O futuro é colorido

Fiat investe em cores extravagantes para conquistar a Geração Y, e a chinesa Chery também aposta no colorido.
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– A Fiat acredita que uma parte do mercado consumidor caminha para o sentido contrário da maioria conservadora e quer atrair esse povo para comprar os seus carros. Mais do que isso: pretende vender a ele o mesmo carro que vende aos outros. A diferença está nas cores. O mundo colorido da chamada “Geração Y” terá muita opção na linha Uno.

Parecer diferente é tudo o que a Geração Y quer. Não precisa ser, mas é fundamental parecer ser. Por isso não basta fazer coro com os amigos nas atividades extracurriculares, usar roupas de grife e desfilar com o eletrônico da moda. O carro, eterno símbolo de status, precisa fazer parte da cena.

Além do tradicional vermelho, que também não é muito bem aceito pelos consumidores do prata e preto - e suas limitadas variações – a Fiat inventou um amarelo citro, uma cor que fica entre o amarelo e o verde, parecida com a do limão siciliano, que vai muito além de chamar a atenção. O Uno amarelo citro pode ser facilmente visto de longe, em meio ao mar cinza das ruas, shoppings e estacionamentos.

O verde limão, o abóbora acredite! e um azul despojado são as outras opções de cores que a Fiat oferece aos ipsolones.

O míni QQ, da chinesa Chery, vai além: além do vermelho, do azul claro e do verde cintilante, tem duas opções de amarelo: pêssego e cítrico brilhante. Você já deve imaginar que não são cores nada comportadas. Pelo menos 35% dos QQ a serem vendidos no Brasil terão cores fora da corrente branco-prata-preto.

Izabela Viana, chefe de Cores e Desenho da Fiat Automóveis, diz que a Geração Y tem “desejo de mudança”. Mas calma lá: é uma mudança comportada. Mudar, pra eles, quer dizer se diferenciar dos reles mortais, só isso. Rebelar-se com o tradicional, revoltar-se com o status quo usando como arma o consumo, a superficialidade. Socialmente é uma tragédia, mas para o mercado é um belo filão.

Izabela diz que esse consumidor aceita mais as novidades, tem a cabeça “mais aberta e consome de forma mais emocional. Não faz questão de perder dinheiro na hora da revenda se não encontra quem queira comprar um carro cor de abóbora. Mas não abre mão de rodar com ele por aí mostrando a sua rebeldia sic”.

A executiva diz que algumas dessas cores, digamos, extravagantes, já conquistaram a preferência de 10% dos consumidores do Uno. E a metade do volume comercializado é fora da linha prata, cinza e preto, um índice realmente surpreendente.

O valor de revenda não faz parte das preocupações desse consumidor, que por isso não se importa em perder algum dinheiro na hora da revenda. Porque vai perder.



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Joel Leite joelleite@autoinforme.com.br é diretor da Agência AutoInforme, especializada no setor automobilístico, que fornece informações para vários veículos de comunicação. Produz e apresenta o Boletim AutoInforme, das rádios Bandeirantes, Band News e Sul América Trânsito. É formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e pós-graduado em Semiótica e Meio Ambiente.

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