Symbol, mudando muito para parecer não mudar

Sem emoções, passa despercebido em seu partido de japonização – a pasteurização das soluções estilísticas
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Roberto Nasser
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Estórias com documentos são histórias. Sem, apenas estórias, tentativas de interpretação por quem vê o resultado, mas desconhece os porquês. A operação realizada pela Renault para transformar o Clio Sedan em Symbol, a olhos do público parece versão automotiva do conto da Gata Borralheira querendo virar Cinderela. Mas a realidade dos fatos econômicos justifica a tentativa pelo fato de a Renault ter necessidade de enzimatizar seu re-erguimento na América Latina, em gastos contidos.

No caso do Clio Sedan, pequeno automóvel de ótima rolagem, conforto dentro de sua classe, mas pequenas vendas, adotou a fórmula Mercosul: manter a plataforma mecânica, mudar a carroceria, sugerir ser carro novo, renovando seu ciclo de vida. Resultado, o Symbol, quatro portas, andadura agradável, sensações de conforto, bom conjunto mecânico, liderado pelo ótimo motor 1.6 flex com dupla aptidão. Para andar rápido, 16 válvulas. Uso urbano, 8 válvulas.

Coerente em linhas, deixa claro, à primeira vista ou, como dizem os tributaristas, Prima Facie, ter nascido sedã quatro portas e não hatch com pedúnculo traseiro. Equilibrado nos volumes de motor, habitáculo, porta-malas, necessária aerodinâmica e desejada performance, visualmente harmônico, nada futurístico. Sem emoções, passa despercebido em seu partido de japonização – a pasteurização das soluções estilísticas.

Medida de conforto em automóvel é a distância entre eixos. Tudo o de receber passageiros estará ali. Fora disto, pode crescer desnecessariamente à frente ou atrás. É o caso. O Symbol, com plataforma do Clio Sedan, mantém 2,47m entre os eixos, mas cresceu nas extremidades para oferecer noção de veículo maior. A boa capacidade do porta-malas não foi aumentada, e não é de fácil uso, raso e profundo. Interior inalterado, recebe bem 4 pessoas, embora se anuncie para cinco, mas o lugar do meio no banco traseiro dispensou o apoio para cabeça.

Anda bem, como dito. Os franceses são os melhores adequadores de motores e relações de marcha para o mercado brasileiro. O bom propulsor 1.6, 16v, flex, dá conta do recado em 115 cv a álcool, 16 kgmf de torque a 3.750 rpm. Porém mais agradável em uso de cidade na versão 8 válvulas, pois o torque, apesar de menor numericamente, ocorre com volume maior em rotações inferiores – 95 cv e 14,1 kgmf a 2.850 rpm. Isto significa andar em rotações baixas sem necessidade de reduzir marchas. Ambos são econômicos, superando a média de 10 km/l cidade.

Dacialização
Fosse procurar em nossa rica linguagem – que os operadores de tele marketing insistem olvidar – não acharia o termo no Houaiss ou no Aurélio. Mas festejando os 50 anos de Grandes Sertões, Veredas, creio, se o Guimarães Rosa observasse o Symbol, diria ser fruto da Dacialização da Renault do Brasil. A origem está na romena Dacia, antes montadora de Renaults, e hoje incorporada. Autora de versões simplificadas, para clientes do leste europeu, de menor renda, fez o franciscano Logan.

A Dacialização da Renault no Brasil, perceptível pela produção de veículos industrialmente mais simples e menos dotados de equipamentos, começou com chamar de Renault o lógico e espartano Dacia Logan; pelo surgimento do Sandero, outra versão sobre a plataforma antiga aplicada ao Logan, transformada na de presente e futuro; e no Symbol, mais moderno, porém construtivamente mais simples que o Clio Sedan, a quem pretende substituir e superar.

De similaridades entre o Symbol e o Clio Sedan, o rodar e o rendimento adequado do bom motor 1.6. Mas param aí. A finalização, dito acabamento, os pontos de contato entre o material de revestimento e os usuários, exibe seu pendor à economia na sensação de toque, no pouco apuro interno, nos plásticos explícitos. São de pouca atração visual, descompromissados em finura, ásperos ao tato, parecendo projetado por auditores de custo.

Assim, ...

É bom? Será se você considerar a relatividade da vida. A grande qualidade do Symbol está nas sensações oferecidas ao andar. É confortável, estável, agradável, muito superior à noção de carro russo intrínseca ao Logan. Mas ambos, em que pesem as diferenças estéticas, não se distanciam muito, e o grande ponto comum é a simplificação construtiva. A diferença é que o comprador do Logan é empresa pequena ou consumidor que pulou do carro usado para o projeto da Dacia, assume a escolha por limitação. Os optantes pelo Symbol se iniciam pelos antigos usuários do Clio Sedan, cansados de explicar a dicotomia entre as qualidades rolantes do carro e seu estilo questionável. O processo estético é sem ambições, assemelhado ao da Ford com o picape Ranger, modificando quase tudo no exterior, sem alterar estrutura, ancoragens da carroceria, processo econômico. No caso Ford, manteve-se o nome. No Renault, mudou-o. Para incrementar as dúvidas, o Symbol, assim como o Logan 1.6 equivalem em preços, em torno dos R$ 40 mil.

