Perigoso pra cachorro

Cinto de segurança para cães e outros cuidados com animais de estimação no carro são fundamentais para evitar acidentes e multas.
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Adriana Bernardino
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- Pêlos contra o vento, sem lenço, sem documento. Tornou-se corriqueiro ver cachorros passeando de carro com seus donos, ora pendurados no vidro do passageiro, ora no colo do motorista, ora pulando pelos bancos. Apesar de comum, esse modo de transportar animais não é o mais seguro nem está dentro da lei.

Por serem instáveis e inquietos, os animais podem atrapalhar a concentração do motorista, indo parar entre suas pernas, por exemplo, o que aumenta muito o risco de acidentes.

Susto que ilustra bem esse perigo foi vivido pela gerente de produtos Dálete Yamakawa. Ela conta que viu o motorista do carro ao lado perder o controle na direção por causa do cachorro que ele transportava no colo. “O animal estava tranqüilo até ver um outro do outro lado da rua. Depois disso, começou a pular por todos os lados e a latir sem parar, tentando saltar pela janela. A mulher que estava no banco do passageiro se projetou para lado do motorista, tentando segurar o cachorro. O homem ficou completamente sem direção e veio para cima do meu carro. Se eu não estivesse atenta, certamente teria colidido”, afirma Yamakawa.

Outro fator perigoso é, ao ocorrer uma brecada brusca, o animal ser arremessado contra os ocupantes do veículo.

O assunto é tão sério que virou campanha na Inglaterra pela Royal Society for the Prevention of Accidents RoSPA, uma entidade voltada à prevenção de acidentes, e pela People’s Dispensary for Sick Animals PDSA, organização que cuida de animais “carentes”.

Segundo informações divulgadas no folheto da campanha, um cachorro de 25 quilos arremessado para frente a uma velocidade de 50 km/h se choca com o que encontrar como se fosse nove homens de 76 quilos; ou seja, causa traumas suficientes para matar uma pessoa. Outro problema é que, no momento do acidente, um cão pode ter reações inesperadas, como atacar as pessoas que se aproximarem para ajudar, provocar colisões com outros carros ou se machucar.

Para evitar tais ocorrências, o artigo 252 do Código Brasileiro de Trânsito pune aquele que dirigir com o animal entre si e a porta, ou acomodado entre seus braços e pernas, com quatro pontos infração média e multa de 80 UFIRs. Já o artigo 235 do mesmo Código estabelece que é proibido levar animais na parte externa do veículo. Neste artigo se enquadram aqueles que transportam o animal na caçamba de um picape, sem segurança ou preso por corrente que o possibilite atacar alguém; em gaiolas ou caixas sobre o teto do veículo sim, há pessoas que fazem isso. Motoristas que levam o cachorro do lado de fora do carro, pela coleira, com a finalidade de exercitá-lo sim, há pessoas que também fazem isso, igualmente sofrem punição, quando pegos. A infração é grave cinco pontos da carteira, gera multa de 120 UFIRs e retenção do veículo para transbordo.

O que fazer

A forma correta de se trafegar com animais no carro é no banco traseiro, desde que retidos por alguns dos objetos abaixo:

Cinto de segurança para os cães – projetado para se encaixar no cinto de segurança do automóvel, o produto dá segurança ao cão e aos passageiros, pois permite que ele se deite ou se sente, mas impede que ele pule para o banco da frente ou pela janela. O preço do cinto varia entre R$ 40 e R$ 80, de acordo com o tamanho do animal.

Caixa de transporte ou gaiola – se adequadas ao tamanho do animal, são confortáveis e seguras. Devem ficar presas pelo cinto de segurança ou fixadas no chão do carro.

Grades de proteção – importadas da Inglaterra, as grades especiais de aço também são uma boa opção. Elas podem ser usadas em qualquer veículo com bancos rebatíveis. O manual de instrução é em português.


Esses cuidados são válidos também para gatos, que podem ser levados em caixas de transporte feitas sob medida para o animal. Prefira as que têm alça, ventilação e travas.

Com tantas opções, não é preciso deixar de levar seu animal de estimação para passear, apenas adotar procedimentos para a segurança de todos os passageiros.

Viajando com segurança

Para quem vai um pouco mais longe com animais no carro, os cuidados redobram.


Confira as dicas da veterinária Clarissa Niciporciukas clarissa@usp.br para viajar tranqüilo:

Se o animal for filhote ou idoso mais de 8 anos, consulte um veterinário;

- viagens a áreas rurais ou praianas pedem medicação adequada para prevenir doenças. As interestaduais exigem atestado de saúde e guia de trânsito animal também fornecida pelo veterinário;

- vacinas e vermífugos devem estar em dia;

- se o bicho tem enjôo, estresse ou excitação, o veterinário pode receitar medicamentos e dar dicas de treinamento para o animal se acostumar ao carro;

- para evitar que o animal enjoe no carro salivação ou vômitos, não o alimente quatro horas antes de sair se for filhote, três horas;

- se o animal for predisposto a vomitar dentro do carro em movimento, uma receita natural, que pode ser dada por via oral meia hora antes da viagem, é uma fatia bem fina de raiz de gengibre;
- a refeição no dia da viagem deve ser leve em quantidade reduzida;

- para aumentar a estabilidade do cão, coloque um tapete antiaderente no chão da caixa de transporte, coberto com jornal ou fraldinha;

- gatos preferem caixas de transporte de tecido;

- não coloque o animal na caixa apenas na hora de viajar. Acostume-o a ela algum tempo antes da viagem;

- a caixa deve ser grande o suficiente para que o animal consiga ficar em pé e se virar;

- identifique o animal com uma plaquinha presa à coleira;

- muitos cães adoram ficar com a cabeça para fora do carro, tomando um ventão nas orelhas, mas isso pode causar otite e infecções respiratórias em animais predispostos;

- não se esqueça de abastecer seu cão, principalmente em viagens longas e quentes. Pare a cada duas ou três horas para ele beber água, urinar e “esticar as patas”;

- pare o carro sempre na sombra, deixe as janelas abertas o suficiente para ventilar – sem que o cão consiga escapar ou ficar preso no vão – , e feche bem as portas, já que o sol, mesmo com vidros abertos, pode fazer mal aos animais;

- durante uma viagem, gatos não devem sair da caixa de transporte, pois, se estiverem estressados com movimento, barulhos e situação nova, eles podem fugir;

- se for difícil fazer com que o gato beba água devido ao estresse, dê a ele o caldinho de uma ração úmida latinha ou semi-úmida sachet;

- cuide para que o animal urine antes de sair, pois dificilmente ele o fará durante a viagem. Tempo prolongado sem urinar predispõe a infecções urinárias e obstrução de uretra;

- seja qual for a espécie, acostume seu animal de estimação viajar de carro desde cedo. Assim, ele não vai enjoar, ter medo ou ficar muito estressado.

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