Semana Nacional do Trânsito tem bem pouco a comemorar
Apesar de campanhas educativas, trânsito brasileiro ainda enfrenta problemas de fiscalização, segurança pública e legislação
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Realizada sempre de 18 a 25 de setembro, a Semana Nacional do Trânsito é uma inciativa de mérito do Sistema Nacional de Trânsito. Este ano, há ações da Secretaria Nacional de Trânsito, da Polícia Rodoviária Federal, prefeituras, escolas e concessionárias de rodovias voltadas para a educação para o trânsito e respeito às normas de circulação.

Destaque para o Observatório Nacional de Segurança Viária pela campanha educativa “O que a pressa não deixa você ver”. Foca em diferentes atores do trânsito e reforça atitudes de cuidado, respeito e responsabilidade, como manter distância, respeitar pontos cegos e ter paciência.
Trânsito não deveria ser campo de guerra
No entanto, há assuntos que se arrastam sem solução efetiva.
Um deles é o uso indiscriminado de películas escurecedoras nos vidros dianteiros, que muitos motoristas usam por medo de assaltos e da onda atual de gangues quebra-vidros.
Difícil achar uma solução, pois a falta de fiscalização contínua com medidores de transmitância luminosa acaba por reconhecer indiretamente que existe um grave problema de segurança pública.
Outra situação embaraçosa é sobre leis municipais que proíbem a atuação de guardadores de carros (conhecidos como “flanelinhas”) para achacar motoristas em estacionamentos nas vias públicas.
Contudo, há uma regulamentação federal desde 1975 que permite a atuação de guardadores registrados. Um destes “flanelinhas”, acredite, apelou ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Desde meados do ano passado, a prefeitura de Porto Alegre (RS) defendeu sua competência neste assunto e até agora não houve decisão final. E esse tipo de impasse desvia a atenção da segurança de trânsito, que realmente importa.
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Uma boa comemoração vem do exterior: a União Europeia (UE) celebra agora 30 anos de legislação sobre segurança veicular.
Normas rigorosas de testes de colisão entraram em vigor em 1998 – o número anual de mortes no trânsito foi reduzido em mais de dois terços: passou de 64 mil para 19.400, em 2025. Além disso, o número de feridos graves caiu de meio milhão para cerca de 100 mil. Ou seja, quase 900 mil vidas foram poupadas ao longo destes 28 anos.
