Fiat FCC II, conceito elétrico e brasileiro, exibe qualidades na pista

Equipado com motor elétrico de 80,2 cv (59 kW), veículo é ecológico por dentro e por fora, além de ser divertido e bonito
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Gustavo Ruffo
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- Quando as primeiras fotos dele foram divulgadas, em outubro do ano passado, o carro-conceito que seria apresentado pela Fiat no Salão do Automóvel de São Paulo era chamado de Bugster. Quando chegou ao evento, ele foi renomeado para FCC II Fiat Concept Car, para continuar o que deve se tornar uma tradição da marca italiana, iniciada pelo FCC Adventure. O que ele trazia de mais legal era o fato de ser um veículo funcional, não apenas um amontoado de plástico e criatividade. Elétrico, o FCC II foi inteiramente concebido no Brasil. E nós andamos com ele no kartódromo de Aldeia da Serra, em São Paulo, para sentir como seria a vida dentro deste Fiat elétrico.

Para começar, o FCC II não tem compromisso com a produção em série infelizmente. Isso deu a engenheiros e designers toda a liberdade para criar um modelo que eles concebessem como o Fiat do futuro, com preocupação ecológica e também de estilo. Com isso em mente, ele não poderia deixar de ter um motor elétrico. O que ele acabou recebendo foi um de 80,2 cv 59 kW e 220 Nm de torque. O torque máximo, como em todo motor elétrico, está disponível desde a inércia. No caso do do FCC II, ele vai até as 4.000 rpm.

Ao contrário de outros carros elétricos, o FCC II tem câmbio. É um Dualogic, ou seja, um manual automatizado com apenas duas marchas, justamente por conta do enorme torque que o motor proporciona ao carro, que pesa meros 980 kg, boa parte deles em razão das baterias de íons de lítio.

São 93 delas, divididas em dois pacotes. Um deles fica sobre o motor, na parte de trás do FCC II. O outro fica sob o eixo dianteiro, o que confere ao carro uma boa distribuição de peso. Propositalmente, o peso maior está sobre as rodas traseiras, o que ajuda o carro a tracionar melhor.

A estrutura do veículo, que tem 3,25 m de comprimento, 1,81 m de largura, 1,48 m de altura, 19,3 cm de vão livre e 2,16 m de entreeixos, é um chassi tubular com elementos de carroceria em compósito de nanoargila reforçado não só com fibra de vidro, mas também fibras naturais, como sisal ou curauá. Até os bancos têm espumas ambientalmente mais corretas, com 30% de poliol de óleo de soja reciclado. Esse material já é usado pela Fiat nos bancos de seus veículos., numa proporção de 5%.

Ao volante

Apesar de ser um carro-conceito, o FCC II tem uma série de elementos evidentemente escolhidos para que seu desenvolvimento fosse o mais simples possível. O estilo de bugue, por exemplo, elimina a necessidade de portas. Placas de policarbonato servem mais como defletores de ar do que efetivamente como um pára-brisa, além de darem ao carro um efeito dramático de modernidade.

O santantônio, ao contrário dos tradicionais, não corta o carro de um lado ao outro, mas sim de frente para trás. A peça dá a sensação de separar motorista e passageiro em espaços próprios, quase individuais.

Para entrar no FCC II, que tem pernas compridas até consegue colocar primeiro uma perna e depois levar o restante do corpo. Pessoas menores têm de entrar no carro “de ré”, ou seja, primeiro a parte que senta cai sobre o banco e depois as pernas se acomodam na cabine.

Quando se acomoda no banco, o ocupante deve se lembrar do cinto de segurança, de quatro pontos, que tem de ficar livre para facilitar seu afivelamento. O assento acomoda o corpo perfeitamente.

Como seria de esperar em um conceito, não há regulagem de altura de banco ou de volante, o que poderia ser incorporado em um modelo de produção em série. Ainda assim, o painel de instrumentos é fácil de visualizar.

