Audi: chance de matrimônio com Ducati se confirma

Fabricante de motos passou de mão em mão, mas manteve o espírito liberto e revoltoso
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José Mahar
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Não, caro leitor, esta coluna não é sobre caminhões, mas sim sobre companhias que fabricam veículos de duas e quatro rodas. Conforme antecipado por este colunista, a Audi confirmou relacionamento sério com a Ducati.

O Grupo Volkswagen, da qual a Audi faz parte, tem uma mão boa, carinhosa, com as companhias que compra e floresce, tais como a Lamborghini que, na administração Audi, pôde ser o que sempre quis ser: um nicho dentro de um nicho. A Ferrari fica mais como uma fábrica que, hoje em dia, dedica-se aos que preferem carros de câmbio automático, enquanto os ‘Lambos’ são bem mais radicais na sua busca pela adrenalina nossa de cada dia.

A Ducati passou de mão em mão nos últimos anos, sempre com os lobos no portão, mas mantendo o espírito liberto e revoltoso, remando contra a corrente da moto universal japonesa. Nada contra as fabulosas máquinas do Império do Sol Nascente, mas é preciso haver quem marche ao som de outro tambor, que acredite em outras verdades e pense em outras palavras nesse mundo cada vez mais homogeneizado, mais igual, esse mundo de soldadinhos de chumbo.

Isso me levou a pensar em outras fábricas que fazem os dois tipos de veículos. A primeira a vir à mente, claro, é a BMW. Desde 1923 ferozmente diferente de todo o resto do mundo, beirando uma descrição que a chamaria do triunfo da teimosia sobre a tecnologia com seus Boxer Twins cada vez mais sofisticados, mas colados na imagem que Fritz Fiedler começou nos anos 1920. Lançaram outros tipos de moto, mas parece que está na bíblia que sempre haverá um contraposto com a hélice azul.

Assim, espero que seja com os V Twins da Ducati, motos fantásticas, de um comportamento exemplar para gostos refinados e mantenedoras de uma personalidade peninsular única. Entretanto, existem e existiram outras. O exemplo mais forte é o da Honda, a marca que salvou a motocicleta do esquecimento nos anos 1960, e que fabrica carros de alta qualidade, alguns até muito emocionantes como o NSX de motor central.

Também há que lembrar a Maserati nos anos 1950, com suas pequenas motos de alto rendimento que marcaram toda uma época nas pistas, assim como a Peugeot nos anos 1920 com suas motos de média cilindrada que desembocaram em ciclomotores nos anos 1950, muito populares na frança.

O referencial histórico mais forte nessa associação da marca dos quatro elos, porém, é que um deles se referia aos DKW, as pequenas maravilhas de mínimos motores de dois tempos. Essa marca foi lendária no Brasil com outra esquecida fora dos círculos de profissionais da ferrugem, a Vemag. No período entre guerras, de 1920 e pouco até 1939, fabricou motos de rua com motores dois tempos, a grande fé técnica de Joerg Rasmussen, o fundador do grupo.

Também nas pistas as DKw eram pequenas maravilhas voadoras, chegando a ostentar motores de dois tempos aumentados pelas delícias da aspiração forçada, com compressores volumétricos – como era a tendência daquele tempo. Portanto, ter duas rodas no grupo não é novidade. Com o espírito compassivo e compreensivo do vasto guarda chuva de Wolfsburg, a marca italiana tem a possibilidade fascinante de perpetuar sua independência, por paradoxal que isso possa parecer, no abrigo seguro do grupo VW.

As opiniões de nossos colunistas não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.


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José Rezende Mahar jrmahar@gmail.com tem uma longa história de participação no mundo dos motores. Desde 1980 escreve sobre veículos: carros, motos, lanchas, caminhões e ônibus, sejam eles atuais ou clássicos. Editou vários cadernos de automóveis ao longo de sua vida profissional, tais como a Manchete, Gazeta Mercantil, o setor de lanchas da Motor 3, além de colaborar frequentemente no Globo, Jornal Do Brasil, O Dia, Transporte Mundial, Mar, Vela E Motor, Automóveis Antigos e O Radiador, órgão do Veteran Car Club do Rio de Janeiro. Também foi piloto de moto, organizador de competições, chefe de equipe de corridas e mecânico. Em suma, um homem que viveu o encanto da máquina e o feitiço do asfalto em sua totalidade, que sente a emoção dos motores a fundo.

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