Uruguai e Argentina: antigos circulam como carros de uso diário

Nos países vizinhos, é comum encontrar raridades rodando livremente nas ruas. O problema é que alguns não estão conservados
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Marcos Camargo
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- Uma visita às capitais Buenos Aires e Montevidéu revela muito mais do que tango, parrillas, vinho e alfajor. Passar alguns dias nas capitais banhadas pelo Rio da Prata é sinônimo de carros antigos.

Eles são milhares e estão por todas as cidades da Argentina e do Uruguai. Curioso é notar que muitos ainda servem como carros de uso diário, inclusive modelos fabricados há mais de 30 anos.

O Ford Falcon ainda é o sedã mais popular na Argentina. Fabricado entre 1961 via CKD e 1991, ele pode ser visto em cada esquina. O carro, de origem norte americana e com equilibrados traços europeus, chegou à Argentina com um motor de 101 cv, capacidade para seis pessoas e consumo contido de combustível.

Deu certo, e o carro ficou no mercado por 30 anos. Foi usado pela ditadura argentina e ficou fortemente associado à repressão, assim como as Chevrolet Veraneio no Brasil. Foram montadas 494 mil unidades. As últimas versões tiveram remodelações discutíveis, como grandes, pára-choques de plástico bem parecidos com as do Corcel II e linhas bem retas. Feio ou bonito, o Falcon é um carro comum tanto na capital quanto nas cidades do interior.

Outro Ford de sucesso foi o Sierra, produzido entre 1982 e 1993. O carro teve as versões hatch e sedã e substituiu os antigos Taurus e Cortina. Voltado para o mercado europeu, o Sierra teve duas opções de motores: 1,6 litro e 2,3 litros. Repare como o seu estilo aerodinâmico era bem diferente do dos modelos de sua época, como o Falcon, por exemplo.

Encontramos também um raro Toyota Carina, a versão sedã do Celica, lançada em 1970 e que foi exportada para vários países da América do Sul, com exceção do Brasil. Com motor 1,6-litro e primoroso acabamento interno, este carro ainda pode rodar tranquilamente pelas ruas de Buenos Aires por vários anos.

Em forma como se tivesse acabado de sair da fábrica. Assim estava o DKW que encontramos na avenida Santa Fé, bem no centro da cidade. O carro tinha até os selos originais da Auto Union.

Nas cidades do interior, encontramos muitos exemplares do Renault 4. Este simpático hatch foi o primeiro carro da marca com tração dianteira. Tudo nele era simplicidade: painel, bancos com forração fina e ausência de carpetes, substituídos por um forro acartonado. O motor é um 600 cm³ que desenvolve 20 cv. Parece pouco, mas é o suficiente para rodar numa cidade pequena num país onde quase todo o terreno é plano.

Falando em simplicidade, também fotografamos diversas gerações do Citroën 2CV, o anti-fusca, que na verdade faz o simpático Volkswagen se transformar em carro de luxo perto dele. O 2CV fez grande sucesso na Europa, quando foi lançado em 1948, e só deixou a linha de produção em 1990, após cinco milhões de unidades fabricadas.

Outra figura comum nas ruas é o Mitsubishi Galant na versão cupê. Fotografamos vários modelos com o visual “ochentoso” derivado da década de 80, como se diz por lá. O Galant é sinônimo de carro esportivo na Argentina e Uruguai e conta com várias inovações da época, como os cintos de segurança automáticos e retráteis e dispositivos elétricos, além do painel e bancos monocromáticos disponíveis em cores como creme, vermelha, azul e verde.

Os Chevrolet atuais que circulam na Argentina são fabricados no Brasil, como Corsa, Meriva e Celta, muito comuns. Porém encontramos alguns modelos do sedã Nova, principalmente da terceira geração 1969 a 1974.

Os modelos que eram exportados dos EUA para a Argentina, tinham motores de quatro cilindros e transmissão semi-automática chamada Power-Drive, de relativo sucesso. Também fotografamos um Impala, da década de 1970, que precisa de reparos urgentes. Assim que o carro foi fotografado, a poucos metros do estádio La Bombonera, do clube Boca Juniors, o dono cruzou a rua correndo e ofereceu o carro por quatro mil dólares. O preço é convidativo, se o compararmos com os exorbitantes valores dos carros antigos por aqui.

A marca Fiat também é popular na América do Sul desde a década de 1960, diferente do Brasil, onde chegou apenas na década seguinte com o inovador modelo 147. Numa rua pouco movimentada, na cidade de Concórdia, a quase 1.000 km de Buenos Aires, vimos um Fiat 1100, ou Millecento, um pequeno sedan fabricado em 1960, e equipado com motor 1,1-litro de 48 cv. Vale notar que o logotipo da empresa é o mesmo que foi adotado recentemente, com letras grandes sobre um fundo vermelho.

Em termos de utilitários, o mercado argentino sempre teve mais opções que o brasileiro, e várias picapes e peruas são vistas nos ranchos portenhos. A maioria ainda está trabalhando duro, já que, por lá, boa parte dos carros e utilitários é movida a diesel, que compensa em termos de autonomia e preço. Entre as picapes, destaque para o raro exemplar da marca De Soto, subsidiária do grupo Chrysler.

Ainda fora das cidades, na beira das estradas, visitamos alguns desarmaderos os ferros-velhos, que também reservam gratas surpresas e automóveis raríssimos, mas, claro, destruídos pela ferrugem. De qualquer forma, uma visita a Argentina e Uruguai servirá como uma viagem no tempo, principalmente para aqueles que são apaixonados por carros antigos.

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