Consumo: chegou a hora de ousar

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Fernando Calmon
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- Finalmente, em meados de 2007, automóveis e comerciais leves fabricados no Brasil e lançados como ano-modelo 2008 passarão a ser classificados oficialmente por seu nível de consumo de combustível, inclusive os flexíveis álcool-gasolina. Este é o passo final de um longo processo iniciado em 1982 e interrompido em 1990. Na época se lançou o Peco — Programa de Economia de Combustível —, o primeiro deste gênero no País, tendo alcançado os objetivos propostos entre 1983 e l985. Os consumidores puderam acompanhar os progressos por meio de três guias anuais, tipo cartilha.

Em 1991, se criou o Programa Nacional da Racionalização do Uso dos Derivados do Petróleo e do Gás Natural Conpet, iniciativa do Ministério de Minas e Energia, mas bancado pela Petrobrás. Quinze anos se passaram até que Anfavea associação dos fabricantes e Inmetro Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, órgão responsável desde os anos 1980, chegassem a um acordo a fim de garantir informações confiáveis e transparentes. Já não era sem tempo porque marcas como Honda, Toyota, Nissan, Mitsubishi, Peugeot e Citroën simplesmente deixaram de informar o consumo de seus veículos. A desculpa: enfrentam dificuldades em comprovar, perante os Procons, os números obtidos em laboratórios.

O sistema funcionará por etiquetas coladas nos pára-brisas nos salões das concessionárias. Guardará semelhança com o já existente para eletrodomésticos, em escala de “A” — melhor — a “E” — pior. Os veículos serão divididos em sete categorias: subcompactos, compactos, médios, grandes, esportivos, pickups e utilitários. Segundo Alexandre Novgorodcev, do Inmetro, “houve dificuldade em eleger a classificação adequada. Poderia ser por peso, cilindrada, superfície projetada no solo”. Tudo indica, porém, que os próprios fabricantes enquadrarão, por consenso, os diversos modelos em cada categoria. Ele garantiu que para cada veículo haverá ainda indicação do consumo autonomia em quilômetros por litro, segundo normas da ABNT. Todo o programa se implantará em base voluntária. Novgorodcev acredita que nenhum fabricante vai querer estar fora do Conpet.

No exterior seria inconcebível uma fábrica deixar de informar o consumo de um carro. Os EUA, depois de 20 anos, acabam de estabelecer novos parâmetros que entram em vigor também no ano-modelo 2008. Vários modelos aparecerão com números piores e isto influencia nas vendas. Na Europa há uma diretriz bastante severa também voluntária, por enquanto quanto às emissões de CO2. Estas representam relação direta com o gasto de combustível. O governo japonês implantou a exigência mais rígida do mundo: até 2015 todos os automóveis terão de consumir menos 20%.

Aqui, só agora todos os proprietários poderão ter uma referência técnica e comparável com modelos da mesma categoria. Claro, números obtidos em laboratório garantem a repetibilidade, sem que correspondam exatamente ao obtido na vida real em função de muitas variáveis. Chegou, no entanto, a hora de ousar. É necessário um programa de metas de redução de consumo com prazos e objetivos negociados e racionais. Tomara que tal decisão não tarde outros 15 anos.

RODA VIVA

FONTES mexicanas listaram novos modelos que poderão ser exportados para cá, sem imposto, em 2007: Honda CR-V final do ano e VW Jetta station meados do ano. Perua nostálgica Chevrolet HHR já se considera como certa. Pickups Ford F150 e Toyota Tacoma talvez para nichos de mercado. E até Mercury Milan poderia se transformar em versão topo de linha do Fusion, mas sob marca Ford.

PRESIDENTE da Fiat, Cledorvino Belini, descarta dificuldade em atender demanda geral e forte do mercado interno no próximo ano. Se o terceiro turno não for suficiente, a partir de fevereiro, poderá lançar mão de trabalho aos sábados. “Em teoria há 48 livres no ano, mas até 24 sábados consigo negociar com os operários sem problemas.”

EMBARAÇO terá Marcos de Oliveira, novo presidente da Ford Brasil. Em Camaçari BA, de onde saem Fiesta e EcoSport, já opera em três turnos e todos os sábados possíveis. “Se a demanda crescer mais, talvez percamos vendas”, admite. O jeito é antecipar produção do novo compacto, em S. Bernardo SP, aliviando a fábrica baiana. Carro chega mesmo em 2007, mas o discurso continua: só em 2008.

PEUGEOT 307 sedã automático é um carro mecanicamente bastante honesto: motor 2-litros potente, câmbio com funções inteligentes e suspensões eficientes. Acabamento e materiais alinham-se aos melhores concorrentes. Espaço interno e porta-malas, idem. Difícil foi encontrar alguém que faça elogio sincero ao desenho da parte traseira. Faltam, de fato, harmonia e estilo próprio.

NESTE ano em que a Abraciclo associação dos fabricantes completa três décadas, mais um recorde passa despercebido. Em 2006, pela primeira vez, a indústria de motocicletas produzirá mais de 50% do volume da indústria automobilística: 1,43 milhão contra 2,65 milhões. Feito e tanto para um setor que já representou meros 10%.

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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.bré jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Sua coluna Alta Roda, no WebMotors e na Gazeta Mercantil, está também em uma rede nacional de 26 jornais e 6 revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do sites Just Auto Inglaterra e The Car Connection EUA.

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