Um tema tabu

  1. Home
  2. Pit-Stop
  3. Um tema tabu
Fernando Calmon
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

- O uso crescente de dispositivos para mitigar as conseqüências de um acidente automobilístico vem mostrando resultados e tende a se ampliar.

O uso crescente de dispositivos para mitigar as conseqüências de um acidente automobilístico vem mostrando resultados e tende a se ampliar. Há dois exemplos recentes: estréia de airbags para joelhos em carros médio-grandes Peugeot 407/Citroën C5 e pesquisas aprofundadas da Ford sobre cintos de segurança de quatro pontos, eficientes e confortáveis. Sempre à procura de manter motorista e passageiro na posição mais firme e correta possível no banco, em caso de forte impacto.

Ideal, no entanto, é o acidente deixar de ocorrer. Para isso existem os recursos de segurança ativa, em que as fábricas também investem. O empenho concentra-se em desenvolver meios para que o motorista médio consiga controlar o veículo com mais facilidade em condições de emergência.
Nada disso, porém, pode aumentar a segurança no trânsito se quem está atrás do volante tomar atitudes imprudentes, inseguras ou irresponsáveis. As festas de fim de ano são um momento de reflexão pelo aumento do tráfego e início das férias de verão. Uma das maiores preocupações — no Brasil e na maioria dos países — reside no gravíssimo problema de beber e dirigir. Trata-se da pior das irresponsabilidades e está longe de ser combatida com a devida ênfase no País.

Ainda bem que há novos atores se preocupando com o tema. Um deles é a organização não-governamental ONG fundada em 2003 pelo prof. dr. Artur Guerra de Andrade. O Centro de Informações sobre Saúde e Álcool CISA — www.cisa.org.br — trata a matéria de forma abrangente. Tanto que tem patrocínio institucional da fábrica de bebidas AmBev, mesmo sem escamotear qualquer ângulo da questão. Como médico ele conhece bem todos os efeitos deletérios e criou no site o capítulo Álcool e Trânsito. Vale a pena navegar pelas páginas dado a riqueza de informações, inclusive estatísticas e entrevistas, em particular sobre a desastrosa interação bebida alcoólica-direção.

Basta destacar dois pontos de relevante interesse abordados no Cisa. Entre todos os acidentes de carro nos EUA, em 2002, envolvendo uso de álcool, 4% resultaram em morte e 42% em ferimentos graves. Dos acidentes sem envolvimento do uso de álcool, 0,6% levaram a mortes e 31% a ferimentos graves. Isso num país que fiscaliza e impõe rigor máximo nas punições. Estudo retrospectivo do Instituto Médico Legal de São Paulo, em 1999, constatou que de todas as autópsias realizadas nos casos de morte por acidentes de trânsito, cerca de 50% tiveram relação com o uso de álcool.

Na entrevista da prof. drª. Júlia Greve, ela destaca: “É freqüente ouvir-se motoristas que dizem dirigir melhor quando bebem. O efeito que causa risco é exatamente o que leva a pessoa a fazer o comentário: fica mais audaz, diminui de forma significativa a autocrítica.”

Uma forma objetiva de combate seria a proibição nacional de vender bebidas alcoólicas em restaurantes na beira de estradas, inclusive com um serviço eficiente de disque-denúncia. Também seria bem-vindo qualquer apoio institucional das entidades ligadas à indústria automobilística às várias ONGs que demonstram os riscos do álcool fora do tanque de combustível. Parece um tema tabu, mas não deveria, no caso de empresas investindo bilhões de dólares todos os anos para tornar o automóvel mais seguro. E que até já oferecem Saab uma chave-bafômetro que impede a partida do motor, caso o motorista se autotestasse.

RODA VIVA

FONTES da Argentina asseguram que o Peugeot 307 sedã já estará em exibição no Salão de Buenos Aires em junho próximo. É produto para 2006 junto com uma pequena reestilização frontal e traseira da linha 307. Novidade: também seria produzido um Citroën C4 sedã, modelo que atualmente não existe no portfólio da marca francesa. Chegaria em 2007.

ESTRATÉGIA esperta da Petrobrás ao concluir a rodada “eleitoral” de aumento de preços: carregou no reajuste do diesel em benefício da gasolina. Esta enfrenta forte concorrência do álcool e do gás, recebendo acréscimos menores. Ao mesmo tempo estimula economia de diesel, combustível no qual o País continua bem vulnerável a choques externos.

HARMONIA de linhas, evolução em materiais, mais capricho no acabamento, porta-malas de volume útil atraente e presença destacada em meio aos compactos são algumas qualidades do Fiesta sedã. No dia-a-dia do trânsito, motor 1.600 demora um pouco para subir de giro, apesar da potência superior ao usar álcool. Para agilidade, exige uso maior da alavanca de câmbio.

FINALMENTE, iniciativa do deputado fcaptional Leo Alcântara pode obrigar autoridades de trânsito a cumprir o Código que prevê penas de advertência para infrações leves e não-reincidentes. Projeto de lei tramita em comissões da Câmara. Ainda sem previsão sobre votação e entrada em vigor. E se será acatado...

CORREÇÕES: Mégane II sedã será produzido no Brasil conforme a coluna já antecipara e não na Argentina. Novo pickup Toyota Hilux argentino chega ao país vizinho em março próximo e por aqui até 60 dias depois. Faltou informar que Mitsubishi também terá produto novo fabricado em meados de 2005; provavelmente, Pajero Sport nacional com mudanças estilísticas.
___________________________________
E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon, engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Sua coluna semanal Alta Roda é publicada, desde 1999, em onze jornais brasileiros e no site WebMotors. Assina as colunas Direto da Fábrica na revista Carro e Roda Viva na revista Jornauto. Correspondente para América do Sul do site americano The Car Connection. Diretor editorial das oito revistas automobilísticas da On Line Editora. Consultor técnico, de mercado e de comunicação.

Comentários

Ofertas Relacionadas

logo Webmotors