Economia com silêncio

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Fernando Calmon
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- O mundo está em meio a um grande debate sobre a limitação de emissões de gás carbônico CO2, um dos que colaboram para o efeito estufa e trariam mudanças no clima do planeta. Os transportes são responsáveis por apenas 14% do CO2 emitido — 10%, considerando apenas veículos sobre pneus. Embora contribua muito pouco para o possível problema, a forma mais direta de limitar o CO2 é diminuir o consumo de combustíveis. E isso todo motorista almeja, em qualquer parte do mundo.

Uma forma de economia, em meio ao trânsito pesado, é desligar e ligar o motor. Isso sempre foi incômodo. Além de sobrecarregar a bateria e o próprio motor de arranque, os carburadores dificultavam. Graças à confiabilidade das atuais injeções eletrônicas, a Bosch desenvolveu um sistema liga-e-desliga que monitora a carga da bateria e usa um motor de arranque reforçado.

Apenas um fabricante se interessou. A Volkswagen alemã usou-o no subcompacto Lupo, na versão supereconômica, capaz de atingir 33 km/l de diesel. O modelo saiu de linha, mas agora, na busca do menor consumo de combustível, o BMW Série 1 acaba de ser lançado com o mesmo dispositivo.

A evolução desse sistema é o alternador reversível da Valeo. Também conhecido como alternoarranque, elimina o motor tradicional com o seu peso e o típico ruído de partida. Instalado no mesmo local do alternador convencional e ligado ao virabrequim por uma correia, permite fazer o motor funcionar de modo muito mais rápido — 400 milessegundos ms contra 800 ms — e totalmente silencioso.

Entre vários outros benefícios, o alternoarranque acaba com a limitação de potência elétrica dos alternadores atuais. Com toda a demanda por acessórios dos carros modernos, está cada vez mais difícil o alternador dar conta do recado. Esse novo equipamento permite entregar 5 cv de potência extra, que pode se gerenciar em função de cada modelo.

A principal vantagem é a economia de combustível de até 10% no uso urbano. Por enquanto, apenas a Citroën se interessou. Nos modelos C3 e C2 é possível adquirir essa versão, chamada de Stop&Start, em conjunto com uma caixa de câmbio manual automatizada.

Em viagem recente a Paris, depois de avaliação exclusiva por horas no trânsito, qualquer um se convence de que se trata de uma boa solução. Funciona com perfeição: abaixo de 6 km/h, o motor desliga e permanece assim enquanto o motorista mantiver o pé no freio. Ao levantar o pé, o motor parte instantaneamente sem nenhuma vibração ou ruído. Se a alavanca for colocada em ponto morto, basta tocar no acelerador para despertar o motor. Dá para imaginar como as cidades ficariam mais silenciosas, se milhares de carros usassem esse recurso.

Um botão pode desligar o sistema, se necessário. Em manobras de ré, para não confundir o motorista, deixa de funcionar, bem como na fase fria do motor, com baixa carga na bateria e temperaturas acima de 30° Celsius ou abaixo de 10° porque o ar-condicionado deixa de atuar. Seria uma limitação em países de clima quente como o nosso, embora exista solução por um preço maior.

O grupo Peugeot-Citroën acredita que até 2011 o alternoarranque equipará um milhão de veículos das duas marcas.

RODA VIVA

DECISÃO tomada: Nissan vai mesmo fabricar no Brasil um modelo na faixa de preço de alto volume de vendas, dentro de dois anos. Carlos Ghosn, presidente mundial da Renault e da Nissan, se “esqueceu” de especificar que tipo de compacto seria. Deve ficar acima do nível de entrada por questões de rentabilidade. Aqui é o único lugar do mundo onde a marca japonesa perde dinheiro.

PARA Ghosn, produzir o carro mais barato do mundo em outros países emergentes, não pode se descartar. Parceira indiana da Renault, a Bajaj desenvolve o automóvel de menos de R$ 6.000. Com impostos brasileiros e modificações para se enquadrar no nível tributário e de exigências técnicas, a coluna estima algo entre R$ 15 mil e R$ 18 mil. Alargaria muito a base do mercado.

MERIVA com câmbio manual automatizado vai atrair compradores pelo conforto no uso em cidades. Mas, também, por outro motivo: R$ 2.000, metade do preço de um automático convencional. Ainda há algum atraso na passagem de marchas, se o motorista procura desempenho. Dirigindo de forma tranqüila, trocas são suaves. Ideal seria não precisar manter o pé no freio para manter o carro imobilizado.

QUASE metade dos motoristas que bebem além da conta já se acidentou no trânsito. E mais grave: 84% não transferem a direção do veículo a um amigo sóbrio. Resultado de pesquisa da Universidade Fcaptional de S. Paulo em cinco cidades brasileiras, de 2005 a 2007, com cerca de 5.000 motoristas. Problema bem maior do que parece.

ONG Objeto Brasil aceita inscrições até 7 de março de 2008 para projetos na área de transportes interior e exterior, do carro ao avião. Premiados estarão automaticamente inscritos no Prêmio Idea, realizado há 30 anos nos EUA pela Sociedade de Desenhistas Industriais da América. Ótima oportunidade para a criatividade brasileira.

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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.br é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no WebMotors, na Gazeta Mercantil e também em uma rede nacional de 44 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site Just Auto Inglaterra.

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