Leapmotor C10 REEV fica (bem) mais barato no Programa para motoristas de Uber e táxi
Único carro com extensor de autonomia à venda no País, Leapmotor C10 parte de R$ 168.090 no programa Move Brasil
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O Leapmotor C10 já está à venda no Brasil há quase um ano, mas acaba de ganhar um novo argumento para chamar a atenção de quem trabalha com transporte: o SUV com tecnologia REEV, sigla em inglês que representa sua tecnologia de extensão de autonomia, passa a custar R$ 168.090 no programa Move Brasil Táxi e Aplicativos. A condição coloca o C10 em uma faixa de preço bem competitiva entre SUVs eletrificados.

Mais importante que o desconto, porém, é o fato de o Leapmotor C10 ainda ser, por ora, o único carro com tecnologia REEV à venda no Brasil. A sigla vem de Range Extended Electric Vehicle e identifica veículos nos quais o motor elétrico é responsável por movimentar as rodas, enquanto um a combustão funciona como gerador para produzir energia e alimentar a bateria. Em outras palavras, é um híbrido que funciona de maneira diferente.
Como funciona o sistema REEV do Leapmotor C10?
É uma solução diferente da utilizada por híbridos convencionais. Nestes, o motor a combustão pode tracionar as rodas. No Leapmotor C10 REEV, isso não acontece: quem efetivamente movimenta o SUV é o motor elétrico. Como falamos, o propulsor a combustão entra em cena para gerar eletricidade quando necessário.

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Na prática, esse sistema tenta resolver uma das principais limitações dos carros elétricos: a necessidade de parar para recarregar a bateria em viagens mais longas. Como existe um gerador a bordo, o motorista pode rodar mesmo quando não há um carregador disponível. Ao mesmo tempo, o C10 também pode ser recarregado na tomada e utilizado no dia a dia como um carro elétrico.
O curioso é que, embora o Leapmotor C10 seja atualmente o único representante no mercado brasileiro com esse tipo de tecnologia, ele não foi o primeiro a fazer isso por aqui.
BMW i3 já tinha extensor de autonomia
Quem tem boa memória talvez se lembre do BMW i3. Vendido no País na década passada, o compacto da marca alemã chegou a ser oferecido por aqui na configuração REx, abreviação de Range Extender.
O princípio era praticamente o mesmo do Leapmotor C10: o i3 era um carro elétrico, com motor a bateria responsável pela tração, mas recebia um pequeno motor a gasolina cuja função era gerar eletricidade para ampliar a autonomia.
Naquela época, no entanto, essa solução era uma espécie de curiosidade tecnológica em um mercado no qual carros elétricos ainda eram raríssimos. Agora, porém, o cenário mudou: a eletrificação avançou, as baterias ficaram maiores e o consumidor brasileiro passou a ter muito mais contato com veículos híbridos e elétricos.
E foi justamente devido a esse contexto que a tecnologia REEV começou a ganhar uma nova oportunidade.

Leapmotor B10 será o próximo
O próximo representante da própria Leapmotor com tecnologia REEV será o B10. O SUV menor que o Leapmotor C10 terá uma versão com extensor de autonomia para o mercado brasileiro, para ampliar a presença da marca no mercado, atacando em um segmento de ainda maior volume.
A lógica será a mesma: propulsão elétrica nas rodas e um motor a combustão como gerador. Com isso, a Leapmotor deverá ter até a virada do ano dois modelos equipados com extensor de autonomia, em tamanhos e faixas de mercado diferentes.
Mesmo assim, vale lembrar que a estratégia da empresa vai além dos modelos importados. O Grupo Stellantis prepara a produção nacional de Leapmotor C10 e B10 em Goiana (PE) e também já trabalha no desenvolvimento de uma tecnologia REEV flex, que permitirá utilizar o motor gerador compatível com gasolina e também com etanol – ou qualquer mistura entre os dois combustíveis.
A solução é particularmente interessante para o Brasil porque mantém a característica de condução elétrica dos REEV, mas aproveita a infraestrutura já existente de combustíveis. A expectativa é que C10 e B10 nacionais possam receber essa tecnologia ainda este ano, com estreia no mercado prevista para o começo de 2027.

Jeep pode entrar no meio
A própria Stellantis também já sinalizou que pretende levar a tecnologia para outros produtos além dos Leapmotor. Entre as marcas do grupo, a Jeep aparece como uma das candidatas naturais a receber a solução, especialmente por sua forte presença no segmento de SUVs.
Ainda não há, porém, uma confirmação oficial de qual modelo da Jeep vai utilizar o sistema – a expectativa é de que a nova geração do Jeep Compass seja o primeiro a oferecer o conjunto, também já adaptado ao uso bicombustível. O novo Jeep Compass deve estrear no Brasil entre o final de 2027 e início de 2028.
Isso significa que o C10 ocupa hoje uma posição curiosa no mercado: o SUV não é novidade e já está nas lojas há quase um ano, mas ainda é o único representante de uma tecnologia que pode deixar de ser rara por aqui em poucos meses.
BAIC também terá carros REEV
As marcas do Grupo Stellantis como Leapmotor e Jeep não serão as únicas a apostar nessa configuração de tecnologia. A BAIC, que já começou a estruturar sua operação brasileira – a empresa teve estande e revelou seus planos durante o Festival Interlagos, em agosto -, também prepara modelos que poderão utilizar tecnologia de extensor de autonomia.
Um dos nomes no radar é o do Arcfox T5, SUV que tem versões elétrica e híbrida de longo alcance (chamada de “EREV”) em outros mercados. A marca também já trabalha com uma estratégia de ampliação de portfólio no Brasil, o que pode colocar mais opções desse tipo nas ruas nos próximos anos.
Em resumo, a chegada de novos fabricantes é importante porque o cliente brasileiro passa a ter novos e diferentes tipos de interpretações da mesma ideia: um carro que se comporta como elétrico, mas que tem um motor a combustão para produzir energia quando a bateria precisar ser abastecida.
Se os planos de Leapmotor, Jeep (e possivelmente outras marcas do Grupos Stellantis) e BAIC avançarem como previsto, o C10 deverá deixar de ser o único REEV do País. E isso é ótimo para o consumidor.
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