Alegrias e tristeza

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Fernando Calmon
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- O ano de 2005 para a comunidade automobilística vai começar com várias boas notícias no que toca condições das estradas, combustíveis, seguro, legislação e alternativas energéticas, nesta ordem de importância.

O ano de 2005 para a comunidade automobilística vai começar com várias boas notícias no que toca condições das estradas, combustíveis, seguro, legislação e alternativas energéticas, nesta ordem de importância. A novidade de maior alcance é a confirmação de pesados investimentos na melhoria das estradas fcaptionais, a maioria em estado de calamidade. Tudo graças a um rearranjo fiscal, sem afetar as metas de superávit primário das contas do governo. As parcerias com o setor privado, recém-aprovadas, também vão na direção correta, mas ainda demandam algum tempo para vingar.

Um programa de desembolso de US$ 1,5 bilhão por parte da Petrobrás permitirá o corte substancial do teor de enxofre no diesel e na gasolina, com reflexos na vida útil de componentes dos motores e na poluição. Na caso da gasolina, o problema só não é mais grave porque contém 25% de álcool. O chamado seguro obrigatório contra danos pessoais, o DPVAT, passa a ter um substancial aumento de 55% na cobertura por morte ou invalidez, frente a um reajuste de menos de 10% para o motorista. Ainda longe do ideal, mas mostra uma evolução.

Quanto à legislação, se espera no próximo ano a regulamentação do artigo do Código de Trânsito Brasileiro que prevê advertência no lugar de multa para infrações leves. Seria hora também de acabar com a farsa do desconto de 20% para quem paga a multa no dia do vencimento, muitas vezes à espera do resultado de uma apelação. Na realidade, trata-se de uma penalidade adicional de 25%, mesmo para um atraso de 24 horas, que foge a qualquer princípio econômico e de justiça.

Outra boa iniciativa é a autorização para adicionar 2% de biodiesel ao diesel. O governo desejava a obrigatoriedade, mas a decisão do Senado foi prudente. Ainda há dúvidas entre soja e mamona como matéria prima principal, fora outros problemas. No começo do Proálcool, houve competição entre cana e mandioca, no fundo uma perda de tempo por falta de estudos aprofundados.

Mas há também uma má notícia. Começa em janeiro o plano de substituição paulatina até 2009 dos extintores de princípio de incêndio nos automóveis. Venceu o forte lobby de alguns interessados. Chega a ser irônico que a indústria automobilística, tão “poderosa” e empenhada em rebaixar seus custos, conviva com esse ônus e o repasse aos consumidores. Carro ainda pega fogo? Sim, em casos muito raros. A associação dos fabricantes de extintores ABIEX só tem razão ao alegar que são pouco relatados os casos de sucesso do equipamento. Na realidade, quase tão incomuns como o próprio incêndio.

Simular ou treinar um leigo para combater chamas é fácil. Na vida real, no entanto, o desespero bloqueia o raciocínio. Há uma seqüência de procedimentos que são esquecidos. O “novo” extintor é 40% mais caro R$ 70,00 a R$ 80,00. E deve ser descartado depois do quinto ano. A vantagem de combater o fogo em materiais sólidos quase nada representa em termos práticos: se as chamas chegaram ao habitáculo, um quilo de pó nada resolve.

A Abiex chama sem trocadilho a atenção para incêndios nos EUA: veículos pegam fogo numa proporção quatro vezes maior do que no Brasil. Mas lá, curiosamente, extintor não é item obrigatório, a exemplo de outros 180 países. Sua instalação deveria ser opcional e para quem sabe usá-lo com frieza e eficiência.

Em resumo, 2005 trará, sem dúvida, bem mais alegrias que tristeza.

RODA VIVA

ESTÁ praticamente decidido que a Ford vai produzir em São Bernardo, SP um carro compacto mais barato. A idéia é aproveitar elementos mecânicos do Ka e do antigo Fiesta, ambos ainda em produção. Se a GM pôde fazer isso, a partir do antigo Corsa hatch, e levou o Celta ao sucesso, a marca centenária também acha que consegue. Anúncio oficial, no primeiro semestre de 2005, e produção, no final de 2006.

DECISÃO da empresa americana tem muito a ver com recentes incentivos indiretos do governo paulista, até aqui à margem da chamada guerra fiscal entre os Estados. Afinal, a Ford possui uma fábrica antiga, sem os baixos custos da GM em Gravataí, RS. Na realidade, ao longo de mais de uma década, a carga brasileira total de impostos quase dobrou. Imagine se não ocorresse a tal disputa por investimentos. A pancada tributária seria ainda mais dolorosa...

PODE acabar nos tribunais internacionais a novela de cinco anos da participação acionária da GM na Fiat. Os italianos querem US$ 3 bilhões para abrir mão da sua opção de ser adquirida pelos americanos. Estes, por sua vez, oferecem um sexto daquele valor como “indenização”, depois de perderem mais de US$ 2 bilhões na empreitada. Mas as empresas em sociedade de motores/transmissões e de compras de peças devem continuar. Claro, se ainda existir clima.

SISTEMA de ar-condicionado, mais usado no verão, trabalha com perfeição por longos anos, sem problemas de funcionamento ou gastos elevados de manutenção. Uma recomendação simples: evite ligar freqüentemente o aparelho com o motor em rotações elevadas ou em acelerações vigorosas. Embora o risco seja baixo, o compressor pode ser danificado. Ideal é acioná-lo em baixas rotações ou em marcha lenta.
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E-mail: fernandocalmon@usa.net

Fernando Calmon, engenheiro e jornalista especializado desde 1967. Sua coluna semanal Alta Roda é publicada, desde 1999, em onze jornais brasileiros e no site WebMotors. Assina as colunas Direto da Fábrica na revista Carro e Roda Viva na revista Jornauto. Correspondente para América do Sul do site americano The Car Connection. Diretor editorial das oito revistas automobilísticas da On Line Editora. Consultor técnico, de mercado e de comunicação.

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