Os efeitos colaterais causados pelas enchentes nos autos

Comuns no final do verão, enchentes podem provocar muitos problemas nos automóveis
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- A cena é lamentável, mas corriqueira. A cada fim de verão, chuvas torrenciais costumam provocar enchentes nas mal estruturadas cidades brasileiras. E, nas cenas assustadoras de alagamentos geralmente transmitidas pelas emissoras de televisão, volta e meia aparecem carros boiando em ruas transformadas em rios.

Alguns corajosos motoristas até conseguem superar essas enchentes sem o carro apagar no meio da água. Mas, mesmo depois de atravessar uma enchente com aparente sucesso, não há garantias de que o carro não tenha sofrido alguma avaria.

"As várias centrais eletrônicas podem ser danificadas com um volume de água muito grande, mas a primeira providência é constatar se entrou água no sistema de lubrificação do motor. É o que pode ocasionar o calço hidráulico", alerta Paulo Roberto Garbossa, consultor da ADK Automotive.

O calço hidráulico é a mais famosa sequela que um carro pode sofrer após atravessar um alagamento. É o que ocorre quando a água força a entrada através do escapamento e chega ao motor.

Com isso, o pistão, que deve apenas comprimir ar, quando sobe encontra água, uma substância difícil de comprimir. E então pode ocorrer a chamada quebra da biela. "Quando os pistões ficam impedidos de se deslocarem livremente pelos cilindros, isso afeta virabrequim, biela e pistões e provoca o travamento do conjunto", explica o engenheiro Felício Félix, analista técnico premium do Cesvi Brasil – Centro de Experimentação de Segurança Viária.

O próprio proprietário do veículo pode ficar atento ao comportamento do carro após passar pelo trecho alagado. Segundo engenheiros, a água é capaz de provocar problemas em diversos componentes do carro, inclusive no motor, até 5 mil quilômetros depois da situação. Por isso, é recomendável verificar alguns itens. Um deles é o filtro de ar. "Folhas ou barro dentro do filtro são sinais de que a água pode ter entrado no sistema", ressalta Reinaldo Nascimbeni, supervisor de serviços técnicos da Ford. "No caso de ter acúmulo de água, o indicado é retirar o filtro e enxugá-lo e depois, eventualmente, efetuar a troca da peça", sugere Carlos Henrique Ferreira, consultor técnico da Fiat.

Barulhos diferentes no motor também são um sinal de que a água pode ter provocado estragos.

O próprio estado do óleo dá sinais de que algo está errado. Se ao puxar a vareta o óleo está com uma aparência e textura que lembram maionese, por exemplo, provavelmente entrou água no sistema. As correias podem apresentar ruídos, sinal de ressecamento e risco de rompimento. Os componentes elétricos também merecem atenção, pois há perigo de curtos. "Os componentes elétricos geralmente são muito bem vedados, mas é bom sempre checar. E ainda verificar a parte funcional do veículo, como lâmpadas e buzina", orienta José Fernando Penteado, colaborador do Comitê de Veículos Leves da SAE Brasil – Sociedade de Engenheiros da Mobilidade.

Uma verificação na parte de baixo do automóvel é quase obrigatória. Afinal, a água costuma arrastar lixo e toda sorte de objetos.

Recomenda-se colocar o carro em um elevador para fazer uma pequena vistoria. "Importante ver o assoalho por baixo do carro, se ficou alguma marca ou se algo ficou preso no filtro de combustível, o que pode gerar problemas de funcionamento em outros sistemas. Galhos de árvore também podem ficar próximos à suspensão ou alojados na grade do radiador", salienta Felício Félix, do Cesvi Brasil.

Instantâneas

# Alguns câmbios de automóveis têm uma janela perto da embreagem, onde pode entrar água.
Segundo especialistas, a embreagem pode chegar a patinar por um tempo, mas depois o sistema seca normalmente.
# Durante travessia de um trecho alagado pode haver perda de aderência da correia auxiliar – correia poly-v –, que pode não tracionar e afetar o funcionamento da direção hidráulica e do motor por conta da tensão do alternador. Mas, geralmente, trata-se de um problema temporário, que se normaliza em poucos minutos.
# Os rolamentos são protegidos com retentores e não são atingidos pela água.
# Após a enchente também orienta-se verificar se a água ficou acumulada em alguma parte do veículo: cantos, contornos de carroceria e afins, pois a água pode provocar corrosão.

Missão pantanosa

A recomendação é unânime. O melhor mesmo é evitar atravessar trechos alagados e esperar a água baixar. Mas existem as dicas básicas caso seja inevitável encarar as enchentes com o carro.

Primeiro, uma análise visual da situação. Se a água cobriu mais da metade da roda dos carros, a travessia torna-se muito arriscada. Para encarar a água, por sua vez, o ideal é engatar uma marcha baixa – primeira ou segunda –, manter a aceleração constante, uma velocidade máxima de 15 km/h e, de preferência manter as rotações entre 2.500 e 3 mil giros. "De forma alguma trocar de marcha, ou reduzir e depois acelerar. Essas mudanças podem gerar ondas e o sistema aspirar água", alerta Carlos Henrique Ferreira, consultor técnico da Fiat.

Depois de atravessar a enchente, é bom ficar atento aos freios. A água pode encharcar pastilhas e lonas de freio, prejudicando a eficiência da frenagem em um primeiro momento. Por isso, recomenda-se trafegar em baixas velocidades e frear de forma constante o veículo. "O que deve ser feito é pisar no freio levemente, sem frear totalmente o carro, para aquecer o disco e as lonas, por uns 40 ou 50 metros. Esta prática limpa, inclusive, a sujeira acumulada no disco e lonas", explica Paulo Roberto Garbossa, consultor da ADK Automotive.

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