O lado comercial do Encontro de Lindóia

Segundo organizadores do IV Encontro Brasileiro de Autos Antigos, mais de 700 clássicos estavam à venda

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Redação WM1
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O IV Encontro Brasileiro de Autos Antigos, realizado entre os dias 20 e 23 de abril na cidade de Águas de Lindóia (SP), também se destacou pelo grande número de autos antigos disponíveis para venda. A organização do evento divulgou que foram mais de 700 veículos disponíveis para comercialização. Um enorme mercado de peças e antiguidades também fez parte do evento. Andando entre tantos veículos do passado, alguns chamaram a atenção e merecem destaque.

Começamos com pelo raro Cord Phaeton 1937, produzido nos Estados Unidos. Este exemplar chegou ao Brasil através de um distribuidor oficial da marca no Rio de Janeiro, na época então capital brasileira. Equipado com motor Lycoming V8, ele conta com o belíssimo desenho de Gordon M. Buehrig e traz suspensão dianteira independente, uma novidade para aquela época. Outra inovação foi o câmbio elétrico, conhecido no Brasil pelo nome Cotal. O acionamento é feito por uma pequena alavanca junto à coluna de direção, permitindo trocas de marcha apenas com um simples toque do dedo. O valor pedido pelo exemplar exposto foi de R$ 1,6 milhão, sendo um dos carros mais caros disponíveis para venda no encontro.

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Crédito: cord_phaeton_1937_para_venda_1.jpg

Outro clássico que encontramos foi a Mercedes-Benz 190L 1959. Inicialmente, a 190 SL foi exposta apenas como um conceito no Salão de Nova York, EUA, em fevereiro de 1954, mas logo a Mercedes aprovou sua fabricação, em 1955, no Salão de Genebra, na Suíça. Seu motor 1.9 de quatro cilindros, com eixo do comando de válvulas na parte superior do cabeçote, entregava 105 cv de potência. A Mercedes-Benz afirma que o veículo direcionou novos padrões para viagens confortáveis com comportamento esportivo. Quase 80% das 25.881 unidades produzidas foram comercializadas fora da Alemanha. Os EUA tiveram o mercado mais ativo, compreendendo mais de 40% das vendas. Um exemplar deste no Brasil pode valer até R$ 800 mil.

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Crédito: mercedes-benz_190_sl_para_venda_4.jpg

Encontramos também um Triumph Roadster, modelo produzido entre 1946 e 1948. O carro foi projetado nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial, pouco antes da Triumph ser comprada pela Standard Motor Company. O Diretor geral da marca, John Black, queria um carro esportivo para substituir o Jaguar, que usava motores padrão do período pré-guerra. Outro fato curioso, com a escassez de aço no início do pós-guerra, a carroceria teve que ser construída toda em alumínio.

Outro britânico de renome naquele mar de veículos expostos para venda era um Austin Healey MK III 1965. Com o estilo típico dos esportivos ingleses, o MK III era uma opção entre o MG TC Midget e o Jaguar XK 120. Com linhas simples e fluidas, ele foi o modelo mais luxuoso e sofisticado fabricado pela Austin Healey. O esportivo também foi o modelo mais potente produzido pela marca inglesa. O motor de seis cilindros em linha entrega 150 cv e trabalha em conjunto com o câmbio manual de quatro velocidades. Uma grande variedade de equipamentos adicionais, como o painel em madeira envernizada, acabamentos com couro, farol de milha, bagageiro, e uma capota conversível com uma operação mais prática, faziam a diferença em relação aos outros esportivos concorrentes da Austin Healey, o que torna o MK III em um dos modelos mais conhecidos e desejados da marca britânica, tanto que sua presença em filmes e programas de TV é quase uma constante quando o assunto é carro clássico.

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Crédito: autin_realey_mk_iii_1964.jpg

Não podemos deixar de citar a grande quantidade dos carros nacionais para venda, como os Volkswagen, Ford e Chevrolet. Muitos estrangeiros aproveitam esse momento para realizar negócios, como a exportação de alguns carros nacionais para o mercado norte americano ou europeu.

O Brasil, no entanto, pode explorar muito mais este setor. Encontros como o de Águas de Lindóia são ótimos para estimular este mercado. Nos EUA existem atualmente mais de 400 lojas especializadas em autos antigos, enquanto no Brasil temos em torno de 12. Além do antigomobilista realizar o sonho de ter um carro que remete geralmente a sua infância, os veículos acabam sendo um grande investimento, pois a valorização cresce rápido neste tipo de mercado.

 

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