Joel Leite em entrevista: Com a palavra, o poderoso Carlos Ghosn

O tempo de Carlos Ghosn, o brasileiro todo poderoso do grupo Renault Nissan, vale ouro
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O tempo de Carlos Ghosn, o brasileiro todo poderoso do grupo Renault Nissan, vale ouro. As raras entrevistas são cronometradas, as suas viagens pelo mundo são feitas numa aeronave particular, para economizar tempo.

O avião tem sala de estar, internet, copa e cozinha e cabine com chuveiro. Ele passa boa parte do tempo viajando entre França e Japão as sedes das duas empresas, e mais todos os países onde o grupo tem algum interesse, quase sempre recebido em audiência com chefes de estado e de governo, como aconteceu na semana passada com a presidenta Dilma Rouseff, quando anunciou os investimentos do grupo no Brasil.

Quarta-feira 6, em Curitiba, Carlos Ghosn detalhou o investimento da Renault no Paraná e ontem 6, no Rio, fez o anúncio oficial da construção da fábrica da Nissan em Resende.

Tratando-se de quem é, foi um privilégio ter sido recebido para um almoço após o lançamento do Duster, na terça-feira 4 em Foz do Iguaçu.

Ele falou dos planos das duas marcas no Brasil e no mundo para o próximo período, da expectativa de ampliação das vendas e deu total apoio às novas medidas de aumento de IPI.

A Renault quer conquistar 8% do mercado até 2013, para isso não é preciso ter um carro de ponta no segmento de entrada?

"Traçamos esse objeto, de 8% em dois anos, sem considerar um novo carro de entrada. Isso não quer dizer que não temos planos nesse segmento, mas não é uma ação fundamental nesse momento. Temos o Clio, um projeto já pago, que vende 25 mil unidades por ano e dá lucro.Velho porque? Quantos anos tem o Uno? 40? E é o carro mais vendidos da Fiat. Em termos de longevidade somos amadores."

A Nissan acabou de lançar o March, um caro de entrada. Não é conflitante? As duas marcas não vão competir entre si?

"As pesquisas mostram que o consumidor Renault é diferente do consumidor Nissan. Ao considerar comprar um Renault, a pessoa leva em conta também a GM, a Citroën, a Peugeot e a Ford. Já o consumidor da Nissan considera a Hyundai, a Kia, a Honda e a Toyota. É curioso, são perfis totalmente diferentes."

O Duster de entrada custa no Brasil R$ 50,9 mil. O carro é exportado para a Argentina e lá custa R$ 40 mil. Como se explica isso?

"Culpa do imposto no Brasil. Aqui, a cada R$ 100 mil, paga-se R$ 48 mil de imposto. Na Argentina, a cada 100 mil, paga-se R$ 28 mil. Se o produto não dá lucro como a empresa vai investir? O lucro é normal numa empresa. Tem gente que acha que é errado ter lucro. Não somos bandidos, somos empresários. Agora, é verdade que uma empresa precisa investir: não é possível ter lucro e não investir. Mas é verdade: hoje o lucro no Brasil é maior do que o lucro médio que a Renault tem no mundo."

Qual a importância do Brasil para o grupo?

"Este ano o Brasil será o segundo maior mercado da Renault no mundo, com cerca de 200 mil unidades. A França vende meio milhão por ano, mas o Brasil está crescendo enquanto a maioria dos mercados está estacionada. A aliança Renault-Nissan vai aumentar em 400 mil unidades as vendas até 2013 e chegar a dois milhões de carros. Desses 400 mil, 100 mil serão vendidos a mais no Brasil. Os outros 300 mil serão aumento de vendas na Índia e na Rússia. Dos três, a Índia é a que mais vai crescer, pois tem apenas 13 carros para cada 1000 habitantes. O Brasil tem 250 para cada 1000, e também tem um potencial enorme de crescimento.

A decisão do governo de aumentar o IPI em trinta pontos percentuais para carros com menos de 65% de índice de nacionalização foi acertada?

"Sim. A presidenta Dilma está priorizando o desenvolvimento interno, a produção local. Ninguém sabe se o real vai cair ou vai subir no futuro, a única segurança para o País é ter uma balança comercial favorável. As medidas do governo não vão modificar o processo do setor automobilístico, mas apenas acelerar as ações dos fabricantes. Nós todos as montadoras vamos investir no Brasil isso não há dúvidas, pois é o quarto mercado do mundo. E vai passar o Japão, será o terceiro. Não faz sentido uma operação de importação no Brasil por longo prazo. As medidas do governo vão apenas acelerar essa tendência.

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Joel Leite joelleite@autoinforme.com.br é diretor da Agência AutoInforme, especializada no setor automobilístico, que fornece informações para vários veículos de comunicação. Produz e apresenta o Boletim AutoInforme, das rádios Bandeirantes, Band News e Sul América Trânsito. É formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e pós-graduado em Semiótica e Meio Ambiente.

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