Da oficina: VW Parati tem motor robusto

Suspensão e freio apresentam problemas
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Oficina Brasil
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– Por mais que um reparador não tenha muito conhecimento sobre a mecânica da perua Parati, ele jamais pode dizer que não conhece o carro: trata-se da derivação do Gol, modelo mais vendido da Volkswagen há quase vinte anos.

Por isso, o Oficina Brasil decidiu dissecar um modelo 2002/2003 com 48 mil quilômetros rodados e motor 2.0, propulsor conhecido no mercado, porém com algumas particularidades ignoradas pelos reparadores.
Ao mesmo tempo em que desvenda os mistérios da Parati, esta avaliação fornece subsídios para a reparação do Gol, que utiliza praticamente as mesmas peças da "irmã" e tem milhões de unidades rodando por todo o país. Acompanhe a manutenção.

Motor

Logo ao chegar na Engin Engenharia Automotiva, o geólogo Fernando Almeida reclamou ao engenheiro Paulo Aguiar que sempre precisava completar o nível de água do carro.

Após a checagem da equipe de consultores, foi constatado um vazamento na saída do cabeçote para o radiador do ar quente. A conexão foi limpa, a abraçadeira foi trocada e o problema resolvido. O líquido de arrefecimento foi colocado de acordo com a recomendação do fabricante: 50% de água e 50% de aditivo a base de etilenoglicol.

Ao colocar o veículo no analisador de gases, o nível de CO monóxido de carbono obtido ficou bem acima dos 0,5% recomendados pela montadora. Para regularizar o Volks, a Engin realizou uma série de procedimentos.

O primeiro deles incluiu a troca dos filtros de óleo, ar e gasolina. Em seguida, o jogo de velas foi substituído por modelos NGK BUR5ETB-10 como opção, pode ser usado o conjunto da Bosch com a especificação WR7LTC. O reparador deve prestar atenção a um detalhe: quaisquer que sejam as velas escolhidas, elas devem ter três eletrodos.

O rotor do distribuidor, com desgaste acentuado, também foi trocado. A tampa do distribuidor precisou de uma limpeza, já que o material que se soltou do rotor ficou preso à peça. O corpo de borboleta, válvula de blowoff, corretora de ar da marcha lenta e do ar-condicionado também passaram por uma remoção de resíduos.

Outra peça substituída foi o retentor traseiro do virabrequim, que neste modelo já vem com flange de fixação, sendo conhecido como sistema de vedação traseiro do virabrequim.

A correia dentada e o tensionador também foram trocados, já que a quilometragem indicada para a operação já havia sido excedida. Os bicos injetores foram limpos e equalizados, ficando com menos de 10% de diferença entre eles.

Por último, a Engin também realizou a troca do filtro de pólen, localizado logo abaixo da "churrasqueira", um acabamento plástico próximo à parede corta-fogo, e do silencioso do escapamento, que apresentava sinais de oxidação.

Suspensão

De acordo com o dono do veículo, o carro estava desalinhado e com o volante fora de posição. Ele informou também que o kit de batentes e coifas foi trocado há três meses, mas os amortecedores não foram substituídos – as peças originais não são pressurizadas e equipam também o Gol 1.0, 1.6 e 1.8, o que, em parte, explica a falta de firmeza dos veículos dessa linha e o "sobe e desce" durante freadas e acelerações.

Como os amortecedores já estavam sem ação, a troca foi realizada. A Parati ainda precisou de novas buchas da caixa de direção e batentes superiores com rolamento. "Neste caso, o reparador só deve usar kits de batentes originais", alerta o consultor Fábio Agonilha, da DJMA Auto Service.

"Este carro também costuma apresentar muitos problemas nos terminais de direção e nas bandejas. Como o motor 2.0 é forte, força as peças, que acabam estourando com o tempo. Isso é mais evidente nesta versão", completa Agonilha sobre a suspensão do Volkswagen.

Após as trocas, o carro foi alinhado e balanceado e os barulhos e problemas foram sanados.

Freios

O proprietário da Parati diz ter trocado discos e pastilhas de freio aos 35 mil quilômetros. Devido ao estado de desgaste das peças, porém, os consultores acreditam que elas sejam de procedência duvidosa, o que exigiu uma nova substituição: os discos apresentavam muitas marcas e as pastilhas não tinham mais material suficiente.

O cilindro de roda traseira foi substituído, pois já apresentava vazamento, provavelmente provocado pela falta de manutenção no fluído de freio. O sistema traseiro passou por limpeza e lubrificação.
Todo o circuito foi limpo e um novo fluído foi colocado DOT-4. Como o veículo é equipado com ABS, sua sangria teve de ser feita de forma cruzada. Esse procedimento, aliás, deve ser feito de acordo com as recomendações do fabricante, pois há várias maneiras de realizá-lo.

Dica 1:
Deve-se ter cautela na substituição dos cilindros de roda, pois a peça da Parati tem 19 mm de diâmetro, e o cilindro do Gol, apenas 17mm.

Dica 2 :
“Nunca se deve travar o tensor da correia Poly-V com chave de fenda. Essa pratica pode danificá-lo, fazendo a correia patinar”, diz Cláudio Cobeio, da Cobeio Car.

Dica 3 :
“É sempre recomendável verificar a posição correta da instalação da correia Poly-V. Caso ela fique folgada, a resistência causada pelo compressor do ar-condicionado pode fazê-la patinar, deixando o ar sem ação”, conta Eduardo de Freitas, da Ingelauto.

Dica 4 :
“A válvula sensível a carga é o item que mais sofre com o abandono da manutenção do sistema de freios [falta de troca do fluído] . Essa válvula pode ser substituída por duas outras equalizadoras. No mercado, há um kit com as duas peças”, explica Aleksandro Viana, do Grupo Sahara.

Dica 5 :
Durante o alinhamento, é recomendável deixar a cambagem 0,5° negativa em cada lado, pois isso será corrigido com o veículo em marcha.

Dica 6:
Cuidado com as velas e ponto de ignição errados, pois eles causam erros de parâmetros para o módulo. Esses problemas serão gravados na memória e só serão apagados com o auxilio do scanner e com a instalação de peças corretas.

Dica 7:
Ao retornar os cilindros das pinças de freio, abrir o sangrador para que o fluido velho seja descartado, pois em veículos com ABS, quando isso não é feito, as válvulas eletrohidráulicas podem ser danificadas, deixando o veículo sem freio.

Dica 8:
Ao substituir os coxins do motor, tomar o cuidado de não trocar os lados de colocação dos mesmos, pois há especificações diferentes para esquerda e direita.

Dica 9:
Sempre verificar o cabo terra deste veículo. Uma das extremidades é fixada à caixa de transmissão, um local problemático para o aterramento, pois está muito suscetível à sujeira. Limpe a reaperte esse cabo.


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