Jogando para a plateia

Quando acabar o Salão, ficarão mais dúvidas que certezas
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Fernando Calmon
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- Muito além de refletir a crise que atinge os Três Grandes da região – no passado também os três maiores do mundo –, quando o Salão de Detroit fechar as portas, no dia 25, deixará mais dúvidas do que certezas sobre o futuro da indústria automobilística mundial. Os espaços vazios no Cobo Center, originados por sete marcas desistentes, não significa escassez de ideias. Pelo contrário, tantas soluções se apresentam que podem deixar o consumidor tonto.

Os híbridos nunca estiveram tão em evidência. Casar motores elétrico e de combustão estão nos planos de vários fabricantes, inclusive chineses. Os pioneiros Toyota e Honda lançaram os novos Prius e Insight, ambos de estilo diferenciado. A Lexus apresentou o sedã HS que só oferece a versão híbrida. Os europeus, ao contrário, continuam a insistir na operação diesel cada vez mais improvável para automóveis nos EUA. O combustível com menos enxofre lá chamado diesel # 2 é 20% mais caro que a gasolina. Talvez vingue em picapes e utilitários.

Como as baterias preço, peso e recarga continuam sendo o ponto fraco dos elétricos, a idéia da autonomia estendida por um motor-gerador a combustão de rotação constante e baixíssimo consumo/emissões começa a atrair adeptos. A GM lançou o projeto no mesmo palco em 2007 e, além de Chrysler 200 C EV e Ford, a Mercedes-Benz colocou esta entre as alternativas no Concept Blue Zero que antecipa o estilo do futuro Classe B.

Há um fator imponderável: a reação dos compradores. Os americanos estão economizando US$ 1 bilhão por dia com a gasolina barata. Em dois anos, a se manter o preço, equivaleria ao plano de socorro aos bancos com sua verba de US$ 700 bilhões. Hoje, ninguém sabe projetar a participação de híbridos e elétricos nas vendas totais. A Ford deu um passo à frente. Já anunciou que 90% dos seus produtos terão, até 2013, os motores Ecoboost com turbocompressores e injeção direta de gasolina facilmente se adaptaria ao etanol E85. Solução viável e barata para manter desempenho e cortar consumo.

No fundo, as marcas americanas desejam é dar um sinal à plateia – governo, opinião pública e mesmo petroleiras – sobre preocupação ambiental e criatividade. Estarão prontas a oferecer o que o cliente quiser, a partir de 2011.

O Salão de Detroit também mostrou boas novidades. Subaru Legacy e o conceito Volvo S60 comprovam que essas marcas estão mais atentas ao estilo atraente. Cadillac CTS Sport Station e o conceito Converj são a vanguarda do desenho americano descolado dos exageros. A Audi impressionou com o Sportback Concept numa antevisão do futuro A7. O polêmico americano Chris Bangle, responsável pelos desenhos da BMW, redimiu-se dessa vez com o belo roadster Z4.

A surpresa maior veio da Volkswagen. Apresentado pelo diretor mundial de estilo de todas as marcas do grupo alemão, o italiano Walter de’Silva, o Bluesport Concept causou impacto. Quase pronto para a produção é um raro roadster de motor central traseiro de linhas elegantes e esportivas. Preenche um vazio deixado pelo Toyota MR2, de mesma arquitetura, vendido entre 1984 e 2007. Hoje, só automóveis esporte caros mantêm esse layout que resgata o puro prazer de dirigir.

RODA VIVA

PRIORIDADE atual de indústria e concessionárias é diminuir os estoques. Por isso nem querem ouvir, falar antes da hora, sobre a prorrogação da redução do IPI, prevista para terminar em 31 de março. As vendas estão reagindo lentamente, ainda sem tendência confiável. Tudo indica que só um trimestre de incentivo será insuficiente e a continuidade virá mesmo.

ESCASSEZ pontual de certos modelos, na faixa acima de R$ 50.000,00, demonstra as distorções da crise atual. Apesar da chuva de descontos, a base do mercado ainda está confusa e hesitante. Por outro lado, há alguma espera para entrega de modelos mais caros, de boa aceitação e com oferta ajustada à demanda desde os tempos de bonança até setembro 2008.

FIAT e Chrysler anunciaram acordo de aliança estratégica. O grupo italiano assumirá 35% do capital do grupo americano, mas sem injetar dinheiro vivo que anda escasso. A Chrysler poderia comercializar uma gama de veículos menores e econômicos, utilizar a rede de distribuição internacional e, em contrapartida, ccaption sua própria rede nos EUA e os picapes.

SEGUNDO o presidente do Sindicato dos Contabilistas de São Paulo, José Mariano, quem tiver condições deve pagar o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores IPVA à vista para aproveitar o desconto que o governo estadual concede junto ao vencimento da primeira parcela. Essa vantagem é oferecida há anos e pode variar de estado para estado.

PLANOS de novos produtos continuam sendo abandonados no exterior. O chamado consumo suntuário parece ter caído de moda, nesses tempos bicudos. A Honda confirma o cancelamento de um motor V8, do sucessor do roadster S2000, da versão conversível do CR-Z híbrido e dos planos da divisão de modelos premium, Acura, produzir chassi de tração traseira.


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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.br é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no WebMotors, na Gazeta Mercantil e também em uma rede nacional de 44 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site Just Auto Inglaterra

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