Mudanças no processo de importação não assustam entidade

Associação das importadoras, Abeiva afirma “confiar no bom senso do governo”
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Rodrigo Ribeiro
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- Após as recentes mudanças no processo de importação, era de se esperar que a coletiva de imprensa da Abeiva, nesta quarta-feira 18 fosse repleta de críticas ao governo. Porém o tom da entidade que reúne as montadoras que não possuem fábrica no Brasil era de tranquilidade. “Não revisaremos nossa meta de vendas nem haverá aumento de preços”, afirmou José Luiz Gandini, presidente da Abeiva e da Kia no Brasil. A posição é endossada por Paulo Kakinoff, presidente da Audi. “Não sofreremos conseqüências a curto prazo”, destacou.

Segundo o executivo, o cancelamento das licenças automáticas de importação só retorna os procedimentos existentes até 2001. “Agora apenas precisaremos acrescentar o tempo da emissão da licença, que demora em média 15 dias, à nossa logística”, explicou Kakinoff. Contudo, segundo as regras da Organização Mundial do Comércio, o documento deve ser emitido em um prazo de, no máximo, 60 dias.

Fora dos microfones executivos afirmavam que o tempo limite para emitir os documentos seria usado apenas para os carros procedentes da Argentina. “Essa medida foi uma retaliação contra as medidas protecionistas feitas pelo governo Kirschner desde o início do ano”, destacou um alto executivo sob a condição de anonimato. “Mas essa restrição não deverá ser mantida por muito tempo”, concluiu.

Entenda o caso
Desde a última quarta-feira 11 o governo cancelou a emissão das licenças automáticas para importação. Até então, os carros requeriam apenas a documentação do Ibama para serem enviados ao Brasil, enquanto a licença era emitida simultaneamente. Agora, cada fabricante precisa solicitar ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior a documentação, que pode demorar até 60 dias para ser emitida.

Apesar da decisão não afetar lotes em trânsito para o Brasil, a mudança surpreendeu as fabricantes pela rapidez com que foi feita. “Nenhuma licença foi emitida até agora e só foi definido o funcionário responsável pela tarefa no governo nesta semana”, disse Gandini, que também negou os rumores sobre impactos em outros setores. “A restrição será somente para carros completos, e não para autopeças”.

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