Com instrumentos circulares, no centro está um pequeno computador de bordo. No círculo imediatamente exterior, um ponteiro indica a quantidade de potência que se está exigindo do motor a escala vai até 60 kW. No aro após este indicador surge a marcação de velocidade, que vai até 180 km/h, mais do que suficiente para a velocidade máxima do carro, 120 km/h. No último círculo do painel de instrumentos ficam as luzes-espia.

No centro do painel fica um navegador por GPS e, logo abaixo dele, os comandos do câmbio: N, D e R, ou seja, neutro, Drive, para andar com o carro para a frente, e Rear, para ré. No canto inferior direito, outro botão permite o acionamento do sistema Locker, para tirar o carro do atoleiro.

Para ligar o FCC II, basta virar uma chave comum no contato. Mero mimo com o motorista tradicional, acostumado a chaves. No conceito da Fiat, bastaria um interruptor qualquer para o motor elétrico acordar. Em silêncio.

Depois, é só abaixar o freio de mão que lembra o do Mégane, como um manete de avião, apertar o botão D no painel e dar uma acelerada leve enquanto se pressiona o botão, para ter certeza de que o comando foi entendido. Em seguida, é só tirar o pé do freio há só dois pedais no FCC II, o do freio e o do acelerador e pisar no do acelerador.

De início, para sentir o carro, pisamos de leve no acelerador. A resposta imediata estimula a pisar com mais vontade no pedal, mas temos de ser comedidos. A carga das baterias permite percorrer até 100 km, mas há uma série de jornalistas depois de nós para avaliar o FCC II e é preciso poupar energia. A recarga, em uma tomada de 220V, leva oito horas. Antes estivéssemos sozinhos somos egoístas, admitimos!, mas nem tudo é como gostaríamos.

Apesar de não ter assistência, o volante é surpreendentemente leve, especialmente se considerarmos os pneus 255/55 R18 das rodas dianteiras. Nas curvas, o FCC II se comporta muito bem, mas os pneus de uso misto e o peso das baterias fazem surgir um começo de cantoria que é recomendável não estimular. Até porque o FCC II é um exemplar único e caro.

Manobramos o carro para as fotos. O processo para engatar a ré é semelhante ao do início do trajeto: apertamos o botão R e damos uma leve pisada no acelerador. Feitas as imagens, voltamos a dar mais uma volta no circuito com o carrinho. Desta vez, pisamos fundo no acelerador para comprovar o poder de aceleração do motor elétrico. Não chega a ser o que se descreve no Tesla Roadster, por exemplo, mas é vigoroso.

Só temos direito a duas voltas com o FCC II. Saímos do carro ansiosos por ver algo parecido chegar em breve às ruas, para que mais pessoas tenham a oportunidade que tivemos, de um modo mais freqüente, até cotidiano. Leve, divertido, rápido bonito e não poluente. Pode ter carro melhor do que esse?

FICHA TÉCNICA – Fiat FCC II

MOTORElétrico
POTÊNCIA80,2 cv 59 kW
TORQUE220 Nm de 0 a 4.000 rpm
CÂMBIOManual automatizado Dualogic de duas velocidades
TRANSMISSÃO Traseira
DIREÇÃOPor pinhão e cremalheira
RODAS Dianteiras e traseiras em aro 18”, de liga-leve
PNEUS Dianteiros 255/55 R18 e traseiros 285/60 R18
COMPRIMENTO 3,25 m
ALTURA 1,81 m
LARGURA 1,48 m
ENTREEIXOS 2,16 m
PORTA-MALASInexistente
PESO em ordem de marcha 980 kg
BATERIAS93 baterias de ions de lítio, com recarga de oito horas emu ma tomada de 220V
SUSPENSÃONão informada
FREIOSA disco nas quatro rodas
AUTONOMIA100 km
PREÇONão divulgado. O FCC II não está à venda



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