Pesados: 60% nas costas

Boas iniciativas não faltam. Mentalidade em segurança aumenta
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Fernando Calmon
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- Apesar da importância do transporte rodoviário, que responde por mais de 60% do volume de bens deslocados no Brasil, ainda estamos longe de administrar os riscos com competência e aumentar a segurança nas estradas. Engana-se quem acha que em outros países as ferrovias têm papel preponderante. Nos EUA, aquele porcentual se repete, mas em termos de valores transportados. Em vários países europeus é comum os veículos sobre rodas responsabilizarem-se por mais de 50% de toda a distribuição de carga.

Acidentes envolvendo caminhões são muito mais graves. Há uma grande diferença de massa em relação aos automóveis, além de limitações técnicas como estabilidade, dirigibilidade e capacidade de frenagem. Acima de tudo, atrás do volante existe um profissional que deve primar pela consciência sobre os riscos envolvidos e capacitação.

Um tipo de acidente inadmissível é uma caçamba basculável se elevar com o veículo em movimento. Ao bater em viadutos e – pior – em passarelas, as conseqüências são desastrosas. Recentemente isso ocorreu numa moderna rodovia nos arredores de São Paulo. A passarela desabou e morreu o passageiro de um carro que se chocou contra a parede de concreto.
Independente da falta de manutenção hidráulica, falha técnica ou de operação há maneiras de se evitar esse tipo de acidente ao se projetar o sistema. Há mais de dez fabricantes de equipamentos basculáveis, mas com certeza nem todos colocam recursos redundantes de controle ou à prova de erros. Os conscientes chegam a exigir três movimentos simultâneos para liberar a caçamba.

Um exemplo de mentalidade focada em segurança é o programa de desenvolvimento de motoristas da Volvo, iniciado no começo de 2008. Estatísticas apontam 90 mil acidentes/ano envolvendo caminhões nas estradas brasileiras. Morrem 4 mil caminhoneiros e mais 8 mil pessoas em veículos menores envolvidos. O curso, inicialmente para os profissionais de frotistas da marca, destaca-se pela interação entre os alunos. A técnica pedagógica é bem menos focada no professor tradicional e mais na conscientização e mudança de hábitos, conforme metodologia da especialista Nereide Tolentino.

Levando em conta o contexto condições pessoais e ambientais, a via e o veículo, o objetivo principal de cada curso, para 10 participantes, é transformar o motorista passivo em gerenciador de riscos. Sem se esquecer da utilização racional dos recursos técnicos dos caminhões modernos. A meta inicial contempla reciclar mil motoristas por ano.

Numa perspectiva mais ampla, a marca sueca vai oferecer no Brasil, ainda este ano, o medidor eletrônico do grau de ingestão alcoólica. Uma iniciativa alinhada com a nova lei que prevê rigor máximo contra motoristas que bebem antes de dirigir e cortou drasticamente o nível de álcool de 0,6 gramas/litro de sangue para simbólicos 0,2 g/l. O Alcolock impede a condução do caminhão ou ônibus por um motorista sob influência do álcool. Basta soprar no aparelho dentro da cabine. Na Europa desde 2005, custa cerca de R$ 5 mil, mas ainda sem previsão de preço por aqui.

Quando há vontade para pelo menos amenizar os problemas de segurança no trânsito, boas iniciativas não faltam.

RODA VIVA

PINGOS nos is. Fiat vai, de fato, reformular o Palio em 2010, como declarou o diretor de Tecnologia da matriz, Harald Wester, a uma revista alemã. Fontes italianas confirmam. Havia dúvida se ele não se referia ao novo Uno, mas este só chega em 2011. Betim, claro, não tem interesse em esclarecer o assunto e prejudicar vendas. Afinal, o carro será todo novo, no mesmo nível do ocorrido agora com o Gol.

CHEVROLET Cruze, projetado e construído na Coréia do Sul pela GM-Daewoo, estará no Salão de Paris, em outubro. Planos de venda e produção vão além da Europa. Com porte do atual Astra, servirá de base para o sucessor desse modelo no Brasil, embora aqui a ordem seja manter silêncio. Data provável: começo de 2011, após novo Corsa, em 2010.

RODAR uma semana com o Gol basta para descobrir qualidades incomuns num modelo de entrada. Além de bem agradável ao dirigir, surpreendem acabamento e encaixe de peças móveis. Portas dianteiras abrem em três estágios, coisa de carro caro. Computador de bordo zera e marca automaticamente tempos de deslocamento. Motor de 1.000 cm³ custa um pouco para acelerar, embora suave e silencioso mesmo a 7.000 rpm.

SEGURADORAS européias concedem até 20% de desconto no preço da apólice para aqueles que utilizam navegadores, inclusive portáteis. Concluíram que permitem dirigir com mais segurança, sem distrações ao procurar referências e diminuindo grau de estresse ao volante. Motorista perdido tem mais chances de se acidentar, segundo estatísticas.

EQUIPE da Anhembi Morumbi, de São Paulo SP, venceu a maratona universitária energética 2008 de protótipos a gasolina: 343 km/l. Recorde da Unicamp, 367 km/l em pista diferente, não foi superado. Na categoria de elétricos, ganhou de novo a Fcaptional de Santa Maria RS: quase 30 km com uma carga de bateria de moto, um recorde.

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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.br é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no WebMotors, na Gazeta Mercantil e também em uma rede nacional de 44 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site Just Auto Inglaterra

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