Árduo caminho a percorrer

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Fernando Calmon
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- Crises financeiras longas acabam por amadurecer os grupos automobilísticos internacionais. Foi assim com a Fiat, a que mais sofreu conseqüências de um processo de acirramento da concorrência na União Européia UE. Atualmente, os 25 países do bloco econômico transformaram-se num imenso mercado, superior a 17 milhões de veículos, totalmente aberto a qualquer fabricante. Nem sempre foi assim. Durante os anos 1990, marcas orientais tinham que escolher entre produzir dentro dos altos custos da UE ou se submeter a cotas de importação anuais variáveis de país a país.

A Alemanha não impôs cotas, mas a Itália se protegeu em demasia da concorrência japonesa e — mais grave — deixou de se preparar, de fato, para os tempos de mercado livre. Essa acomodação, ao lado de problemas gerenciais e pouco investimento em produtos, levaram a centenária Fiat a uma convulsão sem paralelo em sua história. Tentou uma associação ao longo de cinco anos com a GM, sem o sucesso esperado, embora tenha se beneficiado de uma boa indenização financeira no ano passado e do desenvolvimento em conjunto de dois novos modelos, na baixa e na alta faixas de mercado. A marca italiana mostrou a um grupo de jornalistas brasileiros, na semana passada, em Turim, que os tempos difíceis deram lugar a um processo de recuperação saudável.

O Grupo Fiat, incluindo cinco marcas, encolheu muito de tamanho — frente aos seis tradicionais concorrentes europeus —, porém se abriu a parcerias. Com a Suzuki já divide a arquitetura de um pequeno utilitário esporte, o Sedici, e com a Ford está desenvolvendo um subcompacto. O novo e o antigo Punto, somados, lideraram o mercado europeu neste primeiro trimestre. Porém, ambos precisam enfrentar a prova de fogo contra o recém-lançado Peugeot 207 e o novo Corsa, que compartilha a mesma arquitetura do compacto italiano, no segundo semestre.

Durante algumas voltas no campo de provas de Balocco, o Grande Punto impressionou pelas qualidades dinâmicas, o desenho limpo de Giugiaro, além do espaço interno e bom acabamento. A Fiat avisou logo que nenhum dos quatros modelos em breve avaliação — Croma, Sedici e Panda completavam a lista — estariam disponíveis no mercado brasileiro. Pode ser. Afinal, os jornalistas só puderam rodar no Grande Punto de duas portas. Aqui, apenas a versão de quatro portas será produzida no final do próximo ano, sobre a mesma base do Idea nacional, apesar dos desmentidos.

Luca De Meo, 39 anos, cuida da marca Fiat 90% da produção do grupo no mundo, sem se ater a dogmas do passado. Nem titubeou em encomendar serviços fora da Itália para apressar a substituição do Stilo, prevista para 2007. Enquanto o Punto se inspira na frente do cupê esporte Maserati, o Croma é um médio-grande com traços de sedã e station, numa simbiose nunca antes tentada, para se distanciar do Vectra alemão com o qual reparte a arquitetura. Para De Meo, um produto de baixo custo, como o Logan do Grupo Renault, é desnecessário para quem dispõe de um Panda, mais atual e quase pelo mesmo preço. Desconsiderou, porém, que o Logan possui dimensões maiores.

Na casa matriz da Fiat há ainda um árduo caminho a percorrer, mas rumo e ritmo parecem corretos.

RODA VIVA

PALIO enfrentará o mesmo processo de simplificação no acabamento que atingiu o Gol, na chamada Geração IV. Enquanto a Volkswagen desejava abrir espaço para o Fox, o Palio III tem que abrir alas ao Grande Punto. Previsto para meados do segundo semestre, a Fiat desta forma não deixará passar em branco os seus 30 anos de Brasil sem pelo menos um lançamento de peso.

CONVERSÍVEIS com teto de aço vêm conquistando aceitação crescente no mundo. Assim é o VW Eos, a ser exibido no Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro próximo, para importação no início de 2007. Há mercado limitado para tal produto no Brasil, mas o Eos se destaca pelo teto solar de série, além de um conjunto mecânico equilibrado e carroceria tão sólida que surpreende qualquer um que o dirige.

CARROS equipados com câmbio automático tradicional apresentam-se naturalmente um pouco mais lentos nas acelerações. Mas, com o novo Porsche 911 Turbo, de 480 cv, isso não acontece. São impressionantes as reações do carro em ritmo de condução veloz. Até os mais empcaptionnidos fãs do velho e bom câmbio manual terão de reconhecer que, pelo desempenho puro, o automático é mais rápido, confirmando dados da fábrica.

LEITORES perguntam se vale a pena misturar alguns litros de álcool à gasolina para compensar a retirada dos 5% de álcool anidro desde o ano passado. Só é necessário se ocorrer tendência a detonação batida de pinos, em alguns motores de taxa de compressão elevada. De qualquer forma, o álcool já recuperou sua competitividade onde circulam cerca de 70% dos carros com motores flex.

DESLIGAR o motor em grandes congestionamentos pode ser bom para poupar combustível e diminuir a poluição. Deve-se avaliar bem a situação nos veículos equipados com airbag. Sem a ignição ligada, o dispositivo pode não funcionar em caso de colisão.
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Fernando Calmon fernandocalmon@usa.neté jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, na WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site americano The Car Connection.

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