Oportunidade de ouro

Quanto mais etanol se produzir, mais óleo poderá ser exportado
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Fernando Calmon
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- Se existe um problema que realmente tem tirado o sono de compradores e fabricantes de veículos, sem dúvida, é o preço do petróleo. Para complicar, ainda há uma orquestração internacional sobre as mudanças de clima atribuídas em grande escala ao uso de combustíveis de origem fóssil. Existem vozes discordantes sobre as causas do aquecimento do planeta – fatores naturais muito mais fortes que a atuação do homem. E quando se indicam fontes alternativas, como biocombustíveis, especula-se sobre o conflito com a produção de alimentos.

Por que o petróleo preocupa tanto? Simplesmente porque o preço muito alto traz impactos negativos sobre a atividade econômica mundial. Se o mundo cresce menos, não tem como o Brasil deixar de ser afetado, inclusive a indústria automobilística. De qualquer forma, a dependência global da energia proveniente do óleo continuará nas próximas décadas. O nó da questão é o preço a ser pago para continuar rodando com o automóvel nosso de cada dia.

Semana passada, no Rio de Janeiro, a filial brasileira do fabricante sueco de caminhões Volvo organizou um seminário para jornalistas sobre a situação e perspectivas da energia global. O professor e cientista Kjell Aleklet da Universidade de Upsala fez uma palestra no mínimo instigante. Ele é presidente de uma associação dedicada a avaliar produção e consumo de petróleo e como isso afeta as reservas mundiais provadas e por descobrir.

“O conteúdo energético do petróleo impressiona. Meio copo de gasolina, por exemplo, é suficiente para deslocar um carro do plano até uma altura equivalente à da Torre Eiffel 300 metros. No entanto, os estudos dos atuais poços de óleo e gás, indicam que, por volta de 2010, a produção mundial alcançará o pico de 87 milhões de barris por dia. Então, começará a declinar lentamente. Nesse cálculo estão incluídas as mais otimistas previsões de novas descobertas e os fatores de recuperação, pois é impossível extrair tudo que o subterrâneo armazena. No globo, há pessoas demais e energia de menos”, resumiu Aleklet.

O cenário é realmente complicado. No último domingo, na Arábia Saudita, uma reunião entre produtores e consumidores procurou explicações para o preço do petróleo ter dobrado em um ano: pico de US$ 140/barril. Os sheiks culparam fatores geopolíticos, desvalorização do dólar e especulação. Os clientes foram pragmáticos. A produção, simplesmente, não vem acompanhando o crescimento do consumo, do qual a China responde por 40%. Em outras palavras, se oferta existisse, a especulação passaria longe...

Só a Arábia Saudita se comprometeu com o aumento de produção imediato, ainda assim inferior à demanda. A esperança está no preço alto inibir o consumo. E os fabricantes de veículos partirem para alternativas, dos biocombustíveis ao hidrogênio e eletricidade.

Para o Brasil, há menos riscos graças a sua matriz energética diversificada e menos dependente do petróleo. Quanto mais etanol se produzir, mais óleo poderá ser exportado. E se abre uma oportunidade de ouro. O País investe em novas refinarias e o mundo anda bastante carente de derivados. Em vez do petróleo bruto, venderemos subprodutos por preço maior.

RODA VIVA

QUINTO dos seis novos produtos fabricados no Mercosul, versão aventureira Sandero “cross” estará à venda no máximo em três meses. Não se trata de algo novo, como o próprio Sandero, ou picape Logan à venda na Europa. Aliás, Carlos Ghosn, número um da Renault-Nissan, sempre descartou a produção da picape. Sedã derivado do Sandero, em 2009, virá da Argentina.

IDEA Adventure, além do bloqueador de diferencial, passa a oferecer vidros escurecidos sem películas apenas nas janelas traseiras, como manda a lei. Abusos com películas nos vidros dianteiros continuam. Só acabarão quando o Inmetro homologar o aparelho de medição de transmitância luminosa, mas o instituto parece sem pressa. Talvez para ganhar tempo enquanto o lobby tenta mudar a lei?

MOTOR de 1.000 cm³ que equipará o novo Gol já está no Fox 2009 e mostrou qualidades na avaliação da coluna. Principal é a suavidade de funcionamento, além do aumento sensível de torque mais de 8%: 10,6 kgfm a 3.850 rpm 450 rpm abaixo da referência anterior ao utilizar álcool. É o motor pequeno de maior torque específico no mercado, superando o Renault que tem o dobro do número de válvulas.

PELA primeira vez, Mercedes-Benz oferece, no Brasil, motor diesel moderno no utilitário esporte ML. Até agora, só era possível no Range Rover, entre os SUV de luxo faixa de R$ 300 mil. Motor 320 CDI é referência mundial em termos de desempenho e baixo ruído, mesmo com nosso diesel de baixa qualidade. No fora-de-estrada, comprova que controles eletrônicos superam bloqueio físico do diferencial.

PARA vender carros nos EUA, hoje, vale até o argumento de diminuir a conta da lavanderia. Sim, a Ford aponta que o novo crossover Flex dispensa o tradicional estribo, que costuma sujar barras da calça e vestidos de usuários e usuárias em desengonçados SUVs e picapes.

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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.br é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no WebMotors, na Gazeta Mercantil e também em uma rede nacional de 44 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site Just Auto Inglaterra

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