Dirigir depois dos 60 anos

Esclareça principais dúvidas sobre guiar na terceira idade
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Adriana Bernardino
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- Hoje é comemorado o Dia dos Aposentados. Eles ultrapassaram os arrebatamentos da adolescência. Arrancaram frente às incertezas da vida adulta. Agora, desviam dos declives da maturidade, mas nem pensam em colocar a vida no piloto automático. E com razão. Com os devidos cuidados, é possível manter a independência e o prazer de dirigir na terceira idade.

Em entrevista ao site WebMotors, a mestre em Gerontologia pela Unicamp, Elisandra Villela Gasparetto Sé, pesquisadora colaboradora no Ambulatório de Psiquiatria Geriátrica e do Ambulatório de Geriatria e Gerontologia do Hospital das Clínicas da Unicamp, esclarece as principais dúvidas sobre direção e terceira idade.


WebMotors - Com que idade uma pessoa é considerada idosa?

Elisandra Villela Gasparetto Sé - Do ponto de vista sócio-cultural e político-econômico uma pessoa é considerada idosa aos 65 anos nos países desenvolvidos, e 60 anos nos países em desenvolvimento. O critério cronológico é adotado devido à dificuldade de se estabelecer nossa idade biológica. Com o aumento da expectativa de vida em todo o mundo, esse limite de idade poderá se modificar. O que importa mesmo é a idade funcional, isto é, a capacidade para realizar de forma plena as demandas do dia-a-dia, o senso subjetivo de idade, como o indivíduo se sente do ponto de vista funcional, social e psicológico. Fatores como sexo, classe social, saúde, educação, fatores de personalidade, história individual e contexto sócio-econômico mesclam com a idade cronológica. Por isso, a velhice é uma experiência heterogênea.

WebMotors - Quais problemas podem representar um risco ao motorista idoso?

Elisandra Villela Gasparetto Sé - As doenças mais comuns são a perda auditiva relacionada ao processo de envelhecimento e perda visual.

A deficiência auditiva pode causar riscos de acidentes, uma vez que a audição é uma função importante na direção defensiva: o motorista deve estar atento aos sons do seu próprio veículo e dos demais, sons do ambiente urbano, buzina, motocicletas etc. Entre as habilidades primordiais na avaliação para a renovação de carteira de habilitação, deve-se incluir a avaliação da audição e a verificação da necessidade do uso de prótese auditiva.

O mesmo ocorre com a visão, uma pessoa com a baixa acuidade visual pode oferecer riscos e perigos para ele próprio e demais pessoas. A visibilidade no trânsito é importante na identificação das placas, na orientação espacial, cuidado com bicicletas, faixas, na definição e contraste claro-escuro, dirigir à noite, sob neblina, referências no trajeto e coordenação visuo-espacial, principalmente nas avenidas muito movimentadas e estradas.

WebMotors - E os quadros mais graves?

Elisandra Villela Gasparetto Sé - Entre as doenças mais graves que representam fortemente a insegurança viária de idosos estão as demências. A principal é a doença de Alzheimer, que é bastante prevalente na população acima de 70 anos e cujos sintomas principais são a perda de memória entre outras funções mentais, o que dificulta a pessoa de realizar de forma adaptativa algumas tarefas do dia-a-dia. O indivíduo pode apresentar dificuldades em se orientar na via, nas curvas, na ultrapassagem, estacionar, esperar o momento de atravessar o sinal, ver os retrovisores, sinalização, ler e entender o que uma placa significa, coordenar os movimentos e a visão, obedecer à quilometragem, tomada de decisão e utilizar os reflexos para reagir de forma rápida e adequada no trânsito frear, acelerar, desviar. Nestes casos, os riscos mais graves para o idoso motorista é perder o controle do volante, sair da estrada, ficar confuso no trajeto, ziguezaguear ou trafegar na contramão. A doença de Parkinson também causa alterações motoras.

WebMotors - Como reconhecer os sintomas dessas doenças?

Elisandra Villela Gasparetto Sé - Os sintomas de demência, na maioria dos casos, são percebidos pelos familiares quando o idoso apresenta dificuldades de memória, de linguagem e de realizar tarefas básicas do cotidiano. Os problemas de memória vão se agravando e interferindo de forma significativa nas atividades diárias. O processo de declínio cognitivo é acompanhado às vezes de dificuldade de autocrítica. A pessoa demora a reconhecer seu próprio estado de saúde mental, suas dificuldades e erros cometidos ao dirigir, negando tais situações, o que é difícil para a família manejar. Muitos idosos que apresentam tais dificuldades, e não a reconhecem, não querem deixar de dirigir, pois implicam perda da autonomia, independência, liberdade e privacidade.

WebMotors - Como a família deve proccaption nestes casos?

Elisandra Villela Gasparetto Sé - A família enfrenta o desafio de orientar e convencer o idoso de que ele necessita de uma avaliação ou, até mesmo, deixar de dirigir.
A avaliação para identificar se há declínio cognitivo deve ser feita antes de o idoso renovar a carteira de habilitação. Depois é levá-lo ao médico neurologista e explicar o que tem acontecido, as dificuldades que estão surgindo, os riscos etc.

As informações da família têm de ser precisas e são fundamentais para a tomada de decisão sobre a capacidade do idoso de participar ou não de forma ativa no trânsito. Se o idoso apresenta dificuldades na visão e audição e isto esteja comprometendo a sua aptidão em dirigir, é importante que a família também adote estratégias alternativas para a segurança da pessoa idosa, como, por exemplo, não deixar que saia sozinho ou dirigir durante a noite; ao dirigir em estradas, deixar que alguém leve ou busque-o no local; oferecer alternativas compensatórias, como a escolha de um meio de transporte e de melhores horas para seu uso.

Claro que as medidas restritivas não são bem vistas pela pessoa que terá de abandonar algo que sempre fez, mas a tomada de consciência das mudanças advindas com o avançar da idade, as estratégias compensatórias que poderá utilizar, é importante para a preservação da sua qualidade de vida, para eliminar os perigos de acidentes e maiores conseqüências. A família poderá ajudar nessa conscientização e explicar que aceitar a velhice não é a mesma coisa que se considerar velho.

Evitando acidentes

Para ter segurança no trânsito em qualquer fase da vida, é preciso seguir as normas, as leis de trânsito, respeitar os demais e dirigir com cuidado e responsabilidade.

Providenciar os cuidados com a saúde física e os cuidados mecânicos do veículo.

Pensar em estratégias que podem ser usadas nos casos de viagens: planejar o trajeto, pesquisar o melhor caminho, saber onde fazer as paradas. É aconselhável que pessoas idosas interrompam a viagem a cada 150 km.

As campanhas educativas também podem ajudar com informações, esclarecimento, conscientização e mudanças de atitudes no trânsito, além de orientação a trabalhadores de transportes públicos para que respeitem os direitos dos usuários idosos e dê a atenção devida que eles precisam.


Apoio: Confcaptionação Brasileira de Aposentados e Pensionistas
61 33263168

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