Peugeot RCZ, brinquedo novo e charmoso

Bem cuidado carro para polir imagem da marca, hoje com linha antiga

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Roberto Nasser
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Sabe o 3008, festejado e aplaudido pelo conjunto mecânico com motor turbo, injeção direta, transmissão automática sequencial, projeto BMW, extremamente agradável em comportamento? Então o imagine em carroceria leve, perfil aerodinâmico, para duas pessoas, e acertada eletrônica aumentando a potencia dos 1.600 cm3 a 165 cv, agradabilíssimos 24,5 mkgf de torque – superior ao motor 2.0 do 408. É o RCZ, novo cupê Peugeot, pontual presença no mercado, em iniciais 200 unidades e previsão, aparentemente superada, de 25 a 30 vendas/mês.

É bem cuidado automóvel para polir imagem da marca, hoje com linha antiga - 207, do 307 em fim de linha – e, em exclusividade e sensações, perfilando com o 3008.

Carro de nicho dentro do nicho de 0,16% do mercado..., o RCZ tem bom pacote de decoração, couro, preto piano, metais, carroceria com estilo marcante pelo teto com ondulações longitudinais como um Alfa Zagato dos anos ’60, e as colunas pintadas em prata, como o Audi A1. Refinamento no relógio analógico, bancos esportivos, mecanismos de segurança que vão desde o capô que levanta a parte posterior no caso de batida em pedestre, sistemas eletrônicos de frenagem e estabilidade - controle de tração ASR, com sistema de estabilidade ESP, freios ABS com auxiliar AFU, quatro almofadas de ar, freio para subidas, faróis direcionais de duplo xenon direcionais, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, ar-condicionado digital Bi-Zone, para-brisas acústico, sistema de som de alta fidelidade Hi-Fi JBL. Elegante em proposta e resultados.

Espaço para dois – e duas crianças pequenas – porta malas de bom tamanho, não tem preço calculado por lógica, mas na permissão oficial de agregar os famosos 30 pontos no IPI, na emoção instigante, e no comparar preços com morfologicamente assemelhados Mercedes SLK – R$ 191 mil; Audi TT - 221 mil; e BMW Z4 – 227mil, apresentando-se a R$ 140 mil.

Quatro cores, sendo mais atrativa a Vermelho Turmalina. Outras, azul, cinza, preto e branco perolados. Para sedimentar base de lógica em campo emocional, garante três primeiras revisões a R$ 318 e posteriores a R$ 441, e 3 anos sem quilometragem – única no setor.

O RCZ pode ser importado em maior quantidade, como sinalizam os concessionários, e marca o início do resgate de ação iniciada há 13 anos – responsabilidade assistencial, menor preço na cesta de peças de manutenção, revisões com preços conhecidos, pontos comuns nas queixas contra os concessionários das marcas francesas.

Parcas voltas em circuito mostraram-no muito acertado de direção, suspensão, freios, motor e câmbio entrosados, confortável, firme, seguro, controlado e controlável.

Enfim, se andas procurando alguma coisa personalista, diferente, em números contidos, e ainda preço atrativo, garantia, manutenção barata, é opção a ser experimentada.

Fim de ciclo

Recém devolvi Alfa 159 TI após mês e três mil quilômetros de uso, cessão especial de Cláudio De Maria, engenheiro chefe da Fiat e conhecedor da minha paixão alfista. Vermelho, interior em couro preto, bancos anatômicos, rebaixado para combinar com sua performance. Motor V6, dianteiro transversal, injeção direta, 24 válvulas, 3.200 cm3, 260 cv e 32,8 mkgm de torque. Agradável de uso, disposto, de amplo torque, marchas bem escalonadas e com engate preciso, forte, com os clocs dos automóveis com apelos de testosterona. Suspensão rebaixada, freios com grandes discos Brembo nas 4 rodas em aro 19”, volante esportivo, direção precisa. Rápido, estável, freia muito bem e, no final das contas, andou 7,6 km/litro de consumo médio de nosso gasálcool Podium. TI abrevia Turismo International, antiga classificação de carros de corridas, e dá o espírito.

