no país.

Expansão – Como plano Nissan Power 88 a empresa quer chegar a 8% das vendas e aumentar o lucro operacional para 8% até 2016. Na prática, um modelo novo a cada mês e meio, atingindo 66 veículos, cobrindo 92% de todos os mercados e segmentos. Aplicar-se-à aos carros elétricos e ao desenvolvimento dos mais baratos para mercados emergentes.

Aqui – Aqui, dos mais promissores do mundo, fará nova fábrica para 200 mil unidades/ano, revertendo a ideia de fazê-los no México e exportando-os. Esta é a melhor parte do plano.

Grande – A Toyota apresentou reformulação sobre o picape Hi Lux e o SW4 no Salão de Melbourne, Austrália. Chamou-a Big Major Change pela ampla grade, faróis, para-choques, para-lamas, painel traseiro e mudanças internas. Tudo para sobrevida ao modelo até a próxima geração em 2014.

Nem tanto – Aqui mudanças serão contidas e chegarão em outubro. Os produtos vendem bem, tem preços recordistas, dispensam investimentos.

Mais – Em janeiro, motor V6 flex, 2.7, 16 v, 158 cv, dito modelo FFV. Motor diesel pode ter aumento em potencia para ter o maior número da categoria, distanciando-se de Nissan Frontier e VW Amarok, com 163 cv.

Será? – A chinesa MG Motors apresentou seu projeto para o Brasil. Amplo, veículos de preço próximo aos R$ 100 mil, anuncia vender 1,2 mil veículos em meio ano. Afirmativa temerária. Conhecida, referenciada, em 2009 em meio ano a Audi vendeu 1.100.

Novidade – A Ford apresentará mudanças no Ford Ka. Segue a assinatura estética familiar, lembra o Focus, e é o último trato antes da mudança do modelo.

Nacional – Gaúcha, a FuelTech venceu concorrência e fornecerá injeções eletrônicas para a Copa Montana. Um dos diferenciais é a capacidade de liberar potência extra para ultrapassagens e fornecimento imediato de dados à fornecedora de motores e à equipe.

Hermanos – 537.511 visitantes ao Salón del Automóvil em Buenos Aires exibe o superior interesse no tema. Tantos, que o governo pedia não ir de automóvel ou levar carrinhos de bebê. Aqui o pico das visitas pouco supera os 700 mil, proporcionalmente bem menor, comparadas populações, produção automobilística, frotas.

De volta – A Troller fez imagem disputando o Rallye Paris-Dakar. Foi a primeira empresa brasileira a desafiar a aventura de expressão mundial. Agora, comprada pela Ford, volta às competições no Rally dos Sertões – Goiânia, GO – Fortaleza, CE, 9 a 19 de agosto. Disputará com dois Troller na categoria Production T2, apoiando a equipe da Território Motorsport.

Concorso – Uma das atrações do grande fim de semana, chamado genericamente Pebble Beach, é o Concorso Italiano, mostra de automóveis, moda, design, gastronomia da Itália, 20 de agosto. Patrocínio óbvio da Fiat, sempre marcando espaço no mercado norte-americano, e agora da Maserati, apresentando o Gran Turismo Convertible Sport. Sua cor externa dá pretensões. É o Rosso Trionfale...

Mais - 4.7L V8, 444 hp at 7,000 rpm, com novidades em redução de atrito em comando e tuchos, e um equipamento do Alfa 8C – a possibilidade de, através de um botão no painel, tirar a mordaça do escapamento, transformando miado em rugido.

Pebble – No programa da praia do cascalho, Monterey, California, o mais atrativo e diversificado do mundo antigomobilístico, rara barata: Mustang Shelby 500 de 1967, um dos 10 com ar condicionado de fábrica. Motor forte, o 428 Police Interceptor. Sem reserva. Ou seja, maior lance leva. Leilão da Russo & Steele, 18 a 20 de agosto, Downtown Marriott.

Ecologia – Um dos pioneiros em amenizar danos ambientais das competições, o piloto de rallies Klever Kolberg, sugeriu à organização estudo sobre o rastro de carbono, os danos ambientais das emissões dos motores, para compensá-las. Sua equipe, a Valtra Dakar Eco Team, utilizará água desmineralizada e pneus recapados Vipal.

Gente – Alan Mulally, presidente da Ford Motor Company, eleito Executivo de 2011. Escolha da revista americana “Executive”, aos 147 mil leitores da publicação. Mulally é estranho à indústria do automóvel, mas previu a crise norte-americana e convenceu os acionistas a se preparar. A Ford foi a única sobrevivente e sem socorro governamental. A GM se apequenou e a Chrysler agora é Fiat. Morasse na Bahia dele diriam ser “o cão chupando manga verde”. Eric Boccia, 34, jornalista, promovido. Novo chefe de imprensa da Toyota. Jackson Schneider, 44, advogado, vice-presidente da Mercedes, voo alto. Desde dia 1º é diretor da Embraer.





As opiniões expressas nesta coluna são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.

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Roberto Nasser edita@rnasser.com.br , residente em Brasília, é advogado, especializado em indústria automobilística. Dentre suas ações de utilidade social se destacam a defesa para a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança e as propostas da criação da categoria do veículo de coleção, da dispensa de equipamentos modernos pelos carros antigos, da mudança de óptica sobre os colecionadores, da permissão de importação de veículos antigos, além da criação do Museu do Automóvel, na Capital Fcaptional, do qual é curador. Escreve sobre automóveis semanal e ininterruptamente há 41 anos e trata este ofício como diversão e lazer. Sua coluna “De Carro por Aí” é publicada em 15 mídias.

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