Se você não tiver a pretensão de enxergar um modelo novo, e tiver a paciência de explicar a vizinhos, amigos e parentes que seu novo carro parece, mas não é, seja feliz. São Fiacre o ajude.

Roda-a-Roda

Expansão – Centenária fábrica de veículos, a Wilhelm Karmann tem novo dono: a matriz Volkswagen na Alemanha. Investirá 26M de Euros para adequá-la a seus planos expansionistas. Quando nestes projetos a Volkswagen sempre começa pela aquisição de empresas alemãs. Seu grande salto nos anos 1960 deu-se ao adquirir a Auto e sua estrutura industrial, mudar produtos, re-criar a Audi. No Brasil comprou a Vemag. Aqui a filial da Karmann-Ghia foi vendida ano passado a fabricante de autopeças.

Quem diria – O governo fcaptional esticou até 2015 os incentivos nas regiões já incentivadas pelo Regime Automotivo, Nordeste, Norte e Centro-Oeste, a encerrar-se em 2010. Principal vantagem, o crédito presumido de PIS/Cofins pode ser abatido dos impostos não-previdenciários. Terão vantagem Ford, Troller, Mitsubishi e CAOA, e a justificativa é curiosa: atrair investimentos. Num mercado que cresce chinesamente, com perspectivas de ascensão e captação de investimentos porque os negócios de automóvel no Brasil são extremamente rentáveis, a explicação não se explica.

Resposta – Líder de mercado, vendendo mais que a soma de todos os concorrentes, e mais que o dobro do segundo colocado, a Fiat não dorme sobre os louros. Ao lançamento do GM Montana Sport, e à tentativa da VW em identificar seu novo Saveiro com uso esportivo, anunciou que lançará versão Sporting do Strada. Visual esportivo, rodas em liga leve aro 16”, faróis bi parábola, mini saias laterais. Motor 1.8.

Bons negócios – A Ford aplicará R$ 4 bilhões no país entre 2011 a 2015. Até lá administrará a inversão de R$ 600 milhões anunciados para a fábrica de Taubaté, SP, para lançar a família de motores Sigma, em alumínio, dobrar a capacidade de produção, aumentar exportações, reacertar e ampliar a produção de caminhões e do novo picape Courier em São Bernardo do Campo, SP. Do valor anunciado, maior nos 90 anos de Ford no Brasil, 70%, 2,8B, ficarão no Nordeste, para elevar em 20%, a 300 mil unidades/ano, a produção da fábrica de Camaçari – onde faz o EcoSport e a família Fiesta –, e modernizar a fábrica do Troller, em Horizontina, CE.

Negócio – A quem pensa que expor em salões é para fazer relações públicas, números da Iveco desanuviam o conceito: vendeu 600 ! caminhões durante a Feira Internacional do Transporte, realizada mês passado no Anhembi, SP.

Solução – Para acabar com fraude comum, a adulteração do hodômetro – o marcador de quilometragem dos veículos – a deputada paulista Maria Lúcia Amary, fez indicação ao DETRAN paulistano para que mude seus critérios de avaliação para aferir também o hodômetro, verificando se os números indicados conferem com o automóvel. Ótima idéia. Hoje os scanners conseguem aferi-los, impedindo que os compradores sejam enganados e se arrisquem, ao acreditar nas boas condições de um veículo com baixa quilometragem quando, na realidade, tem um conjunto mecânico desgastado, perigoso, e de elevado custo de reparo por muito uso.

Negócio – Tens oficina e queres fazer um troco maior?A PPG Refinish implanta seu projeto “Fast Repair Business” para concessionárias e oficinas que desejem montar box para reparos rápidos em pintura. Pacote completo, treinamento, metodologia, perspectivas de serviço rápido, expansão da margem de lucro em 20% e referências de sucesso como a rede Fiat, que o adota desde 2003.

Fica – Fábrica de transmissões hidráulicas, a Allison foi vendida pela corporação GM em sua tentativa de salvação. Independente, manteve operações no Brasil, onde ajusta as transmissões norte-americanas às demandas de clientes brasileiros, argentinos, uruguaios e chilenos. As dúvidas sobre a permanência da empresa acabaram com a aquisição do prédio onde opera, no bairro Jurubatuba, em S Paulo.

Antigos – Lembra o jornalista Flávio Gomes http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/-? Dia 19 passado marcaram-se 53 anos que a pioneira fábrica de veículos Vemag colocou na rua a perua Universal, com o novidadoso motor de três cilindros e ciclo de 2T. Em 11 anos fez aproximadamente 120 mil veículos entre sedãs Belcar, camionetes Vemaguet, jipes Candango, o futurista Fissore, e ainda forneceu chassis para GT Malzoni e Puma GT. Acabou, comprada pela Volkswagen.

Antigos, 2 – Mesma idade, um dia antes a Volkswagen inaugurou o embrião de sua monumental fábrica em São Bernardo do Campo. Primeira incursão internacional, e dela já saíram 11 milhões de veículos. A Kombi, ali estava antes da inauguração, e continua. Recorde mundial, sonho de colecionadores, um carro antigo O km !

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