Carro ou moto II: Brasil também terá triciclos fechados

Empreendedores brasileiros tentam viabilizar fabricação de veículo econômico e ao alcance de todos
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Gustavo Ruffo
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- A reportagem “Carro ou Moto?” leia-a
aqui teve uma repercussão muito positiva, com comentários os mais diversos. Interessante é que a maioria lamentava que alguns dos produtos mostrados ali estavam disponíveis apenas nos mercados americano e europeu. Uma minoria, porém, procurou o WebMotors para contar que há, sim, triciclos em desenvolvimento no Brasil, alguns deles inclusive a poucos passos de um lançamento comercial. De certo modo, portanto, alguns leitores atenderam o anseio de muitos.

O primeiro a procurar o site foi Carlos Eduardo Momblanch da Motta, engenheiro mecânico e empresário que se associou a Renato César Pompeu, também engenheiro mecânico e economista, para, com a ajuda da Kommdesign, criar o Pompéo, um triciclo que, a exemplo do que dissemos na reportagem citada acima, tem o jeitão dos carros, apesar de sua identidade com as motos.

Para começar, o Pompéo tem carroceria fechada, com portas, assim como volante, painel digital, câmbio por alavanca, freio de mão e dois bancos individuais. Cada banco tem seus cintos de segurança e há espaço na dianteira para um estepe. Isso, segundo a resolução nº 129, do Contran, permite que os futuros condutores deste triciclo não precisem usar capacete.

Por outro lado, apesar de ser muito parecido com um carro, o Pompéo precisaria ser conduzido por motoristas com carteira do tipo A, para motos. Triciclos, segundo o parágrafo 6º do artigo 115 do CTB, são licenciados como se fossem motocicletas, sem a necessidade de utilizar placas dianteiras.

Isso pode ser uma vantagem competitiva enorme para o Pompéo, especialmente em São Paulo, com seu rodízio de carros municipal. Na capital paulista, as motos estão dispensadas da proibição de circulação. Teoricamente, portanto, o Pompéo também estaria.

Tudo, evidentemente, vai depender de como o triciclo será homologado. Se sua homologação permitir que ele seja conduzido por quem tem carteira B, para carros de passeio, pode ser que ele também fique sujeito ao rodízio municipal, mas a empresa pretende negociar com as autoridades para que seu veículo seja considerado como uma exceção, neste caso. Até porque, tecnicamente falando, o Pompéo tem tudo para ser beneficiado.

Basta perceber que, com apenas dois lugares e um peso máximo de cerca de 500 kg, com 2,33 m de comprimento um Ford Ka mede 3,62 m, o Pompéo ocuparia pouquíssimo espaço no trânsito urbano, mesmo conceito que tornou o Aruanda, projetado pelo professor Ari Antônio da Rocha, um carro tão revolucionário leia mais sobre ele aqui. Com isso, ele atenderia ao primeiro dos requisitos do rodízio: desafogar o trânsito pesado da metrópole, tirando de circulação carros para cinco ou sete passageiros que, frequentemente, transportam apenas um.

O segundo requisito do rodízio, o de diminuir a poluição na cidade, também seria atendido pelo Pompéo. As opções de motorização do novo veículo estão entre os motores de 250 cm³ da Yamaha YS Fazer 250 leia aqui a avaliação desta moto e o da Honda CBX 250 Twister leia a avaliação deste modelo aqui, isso para a versão de entrada do Pompéo, que deve custar cerca de R$ 15 mil.

Se isso parece um preço alto por um veículo de dois lugares, a média de valor cobrada por um smart fortwo, importado de modo independente para o Brasil, é de cerca de R$ 150 mil, dez vezes mais do que o Pompéo poderia custar. E basicamente com a mesma finalidade.

Como o Pompéo seria flexível com três combustíveis gás natural, álcool e gasolina, o mais provável é que a escolha recaia sobre o motor da Yamaha Fazer, que conta com injeção eletrônica.

Uma versão mais sofisticada do triciclo, com o motor de 400 cm³ da Honda NX Falcon, poderia ter itens de conforto como vidros elétricos e ar-condicionado, item praticamente imprescindível atualmente.

As peças de suspensão também seriam herdadas de motos, o que facilitaria bastante a fabricação do triciclo. O projeto do Pompéo está tão adiantado que a fabricação da carroceria já está em estudo com uma empresa do sul do país. Ela não seria de plástico reforçada com fibra de vidro, como normalmente são os carros especiais, mas sim de plástico injetado. Pompeu e Motta ainda procuram por sócios, mas a criação da empresa por conta própria é uma opção que eles não excluem.

Projeto Triciclo

O segundo leitor a nos procurar foi Gulherme Barbosa de Oliveira, 26, que elaborou em 2002 o Projeto Triciclo. Como ainda é um projeto, e dos mais simples de fabricar, ele também poderia gozar da mesma vantagem do Pompéo, ou seja, a de poder ser conduzido sem capacete, mas para isso ele precisaria incluir, em algum ponto, o estepe, o que um ajuste de projeto poderia contemplar facilmente.

Ainda assim, o Projeto Triciclo estaria muito mais próximo de uma moto do que o Pompéo. Para começar, sua cabine não tem portas: as laterais são abertas e dão acesso ao único banco de que ele dispõe.

Em segundo lugar, o Projeto Triciclo não tem volante, mas sim um guidão. E isso seria de menos não fosse um detalhe bastante interessante: a suspensão dianteira do projeto permite que ele se incline até 15º para dentro das curvas que fizer, aumentando sua estabilidade e, também, a sensação de estar em uma moto.

A motorização do Projeto Triciclo é mais do que simples: chega a ser básica, uma vez que recorre ao 125 cm³ da Honda CG ou até ao 100 cm³ da Honda Pop, mas, pelo peso que ele pode ter, esse segundo motor soa menos adequado. O mais certo é que ele recebesse o 125 cm³ ou até o 150 cm³, uma vez que esse motor é conhecido por sua facilidade de manutenção e sua durabilidade.

Assim como nas motos, o motor do triciclo vai sob o banco do motorista, em posição central e baixa, colocando o centro de gravidade em uma posição ideal para a condução com maior estabilidade. Para cargas, o triciclo contaria com bauletos em sua parte traseira, além de um porta-luvas com chave e de porta-objetos.

O que é realmente interessante no Projeto Triciclo é a utilização de peças conhecidas no mercado, baratas e de fácil acesso, o que permitiria sua fabricação quase imediata, além de um preço bastante acessível ao consumidor, possivelmente abaixo de R$ 10 mil. Houve um interessado nisso, Hudson Roberto Ayres, mas ele faleceu em 2003.

Quem sabe Motta, Pompeu e Oliveira não encontram, também por meio do WebMotors, alguém que ajude a viabilizar a produção de seus veículos? Esse poderia ser o começo de uma indústria automotiva de origem brasileira, para a qual já houve tantas tentativas frustradas.

Gosta de motos?

Então veja aqui no WebMotors algumas das marcas que estão disponíveis em nosso novo sistema de busca:

BMW

Harley-Davidson

Honda

Kasinski

KawasakiSundown

Suzuki

Yamaha


Leia também:

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Yamaha YS Fazer 250

Yamaha Neo AT 115

Motos com transmissão automática

Terra Modena 198

Suzuki Burgman 400
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