Fortes emoções no segmento

Processo de consolidação automotiva ainda reserva turbulências pela frente
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Fernando Calmon
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- O desenho final da indústria automobilística no mundo começou a tomar contornos, embora ainda não bem claros. A entrada no regime de recuperação judicial da GM – a exemplo da Chrysler e marcas secundárias como Saab e Ssangyong – inicia a fase decisiva de consolidação internacional. Nos EUA desaparecem Pontiac, Hummer e Saturn, permanecendo no Grupo GM Chevrolet, Cadillac, Buick e GMC este um Chevrolet só com emblema diferente. Na Europa os americanos mantiveram 35% da Opel mais 10% com os funcionários, enquanto a Magna 20%, um banco russo e a GAZ juntos 35% completam a nova estrutura.

Embora alguns analistas considerem a GM ferida de morte, isso não deve ocorrer. A empresa – número um do mundo por cerca de 80 anos – vai emergir em dois meses da recuperação menor do que antes, mas com nova estrutura de capital e US$ 17 bilhões em dívidas dos atuais US$ 60 bilhões. Afinal, tem um sócio poderoso: 60% das ações estão com o Tesouro dos EUA. No entanto, trata-se de situação transitória e, no futuro, as ações voltarão ao mercado.

Lá mesmo, nos EUA, deve-se travar a grande batalha da sobrevivência, resvalando para outros países que possuem marcas próprias e indústria de peso. A Ford pode se fortalecer, mas seu endividamento também é pesado US$ 23 bilhões com a vantagem de ter evitado apelar ao governo. A Chrysler acaba de sair do regime de recuperação e inicia o acordo com a Fiat cujas maiores dificuldades são os investimentos necessários, a diferença cultural e o tempo de maturação. Marcas japonesas e coreanas, muito fortes, talvez ocupem quase todo o espaço entre os modelos econômicos.

O grupo italiano saiu chamuscado da concorrência pelo controle da Opel. Não conseguiu se associar a nenhum conglomerado europeu e depende agora de forma crucial do “paciente” americano. PSA Peugeot Citroën e BMW continuam as conversas sobre o futuro. Porsche e Volkswagen juntas resolverão suas diferenças “familiares” em breve e disputarão com a Toyota a hegemonia mundial nos próximos anos. A lucratividade da Toyota depende em parte da recuperação da economia dos EUA. Terão ainda de enfrentar a musculação refeita das marcas de Detroit e a volta de uma fábrica VW em território americano em 2011.

No Brasil, Jaime Ardila, presidente da GM, assegura que os laços técnicos com a Opel continuarão no futuro. “Temos ampla capacidade de projetos próprios e também ligações com a GM-Daewoo, na Coreia do Sul”, afirma. Na realidade ele admitiu que pelo menos um dos próximos lançamentos manterá a arquitetura da marca alemã. Não disse qual modelo – provavelmente o sucessor do Zafira. Confirmou que depois do hatch do Projeto Viva novo Corsa, produzido na Argentina, haverá outras derivações para as fábricas brasileiras. O mercado espera a substituta da picape Montana e o utilitário esporte compacto mirando o EcoSport.

Certamente nenhum continente escapará da consolidação por vir. A China com mais de uma dezena de marcas locais independentes e o próprio Japão oito grupos com nove marcas estão no mesmo processo mundial que começou e ninguém sabe como terminará. As turbulências continuam e os sobreviventes terão passado por fortes emoções para dizer o mínimo.

RODA VIVA

MAGNA surgiu de várias fusões. Começou em 1864 como serraria e fábrica de armas, originando a Steyer-Daimler-Puch. A trajetória até a aquisição da Opel passou pela produção na Áustria de modelos específicos de Mercedes-Benz, BMW, Chrysler, Jeep, Saab, Aston Martin e Porsche a partir de 2012. Tal experiência prévia a credenciou a voos mais altos.
LINHA VW 2010 demonstra como a concorrência atual se reflete em novo conteúdo e, às vezes, preços menores. Todos os modelos estreiam o útil indicador de revisões que pode ser reprogramado para troca de óleo. Aposta ainda no teto solar por R$ 1.400,00 a menos. Voyage recebeu acessórios que já deveriam ser série, mas o preço subiu um pouco.
SEM as exageradas dimensões do Q7, a Audi começa a vender um utilitário esporte com certa racionalidade e avanços na aerodinâmica Cx 0,33. Q5 tem o impressionante motor TFSI, de 2 litros e 214 cv entre 4.300 e 6.000 rpm faixa plana só se obtinha na curva de torque, além do V-6/269 cv. Banco traseiro deslizante, acabamento e equipamentos de primeira linha. Dirigibilidade quase equivale a de um automóvel.
CONVERGÊNCIA chega aos navegadores GPS. Alguns incluem conexão sem fio Bluetooth e permitem comunicação em viva-voz com o celular. Mio resolveu, assim, acoplar telefone ao navegador. Outro modelo capta imagens de TV digital. A empresa taiwanesa ainda estuda importar essas novidades. Só falta reunir as três funções em um único aparelho.
FUNÇÕES combinadas também surgem no novo alarme Padlock, da Olimpus. Agora, o sinal de bloqueio tanto pode ser enviado por botão convencional, como pelo simples afastamento do veículo, no chamado modo presencial. Antes só era possível ter uma ou outra possibilidade.
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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.br é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no WebMotors, na Gazeta Mercantil e também em uma rede nacional de 63 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site just-auto Inglaterra.

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