Economia: melhor forma de energia renovável

Pesquisas estarão mais nos veículos do que nos combustíveis
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Fábio FAPESP
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“Uma das maiores e mais baratas alternativas para a redução, em todo o mundo, das emissões de gases do efeito estufa como o carbono é o estudo da eficiência energética dos veículos e edificações das grandes cidades”, destacou John Twidell, diretor do Centro Amset da Universidade de Montfort, no Reino Unido.

Twidell foi um dos palestrantes de ontem quinta-feira 26/2, na sede da FAPESP, em São Paulo, no Workshop on Physics and Chemistry of Climate Change and Entrepreneurship, que será concluído hoje com vasta programação científica.

Segundo o pesquisador, os edifícios consomem cerca de 50% das fontes de energia produzidas por um país, principalmente para iluminação, comunicação, aquecimento, resfriamento e bombeamento. E em casos particulares – a exemplo da Inglaterra – mais de 10% da energia utilizada no país é perdida de forma passiva, como em leds de rádios e televisores que ficam ligados o tempo todo.

“A economia é a melhor forma de energia renovável. Isso remete à necessidade de sempre analisarmos a eficiência do que está sendo produzido pelos países, como no caso brasileiro, que tem alta produção de energia hidroelétrica e etanol. Mas será que o país está dando a atenção necessária ao desempenho dos refrigeradores, isolantes térmicos e motores utilizados em suas construções e automóveis?”, questionou.

Segundo ele, visando ao aumento da utilização de energias renováveis até 2020 na União Européia, nos últimos anos foram criados diversos marcos regulatórios nos países que compõem o bloco econômico e político. Um desses padrões é que, até aquela data, 20% da energia total utilizada nesses países devem ter origem em fontes renováveis.

“Na Grã-Bretanha, por exemplo, todos os novos edifícios deverão seguir o conceito de carbono zero. Se essas construções utilizarem energia que contribua para a emissão de carbono, por exemplo, elas terão que compensar com o uso de alternativas como células fotovoltaicas, energia eólica ou biocombustíveis”, explicou.

Ainda de acordo com essas metas, para abastecer sua população e indústria em diferentes setores econômicos, cada um dos 27 países da União Européia deverá ter, pelo menos, dez fontes de energias renováveis a mais do que as atuais. Por sua vez, o governo do Reino Unido obriga a redução das emissões de carbono no país em 80% até 2050.

“Essas metas são revolucionárias e, se não cumpri-las, as comissões européias de meio ambiente poderão responder nos tribunais pelos danos causados. O curioso é que a equipe do presidente Barack Obama já está estudando a adoção de metas equivalentes para os Estados Unidos”, disse.

Eficiência energética

Ao citar tecnologias de transporte desenvolvidas em diferentes países, como veículos elétricos ou movidos a hidrogênio, Twidell voltou a ressaltar que a ênfase das pesquisas para os próximos anos deverá estar mais nos veículos e em outros componentes do que nos próprios combustíveis.

“O foco deve estar muito mais no desenvolvimento de veículos adequados que sejam utilizados da forma mais eficiente possível. Chegamos a um patamar de abundância na área das energias renováveis, mas ainda temos muito a estudar no campo da eficiência energética, cujas tecnologias possam garantir a sustentabilidade a um custo adequado”, apontou.

Segundo Twidell, uma boa fonte de inspiração para essa nova fase de desenvolvimento tecnológico é o protótipo Helios, da Nasa, a agência espacial norte-americana.

“Trata-se de um avião fotovoltaico usado para a medição de poluentes atmosféricos”, disse. O Helios é uma asa voadora impulsionada por motores elétricos cuja energia provém de células fotovoltaicas montadas na superfície da fuselagem para a captação de luz solar.

Promovido em parceria com o Institute of Physics IOP e com a Royal Society of Chemistry RSC, o Workshop on Physics and Chemistry of Climate Change and Entrepreneurship faz parte das atividades do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais e integra as atividades da Parceria Brasil-Reino Unido em Ciência e Inovação.

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