Dá para abastecer com uísque ou álcool de limpeza?

Falta de combustível faz muitos considerarem uma 'gambiarra' para encher o tanque, mas isso pode render baita prejuízo

  1. Home
  2. Graxa
  3. Dá para abastecer com uísque ou álcool de limpeza?
Redação WM1
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

Com a falta de combustível causada pela greve dos caminhoneiros, já tem gente falando em rodas de bar e nas redes sociais sobre usar produtos alternativos, como álcool de limpeza, daqueles comprados no supermercado, óleo de cozinha e até pinga e uísque. De acordo com Henrique Pereira, membro da comissão técnica de motores Ciclo Otto da SAE Brasil, em alguns casos a gambiarra pode até fazer o veículo rodar, mas os problemas decorrentes do seu uso fazem não valer a pena.

O álcool líquido daqueles de garrafa, por exemplo, é um dos "combustíveis alternativos" mais comentados. Pereira destaca que o grande problema é a quantidade de água que é misturada nesse tipo de álcool. "Muita gente acha que álcool é tudo igual, mas o etanol que você compra no posto tem 7% de água, enquanto o álcool de garrafa em geral tem muito mais, às vezes cerca de metade do conteúdo é água", alerta o especialista. Tem até empresa que produz combustível a partir do uísque, por exemplo, mas o líquido passa por um processo de beneficiamento antes de ir para o tanque.

De acordo com o engenheiro, a água em excesso pode prejudicar a combustão, além de comprometer a correta lubrificação dos componentes internos e, ainda mais grave, causar calço hidráulico, especialmente com o motor frio. Tudo isso com elevação no consumo. "A água não comprime e pode danificar pistões, bielas e até furar o bloco do motor, o que representa prejuízo grande com oficina", alerta.

Vale observar que o etanol anidro, aquele misturado à gasolina, não tem água e existe álcoois mais puros, como o farmacêutico, que de fato fazem o motor funcionar, mas Pereira também recomenda que sejam evitados. "O automóvel foi projetado para ser abastecido com combustível de determinada especificação, fiscalizada, inclusive, pela ANP (Agência Nacional do Petróleo). Não recomendo utilizar nenhum combustível que não seja o indicado pela montadora", afirma.

O mesmo vale para bebidas alcoólicas, como uísque e pinga. "Além do excesso de água, essas bebidas geralmente trazem açúcares, que, como o calor da combustão, propiciam a formação de uma espécie de goma dentro do motor, que danifica uma série de componentes. Além disso, álcool em gel, nem pensar. O gel acaba virando uma espécie de granulado no interior do propulsor, que pode ser danificado".

Em relação ao abastecimento de veículos a diesel com óleo de cozinha ou óleo de mamona, Henrique Pereira também não recomenda seu uso, embora sejam matéria-prima utilizada na produção de biodiesel. "Para fazer o biodiesel, esses óleos passam por um processo químico de transformação para que tenham viscosidade e outras características semelhantes às do diesel extraído do petróleo. O material bruto não queima e ainda pode entupir bicos injetores, por exemplo, se for muito grosso", destaca.

Por fim, o especialista alerta para não usar querosene ou outros materiais inflamáveis para substituir a gasolina. "O querosene que você compra em uma loja de material de construção, por exemplo, não é o mesmo usado por aviões e sim um solvente, capaz de corroer borrachas e peças plásticas, causando sérios problemas. É como se você mesmo 'batizasse' o combustível que coloca no próprio veículo", compara.

Então, até que a situação do abastecimento se normalize, se não houver combustível no posto, deixe o carro em casa e vá a pé ou de bicicleta. Ou então utilize o transporte público, porque a improvisação não compensa o risco.

Comentários

Ofertas Relacionadas

logo Webmotors