Regras de etiqueta no carro

Das cacas de nariz a outras cacas, o que pode e o que não deve ser feito num automóvel
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Adriana Bernardino
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- Enquanto dirige, você costuma tirar caca do nariz ou cera do ouvido com a unha comprida do dedinho? Não abre a porta do carro para uma mulher? Vocifera palavrões, ainda que sozinho? Não cede o banco da frente para uma pessoa idosa? Ajusta o volume do carro como se estivesse dirigindo um trio elétrico? Costuma chamar de gostosa as moças bem-apessoadas que lhe cruzam o caminho? Joga lixo pela janela?

Hum... Meu amigo, ter respondido “sim” a algumas destas perguntas pode significar um mau sinal. Atitudes como as descritas demonstram em que rodas anda a má educação de cada um.

Como tudo na vida em sociedade, o trânsito tem regras, inclusive as de etiqueta. Isso não significa que você não possa ficar à vontade em seu próprio espaço neste caso, o carro. A questão é fazer a coisa certa no local certo. Não se trata apenas de refinamento, mas principalmente de educação. É menos frescura e mais gentileza. Menos grosseria e mais amabilidade. Aprender a se portar bem pode também garantir boas oportunidades. Já pensou se – ironia do destino – no banco do passageiro ou no carro ao lado está seu chefe ou futuro amor?

"As regras de etiqueta são essenciais para convivência. São elas que tornam a vida mais fácil, ajudam nos relacionamentos e dão à vida cotidiana elegância, harmonia e distinção", diz Ana Celeste Franco foto, professora da Faculdade da Amazônia Faz, gerente de Operações Comerciais da TV Liberal, em Belém do Pará e em mais oito municípios, além de ser organizadora de eventos sociais e empresariais.

Dicas simples podem melhorar o cotidiano sobre quatro rodas. “O ideal é que o som do carro fique desligado se você estiver acompanhado. Braços e pernas para fora, além de deselegante é perigoso. Quando se entra em um carro de duas portas, a primeira pessoa a entrar deve se posicionar no último lugar, evitando que as demais tenham de passar por cima dela. O mesmo se dá quando ao entrar em um carro tipo van, em que há vários assentos. Procure o último banco e o último lugar, facilitando o embarque de outras pessoas”, sugere Ana Celeste.

As facilidades e perigos da vida moderna podem não colaborar para a prática das regras de etiqueta. A trava elétrica e a possibilidade de assalto são duas delas. Para Carlos Carreira, analista de produtos, "a possibilidade de destravar a porta automaticamente torna desnecessário, às vezes, abri-la para uma mulher. Há também a questão da segurança, pois, dependendo do local em que você estiver, não é aconselhável ficar vacilando, tanto para entrar quanto para sair do carro. Bandidos podem ver nesse tipo de situação uma ótima oportunidade para agir", diz.

Segundo Ana Celeste, "a trava elétrica facilita a vida, além de ser um item de segurança, mas nada deve barrar a gentileza e a boa educação".

Outro caso para se pensar é o de Ana Martinelli, designer, cujo namorado não tem carro. "Eu é que abro a porta para ele entrar", afirma. Para essas situações, o melhor é "passar o volante para o namorado, mesmo que ela vá dirigindo até a casa dele. Ao chegar lá, eles trocam de lugar, ele abre a porta para que ela saia e depois para que entre pelo lado do passageiro", aconselha a professora.

A consultora de Etiqueta Social do Senac de São Paulo, Janir Jurado Fraga, diz que muitos homens não são gentis porque temem o julgamento dos amigos, que geralmente vêem nesse gesto uma delicadeza exagerada. “Sempre pergunto para os meus alunos: vocês preferem mulheres chovendo na sua horta ou a aprovação dos homens? Depois, esses mesmos homens vão querer saber o motivo do seu sucesso. Simples: as mulheres preferem os gentis”, afirma Fraga.

Um homem será gentil, e estará seguindo as regras de etiqueta, se abrir a porta do automóvel para uma mulher vestida com traje de gala ou com calça jeans e camiseta. Mas a mulher também pode retribuir a delicadeza. “Uma vez dentro do carro, é gentil destravar a porta para o homem entrar. Há mulheres que, tão logo entram, já pegam o espelho e a maquiagem, esquecendo-se do outro”, explica Janir Fraga.

Para as que querem que o homem se habitue a abrir a porta do carro, o segredo é saber pedir. “Diga, por exemplo: ‘quando você age assim, sinto-me como uma rainha’. Isso é bem melhor do que ter um dedo apontado para a cara e ouvir reclamações”, alerta a consultora.

Um dos meios para não fazer feio no trânsito, diz Janir, é conscientizar-se de que estar no carro não é como estar em casa, mas em uma vitrine. “Portanto, nada de ficar com o dedo no nariz ou no ouvido”.

A etiqueta não serve apenas para fazer bonito, mas principalmente para melhorar a convivência entre as pessoas. Por isso, a regra máxima é tratar o outro como se gostaria de ser tratado. Essa postura pode parecer difícil em um primeiro momento, mas é única forma de construir um cotidiano mais civilizado e humano.

“Sempre digo às mulheres – muitas vezes discriminadas no trânsito pelo sexo oposto – para não retribuir xingamentos com outros xingamentos, mas, em vez disso, mandando um beijo. Tal gesto desarma totalmente o agressor, que, via de regra, surpreende-se, olha-se do espelho, melhora o humor”, garante Janir.

O filósofo e professor da Universidade de São Paulo, Renato Janine Ribeiro, em sua coluna no site AOL, chama atenção para uma idéia interessante sobre ser gentil: “as pessoas mais superficiais pensam que, entrando na frente, ganham. As mais refinadas sabem que, insistindo em dar vantagem ao outro, na verdade elas ganham – talvez mais que ele. Mas nem todos o percebem, e talvez faça parte da vida social essa série de ambigüidades, tanto a concorrência pela prioridade, quanto a mais discreta e secreta noção de que só dá honra quem a tem de sobra, quem a tem ‘para dar e vender’. Honra não se vende mas, quando se tem, se dá.”

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