Chevrolet lança OnStar no Brasil no Cruze 2016

Sistema exclusivo da GM oferece serviços de conveniência, conectividade e segurança
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Karina Simões
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O que vi na apresentação do sistema OnStar, da Chevrolet, é, do meu ponto de vista, uma revolução para o Brasil. Não estou falando de uma revolução tecnológica - afinal, há sistemas instalados em veículos vendidos no país que oferecem serviços parecidos. Leia, parecidos. Estou falando de uma revolução na maneira como nós nos relacionamos com o automóvel.

O OnStar é um sistema de telemática (telefonia+informática) que oferece ao usuário serviços de emergência, conectividade e conveniência. Em suma, pressionando um botão no retrovisor interno, o motorista é conectado (por uma ligação de telefone celular) a uma central e recebe as coordenadas que solicitar. A diferença é que quem está do outro lado são pessoas reais pagas para te ajudar 24 horas por dia, sete dias por semana, seja em uma situação de emergência, seja para fazer reservas em um restaurante, ajudar a chegar a um destino, saber das notícias do dia, localizar teu carro caso ele seja roubado, entre outras muitas funções.

Sem dúvida é um serviço de monitoramento, mas não impessoal como os que estamos acostumados a conviver. Desta vez, há humanos nos bastidores e não robôs, comprometidos a entregar o que a GM promete, o que faz do OnStar uma iniciativa arrojada da marca norte-americana para um país de infra estrutura capenga como o Brasil.

A Chevrolet apostou nisso por dois motivos: um deles é porque a marca tem o know-how da coisa e já passou por erros e acertos em outros países onde o sistema foi implantado. Só nos Estados Unidos, o OnStar é oferecido há 19 anos.

O outro motivo é que no Brasil há... brasileiros! Segundo estudos, assim como os indianos, o brasileiro quer (muito) ter acesso a tecnologia avançada e não se importa em pagar por isso. Para que você entenda bem o que motivou a montadora, basta fuçar nas notícias da semana passada, sobre o lançamento do iPhone 6s. O primeiro sujeito no mundo que botou as mãos no novo aparelho (e topou ficar acampado por horas na frente de uma loja australiana) é brasileiro. Outro exemplo, é o sucesso que a marca fez com a central multimídia MyLink ao oferecê-la nos populares Onix e Prisma.

Para arrematar, contra números não há argumentos. Segundo o último Censo, o Brasil tem 204 milhões de habitantes. Número que é inferior aos 284 milhões de celulares registrados em território nacional.

Cruze conectado

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A Chevrolet escolheu o Cruze – que foi recentemente reestilizado – para estrear o sistema no Brasil. O OnStar vem de série nas duas únicas versões do Cruze 2016, LT e LTZ e nos dois tipos de carroceria, hatch e sedã. A partir do modelo 2016, o Cruze será oferecido apenas com câmbio automático e bancos em couro, as outras duas versões mais simples foram aposentadas.

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Para a versão LT, que não conta com a central de entretenimento MyLink, o serviço também é oferecido, exceto funções que incluam envio de rota para o GPS. O modelo não começou a ser faturado ainda, a marca diz que o preço será revelado após a segunda semana de outubro, sem grandes alterações. Aguardaremos para ver.

Anjo da guarda

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No OnStar, o motorista se comunica com o call center por uma linha celular exclusiva do veículo, que transmite a conversa pelos autofalantes e microfones do sistema do carro. Há apenas três botões no retrovisor, um que abre o microfone, um azul para solicitar serviços e outro vermelho (SOS) para emergências.

Assim como a Ford já oferece no Ka, por exemplo, caso você se envolva em um acidente onde haja a deflagração de airbags, o sistema automaticamente aciona o SAMU. Todavia, pelo OnStar, há um acompanhamento de um atendente que se comunica com o motorista para tentar agilizar o processo com o resgate, informando a vítima como agir e ao resgate quantas pessoas estão envolvidas no acidente, se será necessária remoção por helicóptero, entre outras informações importantes.

Caso você testemunhe um acidente, mesmo se tiver sem seu carro no momento, sendo assinante do sistema você avisa o OnStar e eles se encarregam de chamar o socorro. Há um número 0800 para ocasiões deste tipo.

Está passando mal? Aperte o botão vermelho que alguém treinado fará seu acompanhamento até o hospital, chamará o socorro e avisará alguém de sua família. E caso seu carro tenha quebrado, eles chamam o guincho e o taxi.

