Questão de credibilidade

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Fernando Calmon
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- Com freqüência os cidadãos – motorizados ou não – são bombardeados por notícias sobre a poluição nas grandes cidades. As informações, invariavelmente alarmantes e baseadas em “estudos” de pessoas plenas de boas intenções, mostram uma dose exagerada de conclusões apressadas. E, claro, se não chegam a pregar o apocalipse, conseguem afirmar que em São Paulo, cidade mais poluída do País, mesmo a qualidade do ar boa faz mal à saúde. E jamais esquecem de atribuir aos veículos 80% da culpa.

Seria ingenuidade desconhecer que automóveis, ônibus e caminhões respondem pela maior parte das emissões poluentes nas grandes cidades. E que o transporte coletivo eficiente – metrô, em especial – significa a resposta racional a essa inquestionável mazela. Espera-se, no entanto, alguma racionalidade nas discussões. Fato marcante e pouco citado é que a cidade de São Paulo, a mais vigiada em termos de medições de qualidade do ar, passou por uma década inteira de índices cadentes. Estados de atenção, mesmo em microrregiões, diminuíram drasticamente e qualidade “ruim” do ar é rara. Os dados são da própria Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental Cetesb, de 2007.

Fruto de debates atuais, alguns acham que as referências precisam cair, ou seja, tornar mais rigorosos os índices aceitáveis de poluição. Os céticos extrapolam para cidades do interior paulista e outras capitais populosas do País as preocupações com o aumento da frota circulante de veículos, mesmo sem uma rede de estações de medição bem montada. Mas há uma constatação simples: o gás mais perigoso e letal, monóxido de carbono CO, aparece em concentrações bastante inferiores ao preconizado pela Organização Mundial de Saúde, mesmo em São Paulo.

O ozônio reação de hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio é, hoje, a principal preocupação. No entanto, além de toxidade incomparavelmente menor que o CO, depende de dias muito ensolarados para se formar na atmosfera. Médicos e pesquisadores podem ter razão sobre o sofrimento de adultos e crianças com doenças respiratórias por causa do ozônio e demais poluentes. Os cardíacos também aparecem entre os grupos de riscos. O âmago da questão é saber se existe relação de causa e efeito explícita, além do percentual da população que sofre desses males específicos de saúde.

Não se trata de minimizar as conseqüências da poluição, porém ter em conta os exageros e até onde pode se considerar apenas alarmismo afirmações de que existem “200 doenças relacionadas ou agravadas pela poluição”. Devem-se respeitar as opiniões, mas estudos científicos estão longe de confirmar essas teses.

Renovação de frota e inspeções veiculares estão entre os caminhos evidentes para atacar os problemas de qualidade de ar. Melhora da especificação do óleo diesel, também. O xis da questão é o caráter arrecadatório que os governantes tendem a sobrepor às questões ambientais. Um programa sério de inspeção deveria começar dos automóveis mais velhos para os mais novos. Obrigar todos os carros com um ou dois anos de uso a passar por análises de gases de escapamento, coloca em cheque a credibilidade de quem se diz preocupado com a poluição.

RODA VIVA

MINIVAN compacto da Citroën, baseado no C3, chegará em 2009 na versão aventureira. Só no ano seguinte, a versão comportada vem para enfrentar Idea e Meriva, diretamente. Essa informação, antecipada pela coluna há um ano, já recebeu sinalizações de confirmação por fontes do fabricante. Para este ano, além do C4 hatch argentino, o C3 receberá leve reestilização.

DESASTROSA a ameaça – e depois recuo – do governo de encurtar para 36 meses os prazos de financiamento. Se era apenas para marcar preocupação com a disparada das vendas, bastava acenar na direção de 60 meses, que se situam acima dos 42 meses em média praticados hoje. Ocorreu apenas 15 dias depois de a indústria anunciar US$ 5 bilhões de investimento este ano, recorde de todos os tempos.

ALÉM de trazer de volta o interesse pelas stations, nova Jetta Variant demonstra a tradição da Volkswagen nesse tipo de veículo, iniciada em 1969. Só há pouco a SpaceFox recuperou a liderança da marca, perdida para a Palio Weekend por quatro anos. Importada do México, mesmo sem imposto, tem preço salgado de R$ 92.000,00. Ponto alto: sonoridade sinfônica do forte motor 5-cilindros, 170 cv.

INACREDITÁVEL, mas ainda se conseguem abrir postos de combustíveis clandestinos “neste País”. E não é o caso de uma localidade remota, de difícil fiscalização. Dois postos funcionavam sem autorização da ANP, dentro da maior cidade brasileira, conforme flagrantes por parte da agência governamental encarregada de zelar pela qualidade do combustível à venda.

OUTRA lei não vai pegar? Películas escuras no pára-brisa e nos vidros dianteiros estão proibidas. Controle depende de homologação do aparelho de medição de transmitância luminosa. Especificações são tão exigentes que só há um interessado em fabricá-lo e enfrenta dificuldades técnicas. Parece algo proposital.

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Fernando Calmon fernando@calmon.jor.br é jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É publicada no WebMotors, na Gazeta Mercantil e também em uma rede nacional de 44 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente para a América do Sul do site Just Auto Inglaterra

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