Não mexa com ele: Fiat 500 Abarth

Por trás da carinha fofa, vive um monstrinho nervoso pronto pra devorar carrões


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Você com certeza já ouviu uma história em que o motorista de um carrão precisou buscar seu queixo no chão depois de ficar pra trás de um compacto na saída do semáforo. É claro que, pelo código de ética do politicamente correto, ninguém deve fazer isso: mas a gente sabe que acontece. Pois desde o fim do ano passado, a chance do carro que interpreta a força menor nessa batalha ser um Fiat 500 é gigante, graças à versão Abarth.

 

O nome Abarth dispensa apresentações e não nos prolongaremos nisso. E o sobrenome é responsável pela cara, ronco e desempenho de dar inveja à modelo maiores. A linhagem nobre deu novo motor pro compacto: no lugar do 1.4 EVO de até 88 cv, entra o mesmo 1.4 turbinado do Punto T-Jet - a unica mudança é o cabeçote com tecnologia MultiAir. Movido somente à gasolina ele produz 167 cv a 5.500 rpm e 23 kgf.m entre 2.500 rpm e 4.000 rpm.

 

Os números já são relativamente impressionantes. Se pensar que eles estão dispostos em uma carroceria de 1.164 kg – 6,9 kg/cv - e entre-eixos com 2,30 m, tudo pode ficar ainda mais divertido. E quando você vê a carroceria calçada nas belíssimas rodas de 16 polegadas pintadas em grafite, parachoques redesenhados, difusor traseiro, saída dupla de escape e as inscrições Abarth na lateral, dianteira e na traseira é difícil conter a ansiedade. Apesar da perfumaria, o exterior do Abarth não é exagerado: chama a atenção, é claro, mas não vende nada a mais do que ele realmente é.

Por dentro, os bancos são concha revestidos em couro com costuras vermelhas, assim como o volante e a manopla de câmbio. Vire a chave e o painel digital no meio do painel é contornado por bandeiras quadriculadas. Diferente de fora, o interior é mais sóbrio. Tudo que foi feito visou melhorar a ergonomia do motorista, que apresenta algumas falhas na posição de dirigir. E ela ainda não é a perfeita para um esportivo compacto, mas devemos reconhecer o esforço empregado dentro de uma cabine tão pequena. Os bancos, alías, seguram bem e são confortáveis para quando você não quiser acelerar – achar esse meio termo não é tão fácil assim.

Chegou a hora de acelerar, o 500 Abarth ostenta um relógio que marca a pressão do turbo à esquerda do painel. E prestar atenção nele é essencial para tirar o máximo desse hot hatch. Diferente de outros carros com motor turbo de baixa cilindrada -  como Volkswagen up! TSI, por exemplo -  a turbina está ali para melhorar os km/h e não os km/l. Ela começa a encher logo na casa dos 2.000 rpm e mantém seu pico de 0,8 kg de pressão até os 4.500 rpm. Portanto, a faixa de maior fôlego do 500 está aí nesse regime.

 

Como isso reflete no desempenho do carro? Saindo com motor cheio vem a patada que te gruda no banco, mas chegando próximo à linha de corte a turbina passa a lançar cerca de 0,5 kg de pressão, e aí o chiuaua nervoso aparenta um pouco de cansaço. Eis que então, outra lição aprendida com o Abarth: o botão Sport realmente faz diferença. Ao acioná-lo, além dos números maiores no painel e controle de tração e estabilidade mais permissivos, a direção elétrica fica mais pesada, o acelerador mais responsivo e a turbina passa a injetar 1,2 kg de pressão para o bloco de 1.4 litro. Nessa configuração a Fiat promete que o Abarth alcançe os 100 km/h em 6,9 s, menos que um Volkswagen Jetta TSI com motor 2.0 turbo de 211 cv.

E se na reta ele já vai bem, nas curvas ele mostra seu grande valor. Para ser chamado de Abarth, o 500 ganhou novo conjunto de suspensão com molas e amortecedores mais rígidos. A carroceria do 500 já é naturalmente rígida contra a torção, com a nova configuração e pneus 195/45 R16 ele fica ainda mais grudado no chão. Ele contorna as curvas com firmeza e mesmo tirando o pé no meio da trajetória, quando normalmente carros de tração dianteira perdem estabilidade e a traseira desgarra, ele é preciso para as correções e passa confiança até pra quem não está familiarizado com ele. Nas frenagens, a resposta é a mesma, tudo no lugar bem próximo do chão e pronto para qualquer mudança de direção. Mas ele é nervoso, erre a dose do acelerador que os 167 cv te puxam para onde você menos esperar.

 

A parte ruim desse acerto de suspensão firme e preciso é que você sente cada imperfeicão do solo direto na sua lombar. As pancadas de batente são frequentes e se acelerar muito em uma ondulação, prepare-se para tirar a bunda do assento e cuidado com a cabeça no teto solar.

Pela sua proposta esportiva, o Abarth não é tão amigável ao uso diário. Apesar do ar digital, sistema de som da Beats e rádio com conexão Bluetooth, ele também peca pela falta de sensor de estacionamento – não que seja difícil estacioná-lo. Entenda a reclamação: o 500 Abarth parte de R$ 94.900 na linha 2015, chegando a R$ 100.355 com todos os opcionais (som e teto solar elétrico).

 

O Fiat 500 Abarth se desenha como uma ótima opção de segundo carro para quem tem muito dinheiro e vontade de acelerar. Para sair da mesmice no fim de semana, no track day ou até para chegar no trabalho com um sorriso no rosto, ele com certeza não irá te decepcionar. E cuidado com os semáforos: eles podem te deixar muito orgulhoso.

Confira também nosso vídeo exclusivo com o monstrinho:

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