Lembra do Sandero? Pois é, o hatch que durante anos foi um dos carros mais emplacados do Brasil e que até hoje é bem vendido na Europa está prestes a ganhar uma transformação radical: a próxima geração terá, pela primeira vez, uma versão elétrica.
E não se trata apenas de colocar uma bateria: a ideia da Dacia, marca romena pertencente ao Grupo Renault, é fazer do futuro Sandero um dos elétricos mais acessíveis do mercado, justamente para rivalizar com os modelos de entrada que são movidos a bateria.
Aqui no Brasil, dessa maneira, o Sandero elétrico seria rival de BYD Dolphin Mini, Geely EX2, MG 4 Urban e GAC Aion UT, e ocuparia o lugar do Renault Kwid E-Tech, já aposentado. Será que daria certo?
A confirmação mais recente na Europa aponta que a novidade chegará em 2028. O projeto faz parte da estratégia da Dacia de manter sua tradicional proposta de baixo custo justamente em um momento em que carros elétricos avançam sobre mercados globais. A intenção é clara: oferecer um carro a bateria simples, capaz de disputar espaço com modelos que têm feito sucesso, como BYD Dolphin Mini e Geely EX2.
Ainda não há informações sobre preço, potência ou autonomia. Mas a filosofia do projeto já está definida: em vez de buscar números impressionantes de desempenho e alcance, o Sandero elétrico deverá priorizar uma bateria menor e componentes já existentes dentro do Grupo Renault. A estratégia é reduzir custos, porém mantendo a proposta de carro prático e acessível.
Uma das possibilidades estudadas é usar componentes do novo Renault Twingo E-Tech, que no mercado europeu usa bateria de 27,5 kWh e tem autonomia de até 262 quilômetros pelo ciclo WLTP. Outra alternativa seria usar a arquitetura dos Renault 5 e Renault 4, que usam a família de plataformas elétricas conhecida como "AmpR".
O futuro Sandero, porém, não deverá abandonar os motores a combustão - pelo menos não em um primeiro momento. A nova geração deverá oferecer diferentes opções de motorização, incluindo alternativas eletrificadas.
A Dacia, ao que parece, acredita que o mercado europeu ainda não está pronto para uma migração integral aos carros elétricos. A versão BEV será, portanto, apenas uma das configurações.
Essa estratégia é importante porque explica a principal diferença entre o Sandero e outros elétricos mais sofisticados do Grupo. Enquanto o Renault 5 exibe design retrô, tecnologia e diferentes opções de bateria - pode chegar a uma de 52 kWh e cerca de 405 quilômetros de alcance na configuração de maior capacidade -, o Sandero terá como prioridade absoluta o preço.
O visual também deverá seguir essa lógica, afinal a Dacia não pretende criar um carro completamente diferente para a versão elétrica. A tendência é que o Sandero BEV tenha a mesma identidade estética das configurações a combustão, só com as alterações necessárias para melhorar a aerodinâmica, como uma dianteira mais fechada e rodas específicas.
Vale dizer que a mídia europeia garante que a versão Stepway também continuará existindo. Mas com a mudança que vimos acontecer no Brasil: deverá se distanciar do Sandero convencional e ganhar pegada de SUV de entrada, ou de um SUV subcompacto, como aconteceu por aqui quando a configuração deixou de usar o nome "Sandero". A ideia, portanto, é repetir o que rolou no Brasil - deixar o hatch mais tradicional e transformar o Stepway em algo independente.
Por aqui a história é mais complicada. O Sandero deixou de fazer parte da linha Renault brasileira e a marca passou a concentrar sua operação em modelos como Kardian, Boreal e Megane E-Tech. O último integrante da família, o Stepway, saiu de linha em 2025.
Isso não significa, entretanto, que a futura geração não possa ter alguma influência nos carros vendidos por aqui. O projeto do Sandero continua ligado à arquitetura modular da Renault e pode, quem sabe, servir como referência para futuras gerações de modelos compactos da marca.
O momento também seria interessante para a Renault no Brasil. O mercado de elétricos de entrada tem ficado cada vez mais disputado, justamente com a chegada de modelos como BYD Dolphin Mini e Geely EX2.
Este último, inclusive, tem sido vendido no Brasil exatamente após a aliança criada entre Renault e Geely - o EX2 existe no país nas versões Pro e Max, tem motor elétrico de 116 cv de potência e autonomia de até 289 quilômetros pelo padrão brasileiro.
Isso posto, vale destacar que o Sandero elétrico ainda está distante e não há qualquer confirmação de venda no Brasil. Mas, se a Renault decidir retomar por aqui a mesma fórmula que fez o Sandero um sucesso no passado - carro simples, espaçoso, robusto e relativamente barato -, o modelo vai reencontrar um mercado completamente diferente do que deixou.
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