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Fiat Linea se renova para encarar os sedãs compactos

Sedã ficou mais atraente, mais barato, ganhou atualização no visual, mas devia ter deixado o câmbio automatizado de lado


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No último mês, a Fiat apresentou à imprensa o Linea reestilizado e admitiu que o preço praticado durante o lançamento, em 2008, frustrou as vendas. Por isso, com as mudanças estéticas veio um novo posicionamento. Mais em conta, o sedã que chegou para enfrentar Toyota Corolla e Honda Civic, agora competirá no andar de baixo, com Ford New Fiesta Sedan, Honda City, entre outros.

Para entender se a estratégia dará certo, o WebMotors retirou o “novo” Linea para teste por uma semana. A versão escolhida foi a Essence, que é a de entrada e parte de R$ 55.850. Na época do seu lançamento, há cinco anos, o modelo começava em R$ 60.900.

A unidade cedida trazia alguns opcionais que encareceram o veículo. O kit com o câmbio automatizado Dualogic Plus, que traz aletas atrás do volante para troca de marchas, custa R$ 3.458. Já o Kit Emotion Plus, que também foi instalado no modelo avaliado e acrescenta bancos parcialmente revestidos em couro, apoio de braço central, rodas de liga leve aro 17, saída de ar para o banco traseiro e sensor de estacionamento, custa mais R$ 4.147. Por último, o Kit Full 1, soma aos equipamentos ar-condicionado digital, retrovisor eletrocrômico, sensores crepuscular e de chuva por R$ 1.824.

Com todos estes equipamentos, o Linea fica bastante recheado, trazendo inclusive muitos elementos presentes apenas em sedãs do porte do Toyota Corolla, mas cobra um preço final de R$ 65.279.

Se o Linea é competitivo para brigar no andar de cima, para disputar com os novos rivais o modelo da Fiat não terá vida fácil. O Ford New Fiesta Sedan, por exemplo, tem preço tabelado a partir de R$ 53.190 e pode chegar aos R$ 63.290 na versão Titanium topo de gama (com câmbio automatizado de dupla embreagem). Já o Honda City (que está prestes a ser remodelado) começa em R$ 50.990 e vai até R$ 64.990 (EX com câmbio automático).

Por R$ 56.990 é possível retirar da concessionária um Chevrolet Cobalt 1.8 16V LTZ (versão top de linha) com câmbio automático de seis velocidades. Já o Volkswagen Polo Sedan em sua configuração mais recheada (Comfortline com motor 1.6 e câmbio automatizado I-Motion) parte de R$ 54.070.

Ou seja, o Linea tem um preço bem amigável quando comparado a Honda Civic e sua turma, mas não terá moleza na nova categoria. Nem mesmo o amplo espaço interno, que era um dos diferenciais do modelo na época do seu lançamento, chega a ser uma grande vantagem hoje (haja visto que os sedãs compactos não estão mais tão pequenos assim). O Chevrolet Cobalt, por exemplo, tem 2,62 metros de entre-eixos (que serve para medir o conforto a bordo), enquanto o Linea 2,60 metros.

Porém, o conforto é bom para até quadro adultos. Os opcionais instalados ajudam na sensação de bem-estar dentro do Linea. O novo desenho do painel lembra o do Punto, as peças têm bom encaixe e o plástico utilizado no preenchimento é de boa qualidade. Talvez alguns estranhem o tom bege empregado na versão que recebe o kit Emotion Plus, que não é muito usual nos carros brasileiros. O jogo de rodas aro 17, apesar de grandes e gerarem algum desconforto ao rodar, deixaram o Linea mais ‘classudo’.

Mecânica

A Fiat mexeu no preço e no visual do Linea, mas não na sua parte mecânica. O motor 1.8 16V Flex foi mantido, o que é um ponto positivo. Abastecido com etanol, o propulsor é capaz de gerar até 132 cv de potência máxima e um bom torque máximo de 18, 9 kgfm a altos 4.500 rpm. Segundo a fabricante, o modelo é capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em 9,9 segundos, quando abastecido com etanol. Já a velocidade máxima nesta condição é de 192 km/h.

No dia a dia não é de se duvidar que o Linea consiga chegar até estas marcas ou próximo delas. O motor responde com disposição ao toque no pedal do acelerador e ultrapassagens não são um problema nem mesmo em rodovias vicinais. Já o consumo de combustível está na média da categoria. Rondando na cidade, o Linea cravou 7,1 km/l quando abastecido com etanol e quase 10 km/l na estrada, com o mesmo combustível.

Câmbio não está à altura

A Fiat fez melhorias recentemente em seu câmbio automatizado Dualogic e acrescentou o sobrenome Plus à engrenagem. Porém, nem mesmo com este upgrade, que suavizou um pouco o tranco durante as trocas de marchas, foi suficiente para deixar o equipamento em pé de igualdade com modelos que utilizam uma caixa automática, como o Chevrolet Cobalt.

O câmbio definitivamente não está à altura do Linea. Este foi um dos pontos de crítica durante o lançamento do veículo em 2008 e agora, mesmo competindo em uma categoria inferior, não dá para ser diferente. O condutor é obrigado a se acostumar com os ‘socos nas costas’ sempre que houver uma troca de marcha.

O equipamento ainda engasga quando se está manobrando, situação em que se coloca marcha ré e primeira, fica indeciso no anda e para dos congestionamentos e, de vez em quando, simplesmente deixa de selecionar uma marcha para se avançar. Para tentar diminuir o problema, o condutor deve optar por trocar as marchas manualmente por meio das borboletas atrás do volante ou maneirar no acelerador. Quem se esquecer de seguir uma destas duas receitas será penalizado com um belo tranco.

O novo posicionamento de preços e as novidades estéticas do Linea sem dúvida melhorará as vendas do modelo (a Fiat estima eu crescimento de até 30%), mas é pouco para torna-lo um ‘best-seller’ nas concessionárias. Por fim, se for levar um Linea para casa, prefira a versão com câmbio manual.

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