Teria sido ótimo produto caso importado, acertado e homologado para rodar aqui. Mas não foi prioridade da Fiat, focada em fazer lucros, liderar com sua linha local, e sem rede de revendas. Não o fez a tempo, não o fará mais: o 159 foi descontinuado.

Algumas razões, principal ser o último remanescente comum Opel-Alfa, do rompido acordo entre GM e Fiat. Plataforma e base do motor V6 de Opel Vectra geração 3, não existente no Brasil. Melhor dos mundos: responsável consistência alemã com perfumarias, refinamentos e sabores italianos. Giugiaro fez o estilo de sedã que o vermelho valoriza, e a engenharia da Alfa os cabeçotes, e desenvolveu o sistema de escapamento, ambos responsáveis pelo incremento á venda de Gelol para consertar pescoços torcidos ao seu passar...

Carro de homem, ia de 0 a 100 km/h em 7s, com velocidade final presumida acima de 220 km/h. Um ronco delicioso, viril, grave, uma alegria conduzir com brio em ultrapassagens, acelerando o motor em rotações, cambiando para cima, freando forte, reduzindo com o freio-motor – e provocando olhares e atenções para a ágil e desconhecida massa Vermelha Alfa.

Acordos comerciais vão e vem, mas o fim do 159, do automóvel médio com motor com mais de 3 litros, é resultado de mais uma volta do poderoso parafuso legal para reduzir o envio de CO2 á atmosfera – em 2010, 120 gramas/km. Condena os motores maiores e força substituição pelos de menor deslocamento e tentativa busca de potencia, torque e performance via soluções mecânicas como a injeção direta de combustível, os turbo compressores, coletores e comandos de válvulas eletronicamente controlados, e transmissões elaboradas, com maior número de marchas, como as de dupla embreagem ou automáticas com 8 velocidades á frente. É o downsizing, caminho de engenharia imposto pela lei a nova linha Mercedes C já mostra isto. Os antigos V6 2.5 e 2.8 agora tem 4 cilindros, 1.8, injeção, turbo, 7 marchas, muita eletrônica .

Enfim, acabou o ciclo. E o ronco viril e emocional do motor V6 com base Opel trabalhado pela Alfa no 159, exaurindo por dois tubos, fazendo a plebe ignara dos carrinhos de quatro cilindros sem tempero virar a cabeça, será apenas lembrança de um tempo que acabou agora. Quem viu e ouviu, viu e ouviu. Quem não...

Roda-a-Roda

Sahib – Anote aí: o ágil empresário Sérgio Habib fechou parceria com Ratan Tata, uma das grandes fortunas da Índia, para representar sua marca no Brasil, incorporá-lo como investidor na montadora que intenta instalar na Bahia – ou onde as vantagens forem maiores. Testa, sem disfarce, com placas de experiência de sua empresa, duas unidades do picape diesel, motores 2,2 e 3,3 litros, cabine simples e dupla. Sahib Habib será o guru de Tata no Brasil.

Corrida - Importados cresceram em setembro, contrariando projeções de queda venderam 10,5% a mais que o mês anterior, 22.569 unidades: medo do aumento de preços dá agilidade.

José Luiz Gandini, presidente da Abeiva, associação dos importadores, projeta retração de vendas nos próximos 15 meses – prazo da imposição de novos valores -, e dificuldades na rede de distribuição, em política de sobrevivência: reduzir margens de lucro, despedir pessoal, diminuir gastos com marketing – compensar o aumento do valor do dólar e diluir o adicional de impostos.

Varia - A Kia, representada por Gandini, aumentou médios 8,4 %. Menor, o Picanto subiu 12,4%; médios Soul e Cerato, respectivos 7,5% e 10,1%; utilitários esportivos Sportage, 6,5%; Sorento, 8,5% e 10,9% sobre o Mohave. Caminhões Bongo, coreanos ou feitos uruguaios, 4%.

Mais uma – Outra chinesa interessada em instalar-se no país, a Great Wall, diz procurar sócio nacional para montar fábrica de 100 mil unidades anuais. Annuar Ali, vice-presidente do grupo CAOA, desmentiu sociedade.

A caminho – Com ou sem sócio, a GW registrou patente para utilitário esportivo e sedã médio, e quer reatar importações. Antes era distribuída por empresa de capital árabe a partir de Brasília.

Pena – Famosa pelo brilho de seu traço e construção de veículos especiais, especialmente Ferraris, a Pininfarina fechou seu braço de produção, encolheu, fará apenas projetos.

Condicionantes – A massificação dos automóveis, sua perda de identidade, a briga suicida pela sobrevivência empresarial, vem punindo os chamados carrozziere. E, no caso da Pininfarina, o neto de Pinin, herdeiro e condutor, morreu há dois anos, deixando a empresa sem líder.

Fim – Estúdios de estilo antes sólidos como Zagato, Bertone, Karmann, Italdesign, vendida à Volkswagen, e agora a Pininfarina encerraram o produzir pequenas séries, resumindo-se aos desenhos e projetos. Resultado é que o charme se vai, pois a metodologia de construção para estes projetos especiais demanda cuidados superiores à massiva produção das montadoras.

Concurso – A Citroën bisará o Créative Awards, concurso mundial em torno da aplicação das cores da marca em três categorias: Idea Contest, Video Contest e Style Contest, reinterpretando os códigos de veículos Premium. A fim? www.citroencreativeawards.com

Segurança – É a inovação do ano em segurança veicular: cinto traseiro inflável criado pela Ford. Combina tecnologia de cinto e almofada de ar. Iniciou aplicá-los no Explorer 2011, e disseminará globalmente.

target=_blank>Mais?


Lançamentos – Próximos dias a Fiat apresenta o Palio, nova geração, totalmente modificada. GM idem, com o Cobalt, substituto do Classic. Roupa nova sobre a plataforma antiga Corsa 1994, usada no Ágile.

Por que – A GM abriu plano de demissão voluntária em sua fábrica de São José dos Campos, SP. Não diz o quantum do corte, justifica pela competitividade do setor. De lá são os produtos mais antigos da linha da empresa – S 10, Meriva, Zafira.

E, - Aparentemente é plano antigo para mudar a cabeça e a imagem da GM, inadequadas ao processo de encolhimento e salvação governamental. O momento não permite a empáfia ainda existente nos vários degraus da empresa.

Começou bem – A Renault iniciou vender o utilitário esportivo Duster, já descrito pela Coluna. Anúncio de jornais pede desculpas a quem comprou carro assemelhado de outra marca, e dá o telefone de quem indica como psicólogo. Você liga e ouve conselhos. Engraçado. Confira, 011.2626.7068

Ampliação – A Volkswagen negocia com o governo do Paraná novos incentivos para dobrar área – 210 mil m2, capacidade industrial – 810 veículos/dia, e empregos em sua fábrica no estado.

... II – O grupo PSA, reunindo Peugeot e Citröen já resolveu caso idêntico como o governo do Rio de Janeiro. Anunciará detalhes à assinatura pública dia 26, quarta.

Mais uma – A Citroën inaugurou em Taguatinga, cidade satélite de Brasília, sua 159ª concessionária. Operada por Adriano Pagy, ex-grupo SHC, é controlada pelo Grupo Liberté, com três revendas e invulgar participação no mercado da grande Goiânia, onde opera.

Ecologia – Diz a Toyota ter plantado 80 mil mudas de árvores nativas do meio ambiente de Sorocaba, SP, em torno da fábrica que lá constrói. Também, ter usado tecnologia japonesa de um doutor-san para formar a floresta em 20 anos, selecionando sementes e plantando as melhores mudas – como sabem aqui todos estudantes de agronomia e bons jardineiros.

Plantar mudas – que demorarão 20 anos para virar árvore – é moda para ficar bem na foto e aliviar cutaneamente as agressões ecológicas da implantação de fábrica – removendo árvores; o processo produtivo; as emissões dos produtos.

Nacional – Colecionadores argentinos farão III Expo Auto Argentino, encontro nacional de veículos produzidos em seu país. Buenos Aires, 18 de março de 2012. Valorizar os carros do país e preservar sua história foi caminho corajoso, aberto há uma década pelo Carro do Brasil, evento nacional, exclusivo aos nossos veículos. Que bom, faz história.

Não deu – Apesar dos esforços, João Rechtenwalden, antigomobilista da baixada santista, não conseguiu viabilizar o Encontro de Automóveis Antigos de Guarujá, no Shopping Jequiti, de 11 a 15 de novembro.

Gente – Annuar Ali, VP do grupo CAOA, 61, estaleiro. * Stents. * Fabiano Mazzeo, jornalista, 40, aprimoramento. * Passagens na área de imprensa na GM; gerência na Renault; é consultor de relacionamento na BMW. * A empresa quer ocupar espaço na mídia implantando estrutura sob Katja Embden, vinda da Krupp. * Enfim. Era inexplicável a ausência da bávara na atividade.

Fiat 35 anos de Brasil ? Muito mais

Embora tenha chegado ao Brasil no início de 1900, referenciado por oriundi de fortuna, como os Condes Matarazzo e Álvares Penteado; de ter tido operações de montagem SKD e CKD – peças importadas em conjunto ou separadas – pela pioneira Grassi, por empresa Matarazzo, e pela Varam Motores, a Fiat encontrava altos e baixos em sua operação.

Em 1956, definidas as regras de atração da indústria automobilística no Brasil, seu novo representante Elio Peccei, propôs ao armênio Varam Keutenedjian, sociedade com a Fiat para entrar no Brasil. O bem sucedido empreendedor, dono do maior lanifício do país, declinou.

Logo em seguida, vindo a Simca para o Brasil, Peccei, visto como fino cavalheiro europeu, e com visão internacional do negócio, procurou-o para locar a quase nova, porém ociosa fábrica, acertou e viabilizou a instalação da empresa. O capital seria meio-a-meio.

A Fiat não veio, mas Peccei via as possibilidades do mercado nacional, e conduziu nova ação para controle acionário da Vemag – mas a Fiat desistiu em cima da hora. Peccei não. Três anos após, nova iniciativa, acompanhando Nelson Fernandes, empreendedor da IBAP, Indústria Brasileira de Automóveis Presidente, sociedade por cotas populares, a encontro com o Ministro Macedo Soares, da Indústria e Comércio. A Fiat queria vir com o 600, porém o ministério nunca respondeu à proposta.

Finalmente, com grande costura a várias mãos, sendo regente o deputado triangulino Rondon Pacheco, depois Ministro do Gabinete Civil da Presidência, montou-se a fórmula para cerrar a boca e amarrar mãos das montadoras aqui presentes, que obstaculavam a chegada de novas: o Estado de Minas seria acionista e a idéia era descentralizar a produção automobilística. Conceito e ações deram certo, e a Fiat Automóveis foi criada em 1973. A regionalização da indústria demorou, mas hoje é realidade que se estenderá a Pernambuco.




As opiniões expressas nesta coluna são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.


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Roberto Nasser edita@rnasser.com.br , residente em Brasília, é advogado, especializado em indústria automobilística. Dentre suas ações de utilidade social se destacam a defesa para a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança e as propostas da criação da categoria do veículo de coleção, da dispensa de equipamentos modernos pelos carros antigos, da mudança de óptica sobre os colecionadores, da permissão de importação de veículos antigos, além da criação do Museu do Automóvel, na Capital Fcaptional, do qual é curador. Escreve sobre automóveis semanal e ininterruptamente há 41 anos e trata este ofício como diversão e lazer. Sua coluna “De Carro por Aí” é publicada em 15 mídias.

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