Chery QQ chega ao Brasil com status de mais barato do País

Compacto oferece ar-condicionado, direção hidráulica, trio elétrico, ABS e airbag duplo por R$ 23 mil
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Rodrigo Ribeiro
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– Rio de Janeiro – RJ – Ar-condicionado, trio elétrico, direção hidráulica, ABS e airbag duplo de série. Requisitos mínimos em um sedã médio, esses itens agora fazem parte do “carro da nova classe média”, como a própria Chery define o QQ, subcompacto que chega aos 74 concessionários da marca no final deste mês com o status de carro mais barato do Brasil. Com motor 1,1l de 68 cv e custando R$ 22.990, o QQ tem no preço seu maior mérito.

Pokemón
Mas não é só na etiqueta que o QQ pronuncia-se Que-quê chama a atenção. Seu desenho repleto de formas arredondadas se assemelha a personagens de desenhos japoneses. Não à toa, seu nome em chinês significa “fofo” e “delicado”. E após a curta avaliação realizada na zona sul do Rio de Janeiro, o WebMotors pode afirmar com certeza: as duas definições são perfeitas para definir o modelo.

Fofo
Seguindo a receita de Sérgio Habib na JAC, a apresentação da Chery aos jornalistas destacou o uso de componentes de empresas consagradas, como injeção por enquanto, só de gasolina Bosch e painel Visteon. O problema é que essas empresas fabricam produtos de acordo com a necessidade e verba de seus clientes. Sendo assim, o banco muito mais macio pode incomodar alguns motoristas, e costuras mal-acabadas indicam que a Chery optou pelo mais barato dos estofados da Johnson Controls.

Delicado
Item criticado na maioria dos modelos de entrada e em muitos “compactos Premium” e médios, o acabamento também deixa a desejar no QQ. Uso excessivo de plásticos com encaixe ruim e rebarbas não é exclusivo deste chinês, mas ele nem ao menos disfarça. Em um Ford Ka é necessário apertar o olho em cantos escondidos para encontrar peças desalinhadas, mas no QQ isso fica à vista, como na proteção da coluna “A” e bordas do painel.

A desconfiança de como o carro irá se comportar no esburacado piso brasileiro não é exclusiva de jornalistas e céticos. A própria Chery afirmou que a primeira revisão do carro, feita a precoces 2.500 km, serve para a troca de óleo e “reaperto de componentes”. Em contrapartida, a fabricante oferece três anos de garantia.

A delicadeza também se dá nas medidas. Com 3,55 m de comprimento, 1,48 m de largura, 1,49 m de altura e 2,34 m de entre-eixos, o QQ tem porte similar ao de Kia Picando e Ford Ka de primeira geração – inclusive no porta-malas, com parcos 190 litros de capacidade volumétrica.

O espaço interno é equivalente ao seus concorrentes do pelotão de entrada, com os passageiros à frente próximos ao painel, mas sem terem medo do airbag explodir perigosamente perto dos rostos. Atrás dois adultos de altura mediana vão com os joelhos bem próximos, mas não encostados nos bancos dianteiros. E apesar das fotos aparentarem o contrário, o teto fica próximo da cabeça dos passageiros com 1,75 m ou mais. Três adultos atrás, só se os caronas quiserem matar saudade dos tempos do ônibus lotado.

Brincalhão
Ao volante o QQ prega peças no motorista, em dois sentidos. O primeiro é no quesito ergonomia, pois o acionamento do farol fica no painel, através de um incomum botão giratório similar ao usado em outros modelos para regular a intensidade da iluminação interna. Farol e lanterna de neblina são acionados girando a ponta da chave de seta, lugar geralmente reservado à luz de posição e farol baixo.

Confuso, né? Bem, pelo menos o regulador dos retrovisores elétricos não é invertido, como ocorre com outro chinês. E o rádio com leitor de cartão SD e pen-drive não adota a pouco prática tomada pequena de USB, mantendo o conector padrão dos carros ocidentais.

A segunda peça que o QQ prega é menos divertida. Muito macia, a suspensão não é capaz de conter os 890 kg do modelo, permitindo que a carroceria incline além do tolerável. Não é questão de exigir desempenho de esportivo em curvas, mas o QQ não transmite confiança nem em desvios bruscos de trajetória, típicos quando surge um buraco imprevisto.

Deixando este problema de lado o QQ é quase divertido no trânsito. Seu motor 1,1l de 68 cv sobe de giro rápido, facilitado pelo câmbio com engates ruins de relações curtas. A embreagem de curso longo é macia, mas apenas surte efeito quando o pedal está quase no assoalho. A direção leve facilita manobras, porém continua inadequadamente leve em velocidades mais elevadas. A modularidade do freio incomoda no início, mas é fácil de acostumar.

De nicho
É injustiça esperar esmero de um carro de R$ 23 mil, mas a fragilidade que algumas peças demonstram vão contra a robustez pregada e justificada dos veteranos Fiat Mille e Volkswagen Gol G4. A mistura da tecnologia com o baixo custo também resulta em detalhes, no mínimo, inusitados, como o painel digital parecido com os MP20 vendidos por aí.

Porém o artifício do “completo” por um preço onde seus concorrentes não tem ABS nem como opcional é um fator mais do que relevante. E, felizmente, o QQ é muito superior ao Effa M100, outro chinês que ocupou temporariamente o cargo de mais barato do Brasil apostando nos itens de série, mas esquecendo-se do básico, ficando fadado à poucas dezenas de unidades vendidas por mês.

E, ao contrário do seu rival conterrâneo, o QQ oferece garantia e rede de concessionários maior, junto com um plano de revisões com preços camaradas, variando de R$ 100 a R$ 200. O incentivo à compra inclui até um financiamento próprio da Chery, com taxa de juros diferenciadas. Tudo para chegar às 12 mil unidades vendidas até o final de 2011. A meta da Chery é ambiciosa, mas o QQ, apesar dos defeitos, tem potencial para chegar até lá.

Viagem feita a convite da Chery do Brasil

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