Protegendo seu carro

Segundo a GM, no ano de 2014 foram registrados 750 mil carros roubados no Brasil e a média de recuperação é pífia, apenas 30%. O sistema não irá controlar os ladrões, mas certamente mostrará onde seu carro está para que a polícia possa recuperá-lo para você. Lembre-se, claro, de fazer um boletim de ocorrência.Outro dado importante, é que o módulo do OnStar conta com uma bateria independente para que o carro possa ser localizado mesmo que haja o corte da bateria principal.

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Há ainda um aplicativo que é instalado no smartphone que controla diversas funções do veículo, entre elas é possível programar para receber notificações quando o veículo inicia uma nova movimentação e saber qual é a sua localização atual. Está vendo seu carro ser roubado? Avise o OnStar e solicite o corte de ignição do veículo, que é feito de maneira progressiva. Ao passo que o “ladrão” reduz a velocidade do carro, ele não consegue consegue aumentá-la mais. Se ele parar em um cruzamento, por exemplo, o carro não sai mais do lugar.

Babá eletrônica

É possível que você monitore a rota de seu carro e, caso haja o desvio, o OnStar liga para certificar-se que está tudo bem. Se você sempre pede para seu filho avisá-lo ao chegar no destino e e ele nunca avisa, pelo monitoramento de rota, um agente do OnStar pode te avisar. Segurança para os pais, inferno dos adolescentes...

Pelo aplicativo, é possível também pedir para ser avisado quando o velocímetro ultrapassar o limite de velocidade predeterminado e comandar funções como o travamento das portas. 

Secretária 24 horas

Para o Brasil, o OnStar oferece também um serviço de concierge. Diferentemente de países onde este serviço não é oferecido, a Chevrolet identificou através de um estudo que este tipo de serviço está na lista de interesses do brasileiro.

É como se a agente OnStar fosse sua secretária. Ela te avisa o dia do rodízio, marca o cabeleireiro, pede a pizza, te indica o caminho, reserva o restaurante e lê as principais notícias do dia, por exemplo. Você pode solicitar ao agente uma infinidade de serviços e, dependendo do grau de dificuldade do pedido é o tempo de resposta. Afinal, são pessoas que estão pesquisando (na hora) o que você deseja.

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Bastidores

No Cruze 2016, a Chevrolet oferece o serviço como cortesia por 12 meses. Se você não quiser contratá-lo, tudo bem, o espelho retrovisor continuará com os botões, que não funcionarão. Para o futuro, a Chevrolet deve fazer pacotes com diferentes valores e serviços, mas ainda não há um preço fechado da mensalidade que será cobrada pelo OnStar. Alexandre Guimarães, diretor de engenharia elétrica da GM, disse que o preço deve ser semelhante ao de serviços de rastreamento oferecidos no mercado - as taxas pagas por esse tipo de serviço variam de R$ 40 a R$ 120 reais.

O call center fica em São Paulo e atende todo o Brasil. Quem aciona o serviço do Acre, por exemplo, não paga interurbano. A GM não declara qual o tamanho da equipe, mas a WebMotors descobriu que para este início foram treinados 37 pessoas para serem agentes, no entanto, o time por trás do sistema conta com mais de 100 funcionários. Com a demanda de uso, certamente, a equipe aumentará.

A central é da GM, porém admnistrada pela Ituran Road Track, uma empresa de monitoramento. O sistema utiliza uma rede de dados VPN em parceria com a Claro. E a GM é bem clara, “em lugares onde não há sinal de telefonia, o OnStar não vai funcionar”, não tem milagre. A principal ameaça ao OnStar, segundo Guimarães, são os hackers. Por isso o sistema é pensado priorizando a segurança cibernética.  

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Vai dar certo?

A iniciativa é louvável, de fato. Pelo teste que fizemos, realmente trata-se de uma experiência inovadora com o veículo. A tecnologia é inédita em um veículo que vende cerca de 1.800 unidades por mês, o que fará com que muitas pessoas tenham acesso ao serviço. Por outro lado, esta experiência de um ano, dará à GM a oportunidade de entender como o brasileiro lida com o sistema e como eles podem aprimorar o serviço.

A impressão é que estamos sempre acompanhados, o que pode ser bom ou ruim, pensando na perda de privacidade. Isso, de fato, irá gerar muita discussão. O comprometimento deve existir de ambas as partes, da montadora ao passar as informações corretas e do usuário, em utilizar os serviços com bom senso, sem abusos, sem piadas e também, ter certa paciência, afinal, são pessoas lidando com pessoas, não máquinas.

 

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