Assessor justifica projeto que proíbe faróis diurnos

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Gustavo Ruffo
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- Depois de publicar as reportagens “Projeto de lei proíbe uso de faróis durante o dia” e “O mundo e os faróis diurnos”, o WebMotors foi insistentemente procurado por Jacob Bettoni, pesquisador do Instituto de Noergologia que entrou em contato com o site depois que a deputada Selma Schons, autora do projeto, foi procurada, respondendo em nome dela.

De início, Bettoni forneceu trechos de seu site como forma de responder a três questionamentos da reportagem: 1 se a noergologia conhecia os estudos que apontam a eficácia do uso dos faróis de dia como um fator de prevenção de acidentes; 2 se, conhecendo, qual era o benefício que a noergologia via em proibir o uso de faróis de manhã, uso que é permitido e recomendado pelo Contran e 3 que medidas a noergologia propõe para evitar distrações no trânsito e torná-lo mais seguro.

Em nenhuma das situações a reportagem considerou as perguntas suficientemente respondidas. Bettoni, além de enviar os trechos do site, insistia para que o WebMotors organizasse um seminário sobre mecanismos perceptivos em São Paulo, idéia que foi recusada pelo fato de o site não ter, como foco principal, teorias psicológicas, o que seria melhor atendido por outras publicações.

Com a recusa, Bettoni vinha solicitando que fosse publicado um texto seu contra as manifestações contrárias que o projeto 6.777/06 vem recebendo, alegando que o WebMotors estaria cerceando sua liberdade de expressão. Apesar de nossa insistência em obter respostas mais adequadas às perguntas feitas, o pesquisador chegou a acusar o site de parcialidade. Por conta disso, segue abaixo a resposta de Bettoni, com os devidos contrapontos:

"BENEFÍCIOS DO PL 6777/2006 EXIGINDO USO INTELIGENTE DOS FARÓIS

O projeto situa o Brasil na vanguarda mundial da ciência perceptiva aplicada ao correto uso dos faróis, substituindo a visão fragmentária pela sistêmica com ênfase no sujeito perceptivo e não mais no farol descontextualizado. Resgata a dignidade humana ressituando o farol e o trânsito a serviço do homem e não mais o contrário, como propagam equivocadamente os faroleiros.

I Finalmente proíbe também no Brasil tropical o uso diurno indiscriminado do farol noturno, que já está abolido até nos sombrios países nórdicos com nevasca, onde de dia é permitido o farol diurno de luz fraca, o DRL, e não o farol noturno.


A informação é falsa. Canadá, Dinamarca, Finlândia, Hungria, Islândia, Noruega e Suécia exigem que os automóveis circulem com luzes acesas durante o dia. Há dois tipos de leis: o Canadá exige que os automóveis sejam equipados com DRL Daytime Running Light, faróis diurnos. O outro tipo de lei em vigor na Dinamarca, Finlândia, Hungria, Islândia, Noruega e Suécia exige que o motorista acenda os faróis baixos se seus veículos não tiverem DRL. Em 1973, a Finlândia exigiu o uso do DRL ou de faróis durante o ano todo. Na Suécia, isso aconteceu em 1977; na Noruega, em 1986; na Islândia, em 1988 e, na Dinamarca, em 1990.

II Restrito ao que já determina o artigo 40 do Conatran, o farol passa a obedecer estritamente ao que a ciência perceptiva recomenda: toda a frota com faróis baixos só em túneis, neblina e intempéries. Fora disso ficam apagados, o que garante a proteção da Lei de Muller para motos e ônibus, que usam o farol com exclusividade.

Não existe um órgão público brasileiro chamado Conatran, mas sim Contran, Conselho Nacional de Trânsito, que recomenda o uso de faróis durante o dia em estradas por sua resolução 18/98. O artigo 40 a que Bettoni se refere deve ser o do CTB, Código de Trânsito Brasileiro.

III Ao proibir o uso anticientífico dos faróis, o PL afasta da área os interesses e manobras escusas, bem como as crendices populares, substituindo definitivamente a visão fragmentária do farol, pela visão holística do sistema mente-cérebro.

O uso de faróis durante o dia não é parte de crendices populares, mas de estudos realizados na Suécia, Noruega e outros países que demonstraram que sua utilização reduzia os riscos de acidentes. No Brasil, ao contrário do que argumenta Bettoni, ainda é freqüente ver motoristas trafegando em vias públicas, à noite, apenas com as lanternas ligadas, quando não completamente apagados.

IV O fato de subordinar o uso dos faróis exclusivamente às descobertas científicas sobre mecanismos perceptivos agrega uma série de elementos de segurança, diminuindo: a os riscos da perda da proteção do estímulo mutante por parte dos motoqueiros; b os acidentes ocasionados por cronaxia, ou seja, cegueira momentânea gerada por estímulos luminosos de faróis artificiais sobrepostos à luz do sol quase na horizontal nas viagens para o oeste no final do dia ou para leste no início da manhã; c os acidentes provocados por aumento de distorção perceptiva decorrentes da luz artificial sobreposta à luz do sol; d os acidentes provocados pelo estresse gerado pela agressão da luz artificial sobreposta à luz do sol inibindo o efeito “visão de águia”: a águia melhora a acuidade usando óculos de sol natural - uma secreção ocular que diminui a intensidade luminosa o que melhora a percepção visual; e os acidentes noturnos provocados por faróis cujo teor de luminosidade foi esbanjado insensatamente à luz do sol, mas não foi trocado ao final do seu ciclo de luminância útil.

Não há estatísticas sobre acidentes causados por cronaxia ou qualquer outra situação citada por Bettoni, mas há estatísticas, inclusive brasileiras, que provam que o uso dos faróis reduz o índice de acidentes em termos absolutos. Isso ocorre principalmente no Rio Grande do Sul, onde é obrigatório o uso de faróis nas estradas. Bettoni refuta as estatísticas do governo gaúcho.

V O projeto tem o mérito de levar em consideração os efeitos colaterais, protegendo: a a vida ao inibir o aumento da poluição atmosférica gerada pelo dióxido de carbono; b os animais humanos e não humanos contra a poluição luminosa que agride ciclos cerebrais treinados por milhões de anos para a luz natural. Eis o alerta do Dr. Steven Bock: “A exposição aos ciclos naturais de luz resulta da evolução de milhões de anos e o Homem não pode interferir nesse mecanismo impunemente. Podemos enganar pessoas, mas não nosso organismo”.
VI O projeto também evita o aumento leviano de gastos com consumo de combustível e reposição de eletroimplementos, preservando, sobretudo nossa maior riqueza que é a teia da vida e nosso sistema mente-cérebro.


O consumo de combustível é, segundo estatísticas do próprio Bettoni, 1% superior quando se utiliza os faróis ligados o tempo todo. Segundo pesquisa da GM norte-americana, isso representa um gasto anual a mais, por motorista, de R$ 6 no mercado americano, acostumado a motores muito maiores que os brasileiros. Um estudo examinando o efeito da lei norueguesa de 1980 a 1990 demonstrou uma redução de 10% no número de acidentes durante o dia com o uso dos faróis Elvik, R. 1993; “Os efeitos nos acidentes com o uso compulsório de faróis durante o dia na Noruega; Accident Analysis and Prevention 25:383-98, entre outros.

Em seu e-mail, Bettoni continua a explicar as teorias que motivaram o projeto com estudos que seu instituto tem por referência:

“EXEMPLO DE CONFLITO ENTRE CRENÇA POPULAR E CIÊNCIA:

CRENÇA POPULAR:carro ou jamanta com farol facilitam a visibilidade.

CIÊNCIA:O sistema comandado pelo córtex visual, fruto evolutivo de milhões de anos aprimorou-se de tal sorte na percepção da luz natural que uma pessoa de olhos vendados consegue enxergar via joelho com a hemoglobina; consegue enxergar debaixo das água sic com a língua Wisconsin, o Dr. Paul Bach-Y-Rita. Pieron e Muller.descobriram que um objeto iluminado com a luz de um décimo milésimo de uma vela já se torna perfeitamente visível. Portanto, a idéia de que precisamos de um farol aceso à luz do sol para ver um carro ou uma jamanta é pura enganação, é analfabetismo perceptivo.”


Com a publicação da justificativa, o WebMotors espera ter contribuído para o debate sobre o projeto de lei. O endereço do site de Bettoni continuará a ser omitido por promover a reeleição da deputada, inserindo seu número de candidatura nas explicações sobre o projeto